Chernobyl

Craig Mazin é o responsável pela criação desta minisérie de cinco episódios, que retrata os eventos inerentes ao maior desastre nuclear da história da Humanidade. A obra literária de Svetlana Alexievich (Vozes de Chernobyl) serviu de base para a narrativa construída em redor desta série, que consegue capturar de forma brilhante a União Soviética dos anos 80.

Jarred Harris, Stellan Skarsgard e Emily Watson são brilhantes em termos de interpretação, neste retrato de um povo orgulhoso, envolto em secretismo e cortinas de fumo, que levam ao extremo as consequência do que acontece em Pripyat.

Anatoly Dyatlov é o responsável pela central nuclear e decide supervisionar pessoalmente um teste de segurança no fatídico dia 26 de Abril 1986. A inexperiência do turno da noite, aliada à prepotência o responsável, faz com que o reactor Nº4 entre em sobrecarga e expluda. O que se segue é quase inexplicável, dado que os principais responsáveis optam por ignorar as evidências, recusando este cenário, indicando apenas que se tratou de um incidente sem consequências graves.

Apreciei especialmente os contornos políticos, com os eternos jogos de bastidores e a tentativa de controlar a opinião pública através do medo e da intimidação. Não vou entrar em grandes pormenores, mas posso recomendar sem hesitação esta fantástica série, que expõe o pior do regime soviético mas homenageia quem efetivamente lutou para que a verdade fosse exposta.

O equilíbrio entre a veracidade dos eventos e a dramatização pode ser debatível mas a principal mensagem de Chernobyl passa por reconhecer os erros do passado para mudar o futuro, o que me parece uma premissa essencial para a nossa evolução enquanto espécie. Em território nacional, podem acompanhar esta série, caso sejam assinantes da HBO ou, em alternativa, através de outro serviço de stream que encontrem pela internet.

Godzilla: The Planet Eater

A terceira e última parte desta aventura retoma os eventos de City on the Edge of Battle, com a destruição total da cidade MechaGodzilla. Como seria de esperar, as três facções do Conselho estão em desacordo, o que aumenta a tensão a bordo da Aratrum, onde os Bilusaludo exigem que Haruo seja castigado pela suas acções.

No Planeta Terra, Metphies está a realizar o aproveitamento religioso da situação, tentando fazer de Haruo um mártir, na tentativa de ganhar novos seguidores para o Deus dos Exif. Os Houtua, mais concretamente Miana, descobre que os Exif comunicam telepaticamente, ficando a par do plano para trazer o Deus Ghidorah para a nossa dimensão.

Para complicar ainda mais a situação, tem início uma revolta na Aratrum, criando as condições ideais para que os sacerdotes Exif consigam o número de seguidores suficientes para iniciar o ritual que trará Ghidorah para este universo, dando início a uma série de eventos destrutivos e que colocarão em causa a existência da Humanidade.

Ghidorah manifesta-se através de uma singularidade e parece não ser afectado pelas leis da Física do nosso Universo. Os Exif acreditam que tudo tem um fim pré-definido, considerando um privilégio fazer parte desta cerimónia em que são consumidos pelo seu Deus, como uma dádiva ou sacrifício.

E assim tem início uma batalha titânica entre as duas criaturas, com clara desvantagem para Godzilla, face à incapacidade de ferir a existência intangível de Ghidorah neste Universo. Vou, uma vez mais, evitar os spoilers, salientando apenas que Haruo, com a preciosa ajuda de Mothra e Dr Martin, vai encontrar forma de equilibrar a balança, devolvendo o Deus dos Exif à sua dimensão.

O final desta aventura está longe de ser um cliché, o que me agradou, embora esteja carregado de simbolismo. O diálogo final de Metphies dá a entender que Haruo é fundamental para o regresso futuro de Ghidorah à nossa dimensão, o que justifica o final de Planet Eater.

Nos derradeiros minutos finais, ficamos a saber que Maina está grávida de Haruo e que o Dr Martin consegue reparar Vulture, o único Mech que sobreviveu da cidade MechaGodzilla. Há uma cena pós-créditos que partilha um ritual futuro, em honra de Haruo e que simboliza o eliminar de medos e receios.

No global, este anime está bem conseguido, embora tenha seguido um caminho repleto de simbolismo, em que a religião e o comportamento humano são pilares fundamentais. Acredito que não seja bem recebido pela maioria, mas sugiro que invistam tempo nesta trilogia da Toho Animation.