The Expanse T.2

Uma aliança improvável entre Joe Miller e a tripulação da Rocinante marca a segunda temporada de The Expanse. Durante os treze episódios vamos obter mais informação acerca da protomolécula, que aparenta ser de origem extra terrestre.

A estação de Eros converte-se no ponto de origem para uma série de eventos que criarão um cenário de crise inesperado, colocando a sobrevivência do planeta Terra em causa.  Paralelamente, vamos conhecer em pormenor as restantes fações, mais especificamente Marte, Belters e a OPA.

Na Terra, continuam os jogos políticos entre Errinwright e Avasarala, que passa a contar com a preciosa colaboração de Cotyar. Salientaria, no entanto, que o momento mais importante da temporada acaba por ser o ataque na estação de Ganymede, que precipita um clima de guerra entre Marte e a Terra.

Avasarala convence o Conselho a mediar uma cimeira de paz, que se converte no início da proclamação de guerra, por motivos que devem permanecer em segredo, para evitar spoilers. A narrativa retoma à Rocinante, liderada por James Holden e que conta com um novo membro, Prax, um botânico que será fundamental na missão em Ganymedes.

A temporada termina numa situação de risco para Avasarala, que conta apenas com a proteção da renegada marine marciana Bobbie Draper e com uma inesperada revelação de Naomi, que irá afectar profundamente o nível de confiança da tripulação da Rocinante.

The Expanse continua a ser uma das minhas actuais séries de referência de ficção científica e a terceira temporada promete ser repleta de revelações e decisões fundamentais para o futuro da Humanidade.

The Midnight Sky

George Clooney é o realizador e figura principal deste projeto Netflix, que se baseia na obra de Lily Brooks-Dalton. O Dr Augustine Lofthouse é um cientista que se encontra no Ártico, no ano de 2049,  quando um estranho evento apocalíptico ocorre no Planeta, irradiando o ar e forçando a raça humana a refugiar-se no subsolo.

Apesar da temática inerente de ficção científica, The Midnight Sky é um relato pessoal de um dos últimos sobreviventes da superfície do Planeta, que tenta desesperadamente alertar a tripulação da nave espacial Aether, a única e derradeira missão ativa da NASA, que se encontra de regresso à Terra após uma missão de dois anos na lua K-23, de Júpiter.

Ao longo da narrativa ocorrem diversos flashbacks, que servem para apresentar as personagens, embora o foco principal seja efetivamente o Dr Lofthouse. A bordo da Aether, os astronautas não têm qualquer conhecimento do evento e realizam as suas tarefas diárias, até uma avaria os desviar da trajectória, o que implicará algumas decisões complexas e que colocarão a sua segurança em causa.

Na estação do Ártico, Augustine acaba por encontrar uma menina de nome Iris, que se perdeu aquando da evacuação e aparenta não conseguir falar. Lentamente, a relação entre ambos vai evoluindo, servindo de redenção para Augustine, que claramente tem muitos remorsos pela forma como lidou com a sua filha no passado.

A narrativa alterna entre a missão da Aether e a corrida contra o tempo no Ártico, dado que o Dr Lofthouse toma a decisão de viajar até a uma estação meteorológica com capacidade de contactar a tripulação e impedir a sua entrada na atmosfera.

No global, o filme está bem conseguido e tem uma metáfora inerente, que faço questão de manter no anonimato. No que diz respeito a interpretações, George Clooney, David Oyelowo, Felicity Jones, Caoilinn Springal e Kyle Chandler são bastante competentes, apesar da narrativa ser algo previsível.

No entanto, posso assegurar que The Midnight Sky é uma sugestão a ter em conta para quem aprecia ficção científica focada na narrativa e nas emoções humanas da constante luta pela sobrevivência.

Mediano
69%

Raised by Wolves T.1

Ridley Scott é o produtor desta narrativa, que nos apresenta um futuro distópico, em que dois andróides são encarregues de criar e educar um grupo de crianças, que irão ser o futuro da Humanidade. Falar sem spoilers sobre esta série é complicado, mas vou fazer o meu melhor nos parágrafos que se seguem.

Ao longo desta temporada, tomamos conhecimento do destino do Planeta Terra, que foi abandonado por uma fação religiosa, que venera o Deus Sol. Adicionalmente, no lado oposto, temos  um grupo de ateus, que acabam por conseguir infiltrar-se na Arca, por motivos que iremos conhecer mais para o final destes primeiros dez episódios.

Existem inúmeras muitas surpresas na narrativas, sobretudo no que diz respeito a comportamento das principais personagens. A narrativa está igualmente repleta de ideologias opostas, em termos de crenças religiosas e existenciais, assim como de hábitos alimentares e respeito pelo ecossistema.

Para mim, o facto mais curioso é a relação dos andróides para com as crianças, sempre numa perspectiva de preservação e evolução enquanto espécie.  É evidente que estou a omitir deliberadamente vários pontos relevantes, mas diria que os últimos quatro episódios criam uma reviravolta gigantesca no rumo da narrativa, abrindo caminho para certos eventos que vão certamente ser fundamentais na segunda temporada, que deverá estrear em setembro de 2021.

Raised by Wolves não é uma série consensual, mas tem potencial para se converter numa referência do género de sci-fi, precisamente porque debate temas relevantes, que (por acaso) estão contidos numa narrativa de um futuro distópico.