Terminator Genisys

A franchise do Terminator tem sido maltratada nos últimos dois filmes, que foram penosos e nada acrescentaram à narrativa. Pelo meio, tivémos uma série que apesar de mediana, conseguiu fazer bem mais pela saga, o que me coloca numa situação complexa para abordar Genisys, a mais recente aventura.

Houve uma tentativa de tornar o filme cool, com a adição de Emilia Clarke (Sarah Connor), Matt Smith (Skynet) e Jai Courtney (Kyle Reese), mantendo algumas das premissas iniciais do filme. A storyline é no início essencialmente a mesma: os rebeldes derrotam (aparentemente) as máquinas, que enviam um Exterminador para 1984, no sentido de eliminar Sarah Connor. Nessa  altura Kyle Reese voluntaria-se para regressar ao passado de forma a proteger a progenitora de John Connor, o líder da Resistência.

O grande twist começa a partir desta fase, com a transformação de Connor num novo tipo de Exterminador, algo que é visível nos trailers, não sendo dessa forma um spoiler. Há momentos interessantes, sobretudo com o humor de Schwarzenegger e algumas cenas de acção, nomedamente a batalha entre o T800 e T1000. Existe claramente uma tentativa de ligar os dois primeiros filmes, com a menção de Miles Dyson mas no geral Genisys está longe de ser um filme memorável.

Talvez a grande dificuldade esteja no facto dos dois primeiros filmes serem tão icónicos mas pessoalmente sinto que deveriam deixar esta franchise em suspensão criogénica durante pelo menos uma década. Apesar de ser melhor do que Rise of the Machines e Salvation, este filme é mediano e não trouxe nada de inovador para a narrativa. Por esse motivo, apenas posso recomendar a fãs da saga ou a quem pretenda ver um filme de acção.

Maggie

O fim da carreira política de Arnold Schwarzenegger forçou o seu regresso ao cinema, com uma série de projectos e filmes de qualidade duvidosa. Antes da estreia da nova aventura do Exterminador Implacável, Maggie foi apresentado no festival de Sundance e obteve excelentes críticas, o que me aguçou a curiosidade, dado que se trata de um filme relacionado com a temática dos zombies.

Wade Vogel traz para casa a sua filha, que foi infectada com um vírus que a transformará num zombie no espaço de duas semanas. A narrativa é enquadrada num mundo consumido por uma epidemia que transforma os humanos em criaturas canibais e sem razão. A sociedade convive com o flagelo, permitindo ás famílias passar os últimos dias com os infectados, antes de os eliminarem numa quarentena colectiva. Esta é a premissa de Maggie, um drama onde o pano de fundo são os zombies mas em que podíamos perfeitamente inserir uma doença terminal ou mesmo a eutanásia.

O filme aborda as relações humanas, a forma como lidamos com os últimos dias de existência e os limites que impomos a nós próprios em termos de sobrevivência. Abigail Breslin tem um excelente desempenho mas há que realçar a presença de Arnold Schwarzenegger que tem uma interpretação imponente durante todo o filme.

Maggie é um filme que não vai certamente ganhar Óscares ou facturar largos milhões na bilheteira (187 até ao momento) mas é um projecto muito interessante, com uma abordagem diferente e que me cativou. Por todos esses motivos, recomendo sem hesitação este drama acerca da transformação de uma adolescente em zombie.

Jurassic World

Vinte e dois anos depois, a Ilha Nublar volta a albergar dinossauros, no parque temático mais popular do Mundo. Simon Masrani segue o sonho de John Hammond e cria um espaço repleto de diversidade e que é do agrado de todos.

No entanto, o aspecto corporativo é fundamental e a necessidade de aumentar as receitas levam à criação de uma nova espécie, cruzada com ADN de vários animais, de nome Indominus Rex. Esta é a premissa de Jurassic World, que apresenta muito pouco enredo mas compensa com acção non stop e algum humor característico.

Ao bom estilo de Spielberg, são introduzidas crianças na narrativa, mais concretamente os sobrinhos de Claire, que vão visitar a tia numa fase particularmente complicada a nível familiar, com o iminente divórcio dos pais. Como seria expectável, vamos acompanhar a evolução da relação destas três personagens, que poderá ter impacto muito relevante no desfecho final da história.

Ao longo do filme são várias as homenagens à aventura original e a nível de CGI a qualidade é simplesmente soberba, mostrando finalmente o parque em toda a sua glória. A nível de interpretações, brilham os miúdos Nick Robinson e Ty Simpkins, sendo que tudo o resto é bastante mediano e pouco memorável (com excepção da fenomenal Bryce Dallas Howard). Estamos perante o típico blockbuster de Verão, com excelentes sequências de ação e um elenco forte, liderado por Chris Pratt, Bryce Dallas e Vincent D´Onofrio, conseguindo restaurar o hype dos dinossauros.

À data de hoje , Jurassic World já fez praticamente mil milhões de dólares, em receita de bilheteira,  convertendo-se no filme que mais rapidamente atingiu essa fasquia. Por esse e outros motivos está prevista uma sequela, em data ainda a confirmar.

Para os fãs desta franchise, esta é uma aventura a não perder. Está longe de ser brilhante e fica bastante atrás do original mas vale pelo entretenimento e pelas fantásticas cenas de CGI, que nos transportam por instantes para um passado distante (65 milhoes de anos para ser mais exacto).