The Silence

Com a mudança de paradigma dos últimos anos, tem sido frequente a criação de conteúdos próprios por parte dos maiores prestadores de streaming. O mais recente projeto da Netflix baseia-se na obra literária de Tim Lebbon e transporta-nos para um mundo em que a acidental descoberta de criaturas voadoras se torna num pesadelo para a Humanidade.

A narrativa acompanha o quotidiano da família Andrews, que se vê na necessidade de sair da cidade para evitar os ataques destas estranhas e desconhecidas criaturas. Ally é a filha adolescente do casal, que tenta lidar com a perda de audição que sofreu aos 13 anos, algo que se vai revelar relevante para o desfecho final.

Sem entrar em pormenores, posso adiantar que existem algumas claras similaridades com A Quiet Place, embora haja igualmente uma perspectiva de culto religioso envolvido. Contem com drama familiar, luta pela sobrevivência e alguns clichés, num filme que sem deslumbrar, consegue ser competente e proporcionar entretenimento.

Stanley Tucci e Miranda Otto são os nomes mais sonantes do elenco, numa narrativa que tem pouco desenvolvimento de personagens e que representa um nicho de género que se tem revelado popular no último ano. Apesar de ficar aquém da qualidade necessária para recomendação, diria que será atrativo para quem aprecia uma boa história de apocalipse.

Mediano
60%

Avengers Endgame

A viagem que teve início há onze anos, com Iron Man tem a sua conclusão em Endgame, a segunda parte da batalha épica contra Thanos e o seu exército. A narrativa retoma os eventos de Infinity Wars, em que os heróis sobreviventes tentam desesperadamente encontrar uma forma de corrigir as acções que levaram à extinção de metade dos seres vivos do Universo.

O primeiro acto tem um tom pesado, mostrando uma equipa destroçada, com dificuldade em lidar com a perda e incapaz de seguir em frente. Esta humanização das personagens está muito bem conseguida e serve de molde para justificar algumas das suas decisões ao longo do filme. Os irmãos Russo voltam a introduzir, com sucesso, o humor para aliviar momentos de tensão e lentamente vamos caminhando para o único cenário de vitória previsto por Doctor Strange, que pode reverter os eventos do “estalar de dedos” de Thanos.

Garanto que não vão encontrar spoilers sobre o filme, pelo que não vou detalhar o plano dos Vingadores. Aproveito sim para parabenizar o excelente fan service que é realizado a esta década de (21) filmes, com pequenos easter eggs que estão espalhados ao longo da narrativa. As batalhas são verdadeiramente épicas, com destaque para o embate final entre as forças de Thanos e dos nossos heróis, que parecem saídas de um livro de BD da minha adolescência. E que dizer da conjugação da música com os portais que se vão abrindo… simplesmente brilhante!

Para alguém da minha geração é francamente poderoso assistir a um filme, numa sala repleta de jovens em que determinados momentos arrancam uma ovação e palmas (sim, leram bem) da plateia.   A frase icónica “Avengers, Assemble!” é finalmente dita pelo Capitão America e a escala de Endgame roça o épico, provando que os estúdios da Marvel sabem o que fazem.

É evidente que nenhum filme é perfeito e diria que a ausência de Agente Coulson, aliado ao humor (extremo) em redor de Thor são dignos de menção, mas todas as restantes decisões assentam tão bem que se torna fácil desculpar algumas falhas.

Endgame tem o dom de fechar um ciclo para os membros originais dos Avengers, criando as pontes necessárias para as futuras séries da Disney (Scarlett Witch, Vision, Hawkeye, Loki, Falcon e Bucky Barnes), o que justifica igualmente algumas omissões na narrativa acerca do paradeiro de algumas das personagens. A cena final é uma das mais marcantes desta saga e é uma homenagem a um percurso brilhante, que chega ao fim com a terceira fase da Marvel.

Haveria muito mais para dizer, mas teria que entrar em pormenores e não me faz sentido estragar-vos a experiência. Estamos perante um filme que marca uma Era, criando um novo standard para este género de super-heróis. Confesso que estou muito entusiasmado para as aventuras seguintes, mesmo não existindo confirmação que possam vir a existir novos filmes dos Vingadores.

Para terminar, apenas uma nota: no final dos créditos há apenas um som, que serve novamente para homenagear o início da Marvel enquanto Universo Cinematográfico.

Excelente
92%

Hellboy 2019

Após dois filmes medianos de Guillermo del Toro, a Lionsgate resolveu fazer um reboot, com um novo casting e realizador. A narrativa continua a retirar inspiração das obras publicadas pela Dark Horse Comics e mostra-nos uma visão mais violenta do mundo, em que Hellboy continua a ter dificuldade de integração.

Apesar das mudanças, parte da premissa mantem-se idêntica, com uma clara mensagem de “são as nossas escolhas que nos definem”. Desta feita, a vilã escolhida é a feiticeira imortal Nimue, que vai regressar para lançar uma praga, que visa extinguir a Humanidade e entregar o planeta aos Monstros.

Com a preciosa ajuda de Ben Daimio, um agente do M11 e Alice Monaghan, uma poderosa médium, o nosso herói vai embarcar numa aventura única, em que tentará derrotar Gruagach, a bruxa Baba Yaga e hordas de monstros que estão sob o controlo de Nimue.

Parte da narrativa está relacionada com a épica história do Rei Artur e Merlin, não esquecendo o papel fundamental da Excalibur, como única arma capaz de derrotar a magia da vilã. A nível de casting, diria que acertaram na maior parte das escolhas mas o resultado final está longe de ser brilhante.

A narrativa é pouca fluida, tem claras omissões e conta com decisões que não compreendo, retirando qualidade ao resultado final. Esperava bem mais de um projeto que conta com David Harbour, Milla Jovovich e Ian McShane, só para citar alguns dos nomes mais relevantes.

Mediano
63%