Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore

Não sou o maior fã da saga Harry Potter, embora existam várias personagens interessantes e com potencial para explorar. Albus Dumbledore é sem dúvida um desses casos, o que aumentou o meu nível de curiosidade para esta terceira aventura de Fantastic Beasts.

O primeiro ato apresenta-nos uma criatura mágica denominada como Qilin, que tem o poder de perscrutar a alma e visionar o futuro de qualquer mortal. Newt Scamander tenta protegê-la, sem sucesso, dos acólitos de Grindelwald, que acabam por levar a cria recém-nascida e eliminar a progenitora. Numa cena bastante emotiva, acabamos por confirmar a existência de gémeos, o que permite a Newt ficar na posse de uma criatura que será fundamental para o desfecho desta aventura.

Tomamos igualmente conhecimento de um pacto de sangue, que impossibilita Dumbledore de lutar contra Grindelwald. Assim sendo, surge a necessidade de recrutar uma equipa, que será composta por Newt, o seu irmão Theseus, Lally Hicks, Yusuf Kama, Jacob Kowalski e Bunty Broadacre, com o objetivo de anular o terrível plano de conquista do vilão.

Dado que Grindelwald tem em sua posse um Qilin, o objetivo passa por não ter um plano concreto, no sentido de o confundir. Para tal, Dumbledore opta por alguns métodos pouco tradicionais, que acabam por acrescentar alguns salpicos de humor a uma narrativa que em determinados momentos é bastante obscura.

A ICW ( International Confederation of Wizards) aparenta estar em conluio com Grindelwald, aprisionando Theseus e iniciando uma propaganda no sentido de garantir a sua eleição como Supreme Mugwump. No que diz respeito a narrativa, esta é a premissa principal. De forma a evitar spoilers, vou apenas adiantar que o terceiro acto é o mais bem conseguido, na minha opinião.

The Secrets of Dumbledore está longe de ser brilhante mas consegue envolver-nos nesta aventura, que acaba por ter uma conclusão satisfatória. Existem planos para dois filmes adicionais, em que vamos explorar a batalha entre Dumbledore e Grindelwald, restando apenas confirmar se as fracas receitas de bilheteira o irão possibilitar

No que diz respeito a interpretações, destaque para Eddie Redmayne (Newt Scamander), Ezra Miller (Credence Barebone) e Jude Law (Albus Dumbledore). A substituição de Johnny Depp teve o seu impacto, dado que Mads Mikkelsen conferiu uma dinâmica distinta à sua personagem, que acaba por fundir-se de forma orgânica face ao tom da narrativa. No global, apesar de algumas cenas de ação bem conseguidas, considero este filme mediano e claramente inferior a Fantastic Beasts and Where to Find Them.

Mediano
66%

Morbius

O primeiro acto tem início na Grécia, em que somos apresentados a Michael Morbius, um jovem de dez anos, com uma doença rara de sangue. A sua condição é partilhada com Milo, com quem vai criar laços de amizade que perduram no tempo. A narrativa avança vinte cinco anos, para uma floresta remota na Costa Rica, em que Morbius tenta encontrar uma cura para a sua condição.

Após recusar um prémio Nobel, o nosso protagonista recebeu fundos de Milo para prosseguir com a sua pesquisa. A fórmula criada com o gene dos morcegos funciona mas transforma-o num vampiro, com necessidade de beber sangue humano de forma uma regressão aos instintos animais. Após dizimar todos os humanos presentes no laboratório, com excepção da Dra Martine Bancroft, vamos acompanhar a evolução dos seus poderes, assim como o aparecimento de um outro vampiro, que tem uma visão completamente distinta de Morbius.

As cenas de ação e o CGI cumprem a sua função, embora estejam longe de ser brilhantes. O segundo acto, na minha opinião, é a parte mais fraca da narrativa, dado que é extremamente previsível e falha em cativar o interesse do espectador.  Os agentes Simon Stroud e Al Rodriguez são personagens secundárias e que pouco acrescentam ao filme, sendo igualmente frustrante o aproveitamento narrativo da personagem do Dr. Emil Nicholas. Como é habitual, vou evitar os spoilers mas há potencial nalgumas decisões do terceiro acto, que estão em consonância com a versão dos comics.

No que diz respeito a interpretações, diria que é um filme mediano, embora Jared Leto tenha um bom desempenho no papel de Morbius. Esperava mais da personagem de Matt Smith, que representa o antagonista principal desta aventura inicial do The Living Vampire. Existem duas cenas pós-créditos, que lançam uma premissa interessante para uma  sequela, que dificilmente se converterá numa realidade. Os resultados de bilheteira foram fracos e este universo que a Sony pretende criar conta nesta fase apenas com Spider-Man, Venom e agora Morbius, o que me parece manifestamente insuficiente.

Mediano
60%

The Lost City

Loretta Sage é uma reconhecida escritora de romances, que se encontra com dificuldade para concluir o derradeiro capítulo da saga da Dra Angela Lovemore e Dash McMahon. A morte do seu marido teve um impacto negativo profundo, originando uma reclusão extrema. De forma a aumentar as vendas, Beth Hatten, a sua agente, insiste numa série de eventos publicitários, que irão decorrer em vários pontos dos EUA.

O primeiro resultado é catastrófico, em consequência da inexistência de qualquer química entre Loretta e Alan. E é precisamente nesta altura que o argumento entra no apogeu da loucura. Os livros da nossa “heroína” são baseados em factos históricos, o que leva o milionário Abigail Fairfax a raptá-la, com o intuito de encontrar a “Coroa de Fogo”. De forma pouco subtil, tomamos conhecimento que o marido de Lovemore era um arquéologo, que partilhava a sua paixão por civilizações antigas. Dado que o tema dos seus livros era financeiramente pouco atractivo, Loretta foi forçada a utilizar o tema do romance, de forma a serem publicados.

Dash assiste ao rapto e torna a sua missão resgatar a escritora, com o intuito de provar que é mais do que um modelo para a capa dos seus livros. Assim sendo, informa a sua agente e recorre aos serviços de Jack Trainer, um ex-militar, que é perito em missões deste estilo. Existem momentos perfeitamente hilariantes, complementados com cenas de ação, que vão lentamente reduzindo a assimetria entre as duas personagens.

Dito isto, não esperem densidade narrativa, dado que o objetivo The Lost City é garantir entretenimento durante 112 minutos. O trio composto por Sandra Bullock, Channing Tatum e Daniel Radcliffe sustentam a narrativa de forma competente, mas devo confessar que as minhas personagens preferidas são Jack Trainer (Brad Pitt) e Beth Hatten (Da’Vine Joy Randolph), que são simplesmente hilariantes ao longo do filme.

Existe uma cena final, a meio dos créditos, que é interessante face aos eventos do filme. Se procuram um filme para ver numa tarde de domingo, diria com convicção que esta é uma boa escolha.

Mediano
66%