Shazam!

A adaptação de Shazam despertou a minha curiosidade, pelo facto de ser um super-herói menos conhecido do grande público mas que tem uma excelente história de origem. Confesso que as primeiras imagens não me convenceram, embora tenha gostado do trailer, o que me deixou algo relutante para a minha ida ao cinema.

O primeiro acto está muito bem conseguido, transmitindo as motivações do Dr Sivana, assim como de Billy Batson, um órfão que anseia por encontrar a sua mãe. Há momentos francamente cómicos, aliados a cenas mais sérias, permitindo à narrativa fluir de forma natural e que garante entretenimento de qualidade.

A segunda parte de Shazam! leva-nos à fase de descoberta dos poderes de Batson, que conta com a preciosa ajuda de Freddy Freeman, o seu mais recente “irmão”. Temos igualmente a interação com a família de acolhimento, que coloca os seus desafios e lições de vida ao herói, que tenta compreender como “utilizar o coração para desbloquear todo o seu potencial”.

As cenas de ação estão muito bem conseguidas e o vilão, interpretado por Mark Strong, é um excelente complemento, algo que tem falhado na grande maioria dos filmes da DC. Como habitualmente, não vou colocar spoilers mas o terceiro acto é o mais consistente, dando um fim adequado a este primeiro capítulo, com Billy a conseguir finalmente perceber o seu potencial e a aprender uma valiosa lição.

Sem deslumbrar, Shazam! é uma boa adição ao universo da DC, com um bom casting e uma excelente narrativa em termos de origens. Recomendo que no final não percam as duas cenas pós-créditos, que enquadram Black Adam, que contará com Dwayne Johnson no papel principal.

Bom
70%

Captain Marvel

Em contagem decrescente para a estreia de Endgame, temos a estreia de Captain Marvel, num filme que narra as aventuras de Carol Danvers, um piloto da Força Aérea Americana que se vê envolvida numa batalha intergaláctica entre os Kree e os Skrulls.

Estamos perante uma história de origem bastante competente, que começa por nos mostrar o quotidiano de Danvers em Hala, a capital de Kree, assim como a sua relação com o mentor Yon-Rogg, interpretado por Jude Law.

Vamos acompanhar uma missão de resgate, em que a nossa heroína, conhecida por Vers, acaba por ser capturada por Talos, o líder dos Skrulls. Graças a uma ousada fuga, Danvers acaba por regressar inadvertidamente ao planeta C-53, mais conhecido por Terra, no ano de 1995.

Uma série de acontecimentos acaba por forjar uma aliança com Nick Fury, na tentativa de compreender qual a ligação com o Projeto Pégaso e a Dra Wendy Lawson, que parece estar ligada ao passado escondido de Carol Danvers.

O primeiro acto de Captain Marvel está bem conseguido, apresentando a premissa inicial do filme e as motivações das várias personagens. Nota de destaque para a (curta) presença do Agente Coulson e para a excelente coreografia das cenas de ação, aliada a uma banda sonora soberba.

É nesta fase que a narrativa perde alguma fluidez, sobretudo aquando da redescoberta de algumas memórias de Danvers, mas consegue recuperar no terceiro acto, com muita ação e algumas revelações. Gostei bastante da adição das personagens de Maria e Monica Rambeau, assim como da história em redor de Fury e de Goose, que na realidade é um Flerken.

É igualmente nesta altura que Danvers consegue atingir a plenitude dos seus poderes, defendendo o planeta do ataque de Ronan the Accuser. No final, Captain Marvel abandona o planeta, com uma missão específica, mas deixa a Nick Fury um pager alterado tecnologicamente, para que possa estar contactável para uma emergência, numa clara alusão à derradeira cena de Avengers.

Existem adaptações face à história da BD, o que é perfeitamente natural mas este filme não consegue atingir, na minha opinião, o patamar de Black Panther, Ragnarok ou Infinity Wars.

Gostei bastante do primeiro e terceiro acto, assim como da interpretação de Samuel L Jackson e Jude Law, que complementam Brie Larson, que sem ser brilhante, consegue ter uma boa prestação.

Bom
75%

Bumblebee

Quando se falou em realizar uma prequela dos Transformers, realizada por Michael Bay e Spielberg, com foco na geração 1 dos anos 80, fiquei francamente entusiasmado. À medida que iam saindo mais pormenores, o sentimento foi aumentando, porque Bumblebee é uma personagem icônica mas não conseguia deixar de pensar nos terríveis filmes com que fomos presenteados (com exceção do primeiro).

Todos os meus receios caíram por terra ontem, dado que é provavelmente o melhor filme dos Transformers, assente numa premissa simples de criar empatia com a situação de Bumblebee, que se vê abandonado no Planeta Terra em 1987. Há uma introdução inicial em Cybertron, que consegue ser superior a todas as acenas de ação dos filmes anteriores, conseguindo captar a nostalgia e a escala da batalha entre Decepticons e Autobots.

A banda sonora é completamente anos 80, o que é brilhante e vai apelar sobretudo ás gerações que cresceram com a Geração 1 dos Transformers. Charlie Watson é a personagem humana que vai criar uma ligação especial com o nosso herói, recebendo-o literalmente com prenda no seu décimo oitavo aniversário. Existem cenas verdadeiramente cómicas, com recurso à família Watson, um pouco à semelhança do original mas estamos perante uma narrativa fluida e que tem um desenvolvimento de personagens muito interessante.

Correm rumores que Agent Burns, interpretado por John Cena, será o ponto de partida para um spinoff no universo GI Joe, algo que consideraria interessante. O mesmo não pode ser dito da interpretação de Cena, que é pouco memorável.

No que diz respeito a efeitos especiais, o filme está bem conseguido e consegue apresentar algumas personagens novas no universo dos Transformers, como é o caso de Shatter (Angela Bassett) , que é a vilã do filme. No que diz respeito aos clássicos da G1, temos aparições de Blitzwing, Ravage, Soundwave, Shockwave. Optimus Prime e Cliffjumper, para citar alguns dos mais icónicos.

Bumblebee é uma agradável surpresa, que me conseguiu levar numa viagem repleta de nostalgia e que merece a vossa atenção.

Bom
80%