A aventura continua, mas as alucinações começam a surgir… conseguirá o nosso “herói” sair vivo da prisão?
Arquivo mensal: Outubro 2017
Andromeda T.5
Ao contrário do habitual, este artigo vai está repleto de spoilers, pelo que fica desde já o meu aviso. A quarta temporada termina com a batalha de Arkology, em que os nosso heróis são aparentemente derrotados. Ficamos no entanto a saber que nos derradeiros momentos finais, Trance utiliza toda a sua energia para transferir a equipa para o sistema de Seefra.
Através de um portal, de nome Route of Ages, Dylan consegue levar a Andromeda, mas rapidamente constata que nem tudo aparenta ser o que é. Este sistema está fora da realidade como a conhecemos e grande parte da tecnologia está indisponível ou danificada, tornando virtualmente impossível o regresso dos nossos heróis.
Confesso que foi a temporada mais monótona e sem interesse, assentando na restauração da relação entre Dylan e a equipa, que o culpam por se encontrar nesta situação. Com o passar dos episódios, Rhadé, Beka e Harper começam a trabalhar em conjunto, com a preciosa de um novo elemento (Doyle, um androide que possui a memórias de Romy).
Para complicar ainda mais, descobrimos que Dylan é o último sobrevivente de uma raça milenar, os Paradine, que são capazes de viajar pelo tempo e entre dimensões. E ainda descobrimos que Seefra é na realidade Tarn-Vedra, a antiga capital da Commonwealth.
Após inúmeras missões para recolher equipamento e tecnologia, a Andromeda fica operacional a 100% mas permanece incapaz de aceder a splistream e sair deste sistema. Acaba por ser necessária a ajuda de Maura, a líder do Conselho das Galáxias, que envia a equipa para Tarazed, onde vai decorrer a batalha final.
Os últimos episódios são previsíveis e pouco acrescentam à narrativa, que termina de forma aberta. De referir no entanto que o Abyss é derrotado, de forma muito pouco satisfatória e que a equipa segue para novas aventuras, após a destruição do Planeta Terra.
Tenho imensa pena que as várias alterações ocorridas a partir da terceira temporada tenham retirado consistência e ritmo à narrativa. Se são fãs de Andromeda, recomendo que invistam tempo, caso contrário existem muitas séries superiores que podem ver.
Blade Runner 2049
Ridley Scott realizou o filme original, que se tornou numa referência do género de ficção científica, alcançando o estatuto de culto, reservado a muitos poucos projectos cinematográficos. Como tal, foi com algum receio que encarei esta sequela, que decorre trinta anos após os eventos de Blade Runner.
A narrativa apresenta-nos um mundo sombrio, repleto de tecnologia e em que as máquinas se converteram em membros integrantes da sociedade, embora continuem a ser vistos com desconfiança. Os Blade Runner continuam a ser uma presença constante, com a tarefa de recolher e descontinuar os modelos Nexus mais antigos que ainda continuam “escondidos” da sociedade, em consequência do grande Apagão (sugiro que vejam as três curtas oficiais), que eliminou todos os registos digitais existentes.
E é precisamente nessa premissa, que a narrativa nos apresenta K, um Blade Runner da polícia de Los Angeles, muito à semelhança de Deckard, que investiga um caso relacionado com Sapper Morton, um modelo Nexus 8 que esconde um segredo que pode mudar o rumo da História. Para estragar qualquer tipo de experiência do vosso lado, vou manter este artigo spoiler-free, salientando apenas que K inicia uma investigação, que envolve a Wallace Corporation, a maior criadora de replicants do Mundo, e que é liderada por Niander Wallace (Jared Leto).
Uma série de eventos vai juntar K e Deckard, que são perseguidos por Niander e Luv, fruto dos segredos que descobriram e que podem iniciar uma guerra entre Humanos e Replicants. O filme é francamente longo e tem algumas cenas de acção memoráveis, mas a narrativa é tão poderosa e fluida, interligando-se de forma quase perfeita com o original, que tudo o resto se torna secundário.
Parece-me injusto considerar este filme como uma sequela, porque é muitos mais do que isso. Estamos perante uma história independente, que se funde harmoniosamente com o primeiro Blade Runner. A fotografia e a banda sonora são simplesmente épicas e no global, estamos perante um dos melhores filmes de ficção científica da última década, se não o melhor.
Ryan Gosling tem uma interpretação fenomenal, embora seja justo destacar as personagens de Sapper, Joi, Luv, Niander e Joshi, que embora com participações curtas, nalguns casos, conferem uma qualidade e consistência à narrativa.
Haveria muito mais a dizer acerca de Blade Runner 2049, mas como mencionei, teria de colocar alguns spoilers que iriam reduzir a vossa experiência cinematográfica. Quero apenas agradecer a Denis Villeneuve pelo respeito com que tratou este projecto e ao enorme fan service realizado, ao integrar Deckard, Rachael e Gaff no enredo.
Termino com a óbvia recomendação de irem a um cinema com Dolby Atmos e deixarem-se envolver por este universo. Atrevo-me a dizer (e sim, ainda vai sair o Star Wars, entre outros) que dificilmente verão um filme melhor no decorrer deste ano.