8-Bit Christmas

A minha recomendação mais recente vai para este projecto de Michael Dowse, que se baseia no livro com o mesmo nome. Vamos recuar à década de 80, para acompanhar a aventura natalícia de Jack Doyle, na tentativa de adquirir uma Nintendo Entertainment System.

Apesar da narrativa ocorrer num típica cidade americana, existem paralelismo evidentes em que me revejo. Por diversas ocasiões, partilhei que na minha infância tive o privilégio de jogar bastante numa Famicon, proveniente de Macau, numa era em que poucos conheciam a Nintendo e o impacto que teria na cultura de videojogos.

Existem obviamente muitos clichés, desde o típico bullying escolar, passando pela ignorância parental, que considerava os jogos um perigo para o desenvolvimento das crianças. Mas os momentos mágicos, em que temos referências a Paperboy, à lendária Power-Glove e ao icónico Rampage fazem as maravilhas de qualquer entusiasta do retro gaming.

Tenho perfeita noção que não é um filme para todos, mas confesso que gostei imenso da nostalgia que este filme transmitiu. Adicionalmente, parece-me importante salientar que a narrativa é cativante, com uma simbiose entre momentos humorísticos e de simbolismo natalício, que eleva este filme a um patamar de qualidade inesperado.

Noto alguma influência de The Goonies mas 8-Bit Christmas tem uma mensagem importante, que nos é transmitida através duma demanda épica pela NES. Em território nacional, podem encontrar este título na  plataforma de streaming da HBO, que conquista o selo de recomendação do Portal Pessoal.

Bom
70%

Leave the World Behind

Sam Esmail é o realizador deste projecto invulgar, que se baseia na obra literária de Rumaan Alam. O elenco é de peso, destacando-se Mahershala Ali, Ethan Hawke, Kevin Bacon e Julia Roberts, que também é a responsável pela produção.

A narrativa decorre no tempo actual, numa sociedade em que a dependência tecnológica é uma realidade. Após um (aparente) ataque cibernáutico que inibe a utilização de internet, a família Sanford vê-se isolada no Airbnb em Long Island, que alugou para o fim de semana. A situação complica-se ainda mais quando G.H. Scott, o dono da casa, aparece a meio da noite para solicitar guarida, dado que as saídas para a cidade estão completamente bloqueadas.

As personalidades distintas dos varios membros da família vão criar alguns momentos insólitos, sobretudo pela misantropia evidente de Amanda Sanford e o secretismo de G.H, que aparenta saber algo acerca dos estranhos eventos que estão a ocorrer. Os adolescentes estão muito bem retratados e serão uma parte fundamental da narrativa, em resultado das suas ações.

Ao longo de 141 minutos vamos recebendo dicas subtis acerca do que poderá estar a ocorrer, embora seja evidente que o objetivo passa pelo espectador escolher a sua própria interpretação. Diria que Leave the World Behind não vai agradar a todos, dado que não apresenta uma explicação “óbvia”, embora tenha um desfecho curioso e que abre caminho para uma potencial sequela ou spin off. Confesso que gostei da premissa, mostrando a mudança de comportamento entre as várias personagens, que lentamente se vão focando no conceito de proteção de família e desconfiança face ao mundo exterior.

No global, gostei da experiência e recomendo este filme para quem procura uma visão distinta dum evento disruptivo, que não passa por algo sobrenatural ou catastrófico do ponto de vista cósmico. As interpretações são competentes e existem vários momentos repletos de tensão , que acrescentam valor ao produto final.

Mediano
70%

Claymore

A obra de Norihiro Yagi foi adaptada em 2007, estando disponível a primeira  e única temporada no serviço de streaming da Netflix. O conceito é muito interessante e narra as aventuras da Organização, maioritariamente composta por guerreiras (Claymore), que são contratadas para derrotar metamorfos sedentos de sangue, que são vulgarmente designados por Yoma.

As Claymore utilizam uma energia demoníaca, comum aos Yoma, que lhes permite aumentar a sua velocidade e força. No entanto, necessitam de utilizar apenas uma fração máxima desse poder, de forma a não se converterem em monstros.

10% – Os olhos mudam de cor (amarelo)

30% – O rosto fica distorcido

50% – O corpo sofre alterações para o estado Yoma

70% – A mente fica confusa e torna-se 70% Yoma

80% – Ponto sem retorno (com a consequente transformação em Kakuseisha)

Esta é a premissa inicial deste anime, que introduz Teresa, a mais poderosa Claymore, nos primeiros oito episódios. Todas as guerreiras cumprem um existência simples, sem qualquer ligação a bens ou pessoas, mas no caso de Teresa, vamos assistir a uma mudança quando salva a jovem Clare, de um Yoma. Lentamente, vai ser criada uma ligação maternal entre ambas, que culmina com uma batalha em que Priscilla, a segunda da hierarquia, acaba por transformar-se num Ser Abissal.

A narrativa avança vários anos, para uma era em que Clare se converteu num Claymore, com o intuito de encontrar e eliminar Priscilla. Sem surpresa, a Organização continua a ter uma agenda escondida, que será revelada ao longo dos 26 episódios e que irá ter impacto considerável nas Claymore, que irão ter uma batalha brutal com Isley e os restantes Abissais.

Este anime é repleto de ação mas consegue sustentar uma narrativa densa e que não é explorada na totalidade, por inexistência de material original adicional. No entanto, podem contar com um desfecho no que diz respeito à batalha de Pieta, embora seja frustrante a manga estar parada desde 2014.

Para terminar, gostaria de saber se conhecem este anime e obter algum feedback da vossa parte.