Gotham T.1

As prequelas têm tido uma vida complicada no que concerne a séries de TV mas desde o primeiro episódio que Gotham se tem revelado uma agradável surpresa. A narrativa inicia com a chegada de um jovem detective (Jim Gordon) à GCPD, uma instituição corrupta e repleta de vícios, numa cidade dominada por dois criminosos: Maroni e Falcone.

Rapidamente concluímos que Jim terá que se adaptar e encontrar forma de tomar as rédeas da cidade, subvertendo alguns dos seus princípios para o fazer. Paralelamente somos apresentados à tragédia que se abate sobre a família Wayne, que será o primeiro grande caso de Gordon e que terá consequências vitais para o surgimento de Batman.

Com o avançar dos episódios vamos conhecendo Catwoman, Penguin, The Riddler, Poison Ivy, Joker, Two Face, Scarecrow e muitos mais, numa fase embrionária, mas esse é precisamente o encanto da narrativa, que está muito bem estruturada e com mudanças inesperadas.

Existe igualmente um misto de acção, com tiroteios e perseguições constantes e um desenvolvimento de personagens como Bullock, Fish Mooney  e o inevitável Alfred. Pelo meio, a investigação de Bruce Wayne à morte dos pais vai decorrendo, apontando para uma conspiração que envolve elementos de topo na Wayne Industries.

Confesso que gostei imenso da primeira temporada, que me cativou pela narrativa densa e estruturada, que faz ligação a muito do que se irá passar mais tarde com o aparecimento de Batman. E ainda temos o bónus de ficar a conhecer a génese da maior parte dos vilões do “melhor detective do mundo”. Recomendo sem hesitação e preparem-se porque em Outubro teremos a segunda temporada disponível.

Batman: The Dark Knight Rises

Há sete anos atrás Christopher Nolan tomou as rédeas de Batman e criou um universo obscuro e envolvente para narrar a génese do herói de Gotham City. Com a estreia de Dark Knight Rises a trilogia termina, deixando saudades assim como um legado fantástico. Na minha opinião, o grande sucesso dos filmes recai no soberbo casting assim como na visão grandiosa de Nolan, que teve a capacidade de “renovar” uma franchise que em termos de cinema estava num estado moribundo.

Sou um fã confesso do Batman de Tim Burton mas esta trilogia é efectivamente marcante, conseguindo aglomerar interpretações fenomenais de Michael Caine, Gary Oldman e Heath Ledger. Não deixa de ser curioso que Christian Bale seja em parte uma personagem complementar da narrativa, que foca vários pontos da vida de Gotham, quer na perspectiva do herói como dos vilões.

Ra’s Al Ghul, Scarecrow, The Joker e Bane são antagonistas de peso e Nolan faz questão de desenvolver as personagens, dando um ambiente de grandiosidade épica ás batalhas e planos diabólicos dos vilões. The Dark Knight Rises não foge à regra e apresenta-nos Bane, que para mim é uma das grandes figuras do filme. O aspecto sinistro e a aura de invencibilidade que ostenta é genial, catapultando a sua personagem para um patamar muito próximo de The Joker, o que se apresentava bastante difícil.

Pessoalmente, continuo a considerar The Dark Knight como o melhor filme da trilogia e tenho quase a certeza que o The Joker teria igualmente um papel importante nesta aventura final mas por motivos que todos conhecemos Nolan foi forçado a alterar o resultado final. Sem dúvida que The Dark Knight Rises é um filme competente mas esperava mais. Se Bane e Catwoman foram agradáveis surpresas a verdade é que a narrativa em determinados pontos se arrasta, com explicações e twists algo previsíveis.

Nolan tenta ligar os três filmes, com pequenas participações de vilões de Batman Begins mas fico sempre com a sensação de algum vazio. Tenho alguma curiosidade em ver o director´s cut, que será lançado em Blu-Ray, de forma a poder tirar mais algumas ilações. O final é aberto (não vou colocar spoilers) mas espero sinceramente que Batman permaneça “intocável” durante alguns anos. Afinal de contas a trilogia de Nolan colocou Bruce Wayne no lugar que merece, bem no topo das grandes adaptações de super-heróis ao cinema.