A Renovação

Existiam duas hipóteses claras, que passavam pela mudança para um T3 ou a renovação do actual apartamento. Digamos que a economia facilitou a escolha, tendo ficado acordado iniciar as obras no início do Verão. Apesar de alguns percalços a data inicial foi cumprida, tendo a renovação começado no dia 15 de Julho. Dois meses foi o período inicialmente acordado para a duração das obras mas devido a um imprevisto com o fornecedor do PVC o prazo foi alargado para 3 meses.

A parte curiosa das obras é o facto de aparecer sempre algo inesperado, o que força a reformular o plano inicialmente estabelecido. Esta experiência não fugiu à regra e acabámos por optar por alguns extras que não foram inicialmente contemplados. A renovação implicava a substituição de esgotos e canalização no WC e cozinha, remodelação total da cozinha e wc, pintura, instalação de AC, janelas em PVC  e aplicação de pavimentos flutuante nos quartos.

Felizmente o empreiteiro era de confiança, pelo que tudo decorreu na normalidade, com alguns atrasos mas com um resultado final muito agradável. Foram muitas semanas a ver catálogos, a encomendar material e a negociar preços, o que compensou e bastante. Também me apercebi da falta de profissionalismo de várias empresas, que nunca chegaram a responder aos meus emails e contactos, deixando um potencial cliente com uma imagem negativa.

Com o passar das semanas tornou-se rotina visitar o apartamento e constatar a evolução, com as habituais fotos via Instagram. A parte mais frustante é sem dúvida o facto de estarmos longe de casa e apenas nestas alturas é que conseguimos ter noção do privilégio que é ser proprietário. Para mim é fundamental ter um espaço próprio, um retiro que me permite descansar e entrar no modo zen. Finalmente no mês de Outubro as obras terminaram e iniciou-se o processo de abrir caixas e arrumar produtos e materiais que nem me lembrava.

O regresso a casa ocorreu apenas no início de Dezembro mas foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes de 2012. O outrora antiquado apartamento de Vialonga (ok, semi novo dado que foi construído em 1999) deu lugar a uma espaço moderno e que está completamente personalizado ao nosso gosto. Para concluir, deixo-vos algumas fotos da evolução das obras e convido-vos a comentar.  A música (canvas) é royalty free e pode ser encontrada aqui.

The Life of Pi

Ang Lee é o responsável pela adaptação da obra de Yann Martel ao cinema. A vida de Pi fala-nos da trágica viagem de uma família indiana, que acaba por naufragar no meio do Oceano Pacífico, sendo Pi o único sobrevivente. Para complicar ainda mais o cenário, o nosso “herói” vai ter a companhia de uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre, sendo forçado a encontrar forma de coexistir com os seus novos companheiros.

O filme está dividido em três fases, sendo a primeira reservada à infância de Piscine Molitor e onde vamos obter informação importante acerca da sua cultura e religião. O enquadramento e a narrativa são particularmente estimulante nesta fase, embora seja realizada a um ritmo lento. A fotografia e banda sonora é simplesmente soberba, estando ajustada na perfeição ás imagens que vamos recebendo. Existem igualmente momentos de humor aliados a períodos de elevada carga dramática, algo que francamente não estava à espera.

A segunda parte diz respeito à viagem, com as inevitáveis peripécias, aliada a uma narrativa poderosa e que prende a atenção do mais incauto espectador. Pode considerar-se uma grande metáfora toda esta viagem, dado que são frequentes as questões relacionadas com a religião e com a busca incessante da razão da existência mas o enredo consegue ser ainda mais cativante, o que é simplesmente extraordinário.

Para a terceira e derradeira parte fica o “soco no estômago”, com o resultado final da viagem (vou evitar os spoilers) e a conclusão inerente à história de Pi. Ang Lee consegue transformar um livro numa aventura épica, recheada de perigos mas com uma lição simples mas que pode não ser fácil para todos. Recomendo vivamente a todos este filme e estou convicto que vamos ouvir falar desta obra nos Óscares.

Estou igualmente convicto que PI constará nas minhas escolhas cinematográficas para 2013, algo que já se tornou numa tradição deste blog.