Batman: The Doom That Came to Gotham

Baseado no universo ElseWorlds da DC, a narrativa decorre em 1920, numa expedição ao Ártico, com o intuito de localizar o Prof. Oswald Cobblepot e a sua expedição. Bruce Wayne acaba por localizar o barco, encontrando um cenário de morte e destruição, que irá libertar uma poderosa força maligna.

O material original foi escrito pela dupla Mike Mignola/Richard Pace, sendo notória a ligação ao sobrenatural. Sem desvendar muito da narrativa, posso adiantar que o primeiro acto transporta-nos para uma Gotham em que impera a lei-seca e onde alguns dos vilões e heróis que conhecemos são apresentados de uma forma distinta.

Conforme mencionei, a utilização do oculto e magia é recorrente, o que coloca em causa a racionalidade de Batman. Adicionalmente, existem momentos em que é evidente a inspiração na obra de H.P.Lovecraft (The Doom That Came To Sarnath), com o recurso a personagens místicas tais como Etrigan,  Ra’s al Ghul e Cthulhu.

Apesar do casting ter bons actores, a realidade é que não fiquei convencido com algumas escolhas, o que acabou por retirar um pouco do meu interesse neste projeto. Apesar de ser interessante o caminho escolhido para Green Arrow, Mr Freeze, Killer Croc, Poison Ivy e Two-Face, tudo o resto acaba por ser demasiado forçado, terminando com uma batalha pouco satisfatória.

Dito isto, considero que este filme é interessante, por ser uma aventura ElseWorlds, embora não me tenha cativado, sobretudo com as escolhas realizadas no derradeiro acto. Para os fãs da DC, esta pode ser uma alternativa sólida, motivo pelo qual sugiro que invistam cerca de 90 minutos em The Doom That Came to Gotham.

Mediano
68%

Titans T.3

Após os eventos da segunda temporada, a equipa sofre algumas mudanças. Rachel leva o corpo de Donna Troy para Themyscira e permanece para treinar com as Amazonas, enquanto Hawk opta por uma carreira na polícia. Em São Francisco, a popularidade dos Titans vai crescendo, mas o assassinato de Jason Todd ás mãos de Joker muda o paradigma, resultando no regresso de Dick Grayson a Gotham.

Bruce Wayne tem dificuldade em lidar com (mais) uma perda e quebra o seu código ao vingar a morte de Jason. Com a morte do Principe do Crime, Batman abandona a cidade, deixando o repto a Nightwing para assumir o seu papel como o herói de Gotham. A premissa desta temporada assenta no aparecimento de Red Hood, um vilão que aparenta conhecer todos os segredos da Bat Family, conseguindo controlar a opinião pública e ludibriar Dick Grayson e Barbara Gordon, a Comissária da Polícia.

Nightwing pede apoio aos Titans, que fazem a viagem para Gotham, onde vão rapidamente perceber que a realidade é bem distinta. Jonathan Crane, mais conhecido como Scarecrow, vai ser utilizado como consultor nesta investigação, que acaba por desvendar uma conspiração profunda, que envolve vários membros do crime organizado e uma ressureição inesperada.

Temos igualmente o resgate de Blackfire, que será relevante para o desfecho final, dando conclusão ao arco narrativo de Kory enquanto sucessora ao trono de Tamaran. Esta temporada é uma sucessão de eventos que afectam praticamente todos os elementos da equipa e que contribuem para o seu desenvolvimento. Os derradeiros episódios são mais focados no sobrenatural, mais especificamente nas personagens de Hawk, Donna Troy e Tim Drake.

Existem detalhes relevantes que omiti deliberadamente, para evitar spoilers mas considero esta a melhor temporada de Titans. Existem pontos de melhoria, como é evidente, mas há muita influência dos comics, o que é sempre do meu agrado.

The Batman

Apesar do choque inicial este projeto foi ganhando a minha confiança, convertendo-se num dos filmes que mais ansiava ver em 2022. Vamos acompanhar o segundo ano de combate ao crime do nosso herói, numa fase em que a corrupção assola por completo Gotham.

A atmosfera sombria está muito bem recriada e o primeiro acto é fabuloso, introduzindo as personagens principais e  a premissa narrativa que vai suportar as quase três horas de filme. Um misterioso serial killer aterroriza a cidade, assassinando algumas das principais figuras políticas, no sentido de revelar a sua verdadeira “identidade”. Adicionalmente, cada cena do crime tem uma mensagem específica para Batman, no formato de adivinha.

O tenente James Gordon solicita o auxílio de Batman para a investigação, algo que não cai bem no seio da GCPD, sendo notório o desconforto ao longo de todo o filme. Conforme referi no parágrafo inicial, vamos acompanhar a génese do nosso herói, que recorre a dedução e investigação, apesar de termos várias cenas épicas de ação.

Apesar da utilização de tecnologia topo de gama, o foco reside na componente humana, o que eleva este filme a um patamar elevado. Temos igualmente uma panóplia de figuras relevantes no universo de Batman, tais como The Riddler, Alfred, Selina Kyle, Gordon, Oz e Falcone, que conferem uma ligação à franchise, sobretudo para os fãs mais hardcore.

Matt Reeves fez um trabalho fantástico, com uma narrativa envolvente, complementada com uma excelente fotografia e uma banda sonora soberba. No que diz respeito a actores, destaque para o trabalho de caracterização de Colin Farrell, que está irreconhecível. Robert Pattinson e Zoë Kravitz formam uma boa dupla, com a química necessária para serem convincentes.

No entanto, gostaria que o filme tivesse mais foco na personagem de Bruce Wayne, algo que ficou praticamente esquecido, assim como a sua relação com Alfred. Enquanto Batman, sem dúvida que Pattinson cumpriu mas fica a dúvida no que diz respeito à sua vida de magnata e celebridade de Gotham.

No final do terceiro acto, temos a inevitável introdução de Joker, que tem um diálogo interessante com The Riddler, numa das celas de Arkham. Em conclusão, fiquei agradado com a qualidade desta nova adaptação de Batman e fico ansioso pela confirmação de uma trilogia, para podermos expandir e introduzir mais vilões.

Bom
82%