Wolfs

A procuradora geral de Manhattan entra em pânico, após a morte de um jovem prostituto no seu quarto de hotel. Rapidamente contacta um especialista, que lhe dá algumas indicações, garantindo que a situação será resolvida sem dificuldade. Alguns minutos mais tarde, ao entrar no quarto, é confrontado com a chegada de outro especialista.

Ficamos a saber que a proprietária do hotel foi a responsável pela chamada, dando início a uma colaboração imprevista entre ambos, que suporta a totalidade da narrativa de Wolfs. Estamos perante uma comédia de ação, realizada por Jon Watts, e que conta com George Clooney, Brad Pitt e Austin Abrams nos principais papéis.

Vou evitar os spoilers, mas o que aparenta ser uma “limpeza” rotineira, vai converter-se em algo muito mais complexo. Vamos ficar a conhecer um pouco do passado de ambos os especialistas, o que ajuda a contextualizar os eventos, que irão terminar numa cena final absolutamente épica. As interpretações são de qualidade e algumas das situações são profundamente hilariantes, com destaque para a cena do casamento, assim como do parque de estacionamento do hotel.

Outro pormenor delicioso é o facto de nunca sabermos os nomes dos especialistas, assim como do patrão em comum, o que pode abrir uma sequela, face aos eventos do terceiro acto. Se procuram um filme competente, com uma narrativa simples mas envolvente, esta é, sem dúvida, uma excelente escolha.

Mediano
70%

The Midnight Sky

George Clooney é o realizador e figura principal deste projeto Netflix, que se baseia na obra de Lily Brooks-Dalton. O Dr Augustine Lofthouse é um cientista que se encontra no Ártico, no ano de 2049,  quando um estranho evento apocalíptico ocorre no Planeta, irradiando o ar e forçando a raça humana a refugiar-se no subsolo.

Apesar da temática inerente de ficção científica, The Midnight Sky é um relato pessoal de um dos últimos sobreviventes da superfície do Planeta, que tenta desesperadamente alertar a tripulação da nave espacial Aether, a única e derradeira missão ativa da NASA, que se encontra de regresso à Terra após uma missão de dois anos na lua K-23, de Júpiter.

Ao longo da narrativa ocorrem diversos flashbacks, que servem para apresentar as personagens, embora o foco principal seja efetivamente o Dr Lofthouse. A bordo da Aether, os astronautas não têm qualquer conhecimento do evento e realizam as suas tarefas diárias, até uma avaria os desviar da trajectória, o que implicará algumas decisões complexas e que colocarão a sua segurança em causa.

Na estação do Ártico, Augustine acaba por encontrar uma menina de nome Iris, que se perdeu aquando da evacuação e aparenta não conseguir falar. Lentamente, a relação entre ambos vai evoluindo, servindo de redenção para Augustine, que claramente tem muitos remorsos pela forma como lidou com a sua filha no passado.

A narrativa alterna entre a missão da Aether e a corrida contra o tempo no Ártico, dado que o Dr Lofthouse toma a decisão de viajar até a uma estação meteorológica com capacidade de contactar a tripulação e impedir a sua entrada na atmosfera.

No global, o filme está bem conseguido e tem uma metáfora inerente, que faço questão de manter no anonimato. No que diz respeito a interpretações, George Clooney, David Oyelowo, Felicity Jones, Caoilinn Springal e Kyle Chandler são bastante competentes, apesar da narrativa ser algo previsível.

No entanto, posso assegurar que The Midnight Sky é uma sugestão a ter em conta para quem aprecia ficção científica focada na narrativa e nas emoções humanas da constante luta pela sobrevivência.

Mediano
69%

Gravity

Desde o momento em que vi o trailer deste filme que fiquei com enorme curiosidade. Hoje tive finalmente a oportunidade de o ver em IMAX 3D e posso afirmar com convicção que foi um sucesso. À primeira vista, Gravity representa um desafio enorme, dado que tem apenas quatro actores (sendo que um deles apenas dá a voz à torre de controlo de Houston), o que significa que as interpretações necessitam de ser muito convincentes. Nesse aspecto, Sandra Bullock e George Clooney são soberbos, com Ed Harris a complementar muito bem com a sua voz.

A experiência em IMAX permite ter aquele extra em termos de ambiente, com  os primeiros minutos de adaptação à constante movimentação da camera, simulando algo que decorre normalmente no espaço. A narrativa está longe de ser perfeita mas está repleta de monólogos fortes e que conseguem replicar a claustrofobia do espaço profundo, em todo o seu esplendor.

Sem divulgar spoilers, posso adiantar que a história envolve uma missão espacial de rotina, que acaba por se tornar numa tragédia, após os russos (sim, tínhamos de ter um cliché) terem detonado um satélite, criando um verdadeiro efeito dominó. Rapidamente os astronautas são informados que vários destroços vão na direcção do vaivém e que devem abortar a sua missão, algo que acaba por falhar redondamente. A partir daí somos colocados na primeira perspectiva de Ryan Stone e a sua luta pela sobrevivência, que implica chegar a uma cápsula de emergência, de forma a regressar ao Planeta Terra.

Gosto especialmente da forma como a narrativa consegue ser fluida, apesar de Gravity estar muito longe de ser um filme de acção. É bem provável que ajude o facto de ser um entusiasta de astronomia e de tudo o que está relacionado com o espaço mas não posso deixar de recomendar este filme. Não vai ganhar Óscares (EDIT: oops, parece que ganhou) mas vale bem a pena os 10 euros do bilhete para IMAX 3D.