Guns Akimbo

Num futuro distópico, um “fight club” denominado Skizm torna-se extremamente popular, através do streaming destes embates mortais. Miles Lee Harris é um programador, que tem o hábito de perseguir online trolls, o que se revela fatal para as suas aspirações. As suas ações chamam a atenção do fundador de Riktor, o fundador da plataforma, que desenvolve um plano macabro, que vai colocar Miles a lutar contra Nix, a campeã em título.

Para complicar ainda mais a situação, são aparafusadas duas pistolas ás suas mãos, com 100 balas, o que cria uma dificuldade acrescida, levando a perseguições com a polícia e o pânico generalizado aquando da sua presença na rua. Guns Akimbo tem uma componente humorística, aliada a uma vertente psicopata, que complementa a narrativa, que é simples e incisiva.

Contem com muitas cenas sangrentas e momentos memoráveis, sobretudo com o assalto final e a batalha com Dane, Effie e Fuckface.  Daniel Radcliffe, Samara Weaving, Ned Dennehy e Natasha Liu Bordizzo são os actores principais de um filme que garante entretenimento e uma experiência agradável.

Dito isto, tenham em consideração que Guns Akimbo está longe de ser memorável mas é uma boa escolha para quem pretende 90 minutos de diversão pura.

Mediano
68%

Lockwood & Co. T.1

A obra literária de Jonathan Stroud foi adaptada pela Netflix, estando neste momento disponível a primeira temporada. Ao longo de oito episódios vamos acompanhar as aventuras de Lockwood & Co, uma agência privada de detectives psíquicos, que se vê envolvido numa gigantesca conspiração que tem ligações à morte dos pais de Anthony Lockwood.

O mundo que conhecemos mudou radicalmente, após The Problem, um evento que libertou os fantasmas para o mundo dos vivos, possibilitando ataques nocturnos, que ocorrem no auge do poder fantasmagórico. Para combater a ameaça são criadas agências, que recrutam jovens com a capacidade de ver e falar com estes espíritos. A premissa é muito interessante e a narrativa, apesar de previsível, consegue captar a nossa atenção graças ao desenvolvimento das personagens.

Anthony Lockwood é o líder da equipa, que conta ainda com George Cubbins, o responsável pelo planeamento das missões e Lucy Carlyle, uma jovem com o invulgar dom de interagir com fantasmas de nível 3. Confesso que gosto da utilização do florete como arma de defesa, assim como o misticismo e a utilização de correntes e sal. Existem algumas cenas de ação mas o principal é a narrativa em redor dum poderoso espelho, que inicia uma sequência de eventos que lança uma premissa muito interessante para a segunda temporada, que deverá estrear em 2024.

Se procuram uma série diferente, que retira inspiração de franquias como Ghostbusters, Harry Potter e Stranger Things, esta é uma opção a considerar. Diria que esta foi a mais agradável surpresa da Netflix no decorrer dos últimos seis meses. Caso tenham opinião formada acerca deste tópico, convido-vos a partilhar feedback na caixa de comentários.

Black Panther : Wakanda Forever

O filme original é sem dúvida um dos meus preferidos da MCU, tendo criado um enorme entusiasmo para a sequela. No entanto, o desaparecimento precoce de Chadwick Boseman criou um enorme desafio narrativo.. O caminho escolhido esteve longe de ser consensual, mantendo uma conexão evidente com os comics, com a passagem de testemunho para a sua irmã, Shuri.

Na minha opinião, o grande tema de Wakanda Forever é a forma como somos moldados após a perda de entes queridos. Existem vários tributos à memória de T’Challa ao longo da narrativa, que introduz K’uk’ulkan, o Deus Serpente, que será o antagonista desta aventura.

Namor, igualmente conhecido como Sub-Mariner, é adaptado dos comics de uma forma muito livre, sendo apresentado como um poderoso mutante que pretende repelir os humanos do seu território, forjando uma aliança com Wakanda. A sua proposta consiste em raptar Riri Williams, a cientista responsável pela criação de um radar que localiza vibranium.

Escusado será dizer que a Rainha Ramona recusa as pretensões de Namor, dando início a um conflito que irá mudar radicalmente o futuro de Wakanda e da sua população. As cenas de ação estão excelentes, como é apanágio da MCU, bem equilibradas com alguns momentos de humor, que ficam, maioritariamente, a cargo de Riri e Everett K.Ross.

Gostei igualmente da participação de Valentina Allegra de Fontaine e a introdução das Midnight Angels, numa clara referência aos comics. No entanto, diria que a narrativa acaba por ser o ponto mais fraco desta sequela. A transformação de Shuri é demasiado rápida, falhando em explicar a sua ligação a Kilonger. Paralelamente, não sou fã da adaptação de Namor, que apresenta claras ligações aos Incas e Mais, assim como a escolha do tom azul para representar a civilização Talokan. Adicionalmente, considero que personagens como Attuma, Ross e Ayo poderiam ter tido um papel mais relevante, num filme que tem os seus momentos mas que é inferior ao original.

No entanto, existe muito de positivo para apreciar nesta sequela, que tem um final interessante e que deixa em aberto o futuro de Wakanda. Existe apenas uma cena pós-créditos, que tem a derradeira homenagem a T’Challa. Confesso que fico muito curioso em saber se Black Panther será uma trilogia e qual o caminho a seguir para um potencial terceiro filme.

Mediano
70%