Cowboy Bebop

Cinquenta anos após um incidente relacionado com uma ponte hiperespacial, o planeta Terra encontra-se inabitável. A raça humana optou por colonizar outros planetas do sistema solar e tem vindo a lidar com um aumento na criminalidade. Com o intuito de inverter essa tendência, o ISSP (Inter Solar System Police) legaliza os caçadores de recompensas, que passam a ser designados por Cowboys, em troca de soma monetárias.

A narrativa acompanha as aventuras da nave Bebop, cuja tripulação é composta por Spike e Jet Black, ambos com um passado obscuro, que será explorado ao longo de 26 sessões (episódios). Sem divulgar spoilers, posso adiantar que será relevante o Sindicato Red Dragon, mais especificamente o seu líder, Vicious, que tem uma ligação a Spike.

Há uma simbiose de humor e ação, que é complementado por uma fabulosa banda sonora, da autoria de Yoko Kanno. Os episódios são ricos em desenvolvimento de personagens, que vão lentamente complementando a equipa da Bebop. Faye Valentine é na minha opinião, o grande destaque, introduzindo uma componente empática, em resultado da sua amnésia.

O universo deste anime é bem explorado, com episódios que se interligam e nos fazem investir nas personagens de Spike, Jet, Faye, Ein e Edward. Cowboy Bebop é uma viagem alucinante, com fronteiras bem definidas e que tem um desfecho para cada uma dos membros da tripulação.

Caso ainda não tenham assistido a esta referência do anime, fica a minha recomendação.

Gantz

Kei Kurono é um adolescente que apresenta as inseguranças e o interesse pelo sexo oposto típico da sua idade. No entanto, tem uma atitude passiva e despreocupada, algo que contrasta com a sua postura enquanto criança.

Um dia, reencontra no metro um amigo de infância,  Masaru Kato, envolvendo-se numa tentativa de salvar a vida a um sem-abrigo, que caiu na linha. Tudo corre da pior forma possível, originando a morte de ambos.É desta forma que somos introduzidos a Gantz, uma estranha esfera negra, que coloca humanos aparentemente falecidos num cenário de batalha, em que necessitam de matar alienígenas para garantir o seu regresso ao mundo dos vivos.

A premissa é no mínimo intrigante, colocando uma série de estranhos,  que passaram pela mesma experiência de morte, num cenário em que necessitam de cooperar para alcançar o objetivo do jogo.

Ao bom estilo nipónico, existe uma influência gigante da cultura pop, aliado a conteúdos claramente sexuais, que convertem as duas temporadas de Gantz numa experiência diferente, mas que claramente não é para todos os gostos. São explorados inúmeros dilemas morais, que colocam os nossos heróis em situações de stress máximo, com uma pitada de humor constante.

Gosto particularmente das cenas de batalha, com imprevistos constantes e sobretudo do desenvolvimento de personagens,. que terão de lidar com a perda e, em muitos casos, realizar o sacrifício máximo. O  anime não explora tanto o universo Gantz como a manga, mas partilha as premissas necessárias para que consigamos compreender as regras do jogo e ansiar pelo sucesso da equipa de humanos.

Caso sejam assinantes do Netflix, sugiro que deem uma oportunidade à obra de Hiroya Oku, que foi adaptada para anime por Ichiro Itano.

X-Men

O Netflix tem disponível uma adaptação anime de X-Men, em que vamos acompanhar os eventos que ocorrem um ano após a morte de Jean Grey. A equipa volta a reunir-se, a pedido do Professor Charles Xavier, para uma missão numa zona específica do Norte do Japão, que aparenta estar protegida por um poderoso campo de forças.

Os primeiros dois episódios focam-se na reação à perda de Jean, sobretudo no que diz respeito a Cyclops. Lentamente a narrativa vai evoluindo, sendo possível identificar um estranho vírus, que está a criar uma mutação extrema nos habitantes locais, que possuem o gene X.

A premissa principal desta mini série de doze episódios passa por encontrar a origem e os responsáveis pela mutação. Sem colocar grandes spoilers, os X-Men vão resgatar Emma Frost e Armor, que são prisioneiras numa instalação que está sob o controlo dos U-Men. Lentamente vai ser revelado que o Inner Circle está envolvido nesta trama, o que irá gerar algumas implicações e desconfianças de Scott relativamente a Emma Frost, que acaba por se juntar à equipa, assim como Armor.

Os últimos episódios revelam todos os pormenores e contam com uma batalha épica, cujo desfecho e intervenientes vou manter no anonimato. No global, esta série é mediana e tem obviamente uma grande influência de anime, visível na animação escolhida e nas proporções (exageradas) das personagens femininas.

A legendagem disponível é francamente má, apresentando dessincronização nalguns diálogos. A minha sugestão passa por abdicar das legendas e utilizar a versão audio inglesa, que tem uma boa escolha de vozes, tais como Steve Blum (Logan), Daniell Nicolet (Storm), Fred Tatasciore (Beast), Ali Hillis (Emma Frost) e Jennifer Hale (Jean Grey) , para citar alguns dos mais relevantes.

Não contem com uma adaptação brilhante ou ao nível da incrível série dos anos 90 mas sugiro que invistam tempo nesta mini série, da autoria da Madhouse.