The Wandering Earth

Baseado na obra literária de Liu Cixin, este é o primeiro grande projeto de ficção científica chinês, tendo alcançado excelentes resultados de bilheteira no Oriente. A Netflix adquiriu recentemente os direitos para o stream internacional deste filme, motivo pelo qual optei por embarcar nesta aventura de duas horas.

The Wandering Earth mostra-nos uma civilização humana na iminência da extinção enquanto espécie, sendo necessário criar gigantescos motores de fusão para retirar o planeta da sua órbita. O objetivo passa por realocar a Humanidade em Alfa Centauri, escapando à implosão do Sol, que se vai converter num gigante vermelho e consequente supernova.

A narrativa avança dezassete anos, mostrando uma superfície inabitável, resultado das alterações no campo magnético da Terra. As temperaturas baixas e o clima inóspito forçam os sobreviventes a viver no subsolo mas a missão prossegue dentro da normalidade possível.

No entanto, ao passar pela órbita de Júpiter, as forças magnéticas intensas causam uma avaria nos motores, colocando o Planeta Terra em rota de colisão. A bordo da estação espacial que orbita o Planeta Terra, seguem alguns astronautas, assim como várias espécie de fauna, flora e ADN humano que servirão de base para o relançar da civilização em Alta Centauri.

Após calcular os impactos e a inevitabilidade do impacto com Jupiter, MOSS, a inteligência artificial que comanda a missão, opta por sacrificar o planeta, garantindo a sobrevivência do material genético a bordo. Esta é a premissa principal do filme, que acompanha a luta pela sobrevivência no planeta, assim como a bordo da estação espacial, onde Liu Peiqiang e Makarov tentam evitar a catástrofe.

Há muita inspiração em clássicos como 2001, Odisseia no Espaço, passando por Gravity e até Espaço 1999, num filme que consegue ter alguns momentos de puro entretenimento. A história em redor de Liu Qi está repleta de clichés e no geral diria que o filme é demasiado longo, mas se são fãs de ficção científica sugiro que concedam uma oportunidade a Wandering Earth.

Mediano
60%

The Silence

Com a mudança de paradigma dos últimos anos, tem sido frequente a criação de conteúdos próprios por parte dos maiores prestadores de streaming. O mais recente projeto da Netflix baseia-se na obra literária de Tim Lebbon e transporta-nos para um mundo em que a acidental descoberta de criaturas voadoras se torna num pesadelo para a Humanidade.

A narrativa acompanha o quotidiano da família Andrews, que se vê na necessidade de sair da cidade para evitar os ataques destas estranhas e desconhecidas criaturas. Ally é a filha adolescente do casal, que tenta lidar com a perda de audição que sofreu aos 13 anos, algo que se vai revelar relevante para o desfecho final.

Sem entrar em pormenores, posso adiantar que existem algumas claras similaridades com A Quiet Place, embora haja igualmente uma perspectiva de culto religioso envolvido. Contem com drama familiar, luta pela sobrevivência e alguns clichés, num filme que sem deslumbrar, consegue ser competente e proporcionar entretenimento.

Stanley Tucci e Miranda Otto são os nomes mais sonantes do elenco, numa narrativa que tem pouco desenvolvimento de personagens e que representa um nicho de género que se tem revelado popular no último ano. Apesar de ficar aquém da qualidade necessária para recomendação, diria que será atrativo para quem aprecia uma boa história de apocalipse.

Mediano
60%