Titans T.2

Após a batalha com Trigon, a equipa passa por um período complexo mas acaba por reagrupar na Torre, com excepção de Starfire. Esta segunda temporada tem ligações fortes ao passado, especificamente à equipa original e a Deathstroke, que é o vilão escolhido para estes treze episódios.

A um ritmo bastante lento, vamos tomando conhecimento dos motivos que levaram à decisão de cancelar o projeto original dos Titans. Temos igualmente o enquadramento inerente à história de Aqualad e Donna Troy, assim como a explicação dos dilemas morais e culpa que consomem Dick Grayson.

Sem colocar muitos spoilers, posso adiantar que teremos o aparecimento de vilões como o Dr Light, assim como a organização Cadmus, na figura de Mercy Graves. Esta temporada conta igualmente com a participação de Ian Glen, que interpreta o papel de Bruce Wayne e funciona como uma espécie de mentor da equipa.

Existe muito desenvolvimento de personagens, no sentido de as humanizar e criar uma ligação que nos permita identificar com os seus receios e desafios. Pessoalmente, considero que esta temporada é uma evolução positiva, embora discorde de algumas decisões tomadas.

A equipa continua a ser extremamente disfuncional mas aparenta encontrar o equilíbrio com os eventos do derradeiro episódio. As personagens de Jericho, Rose Wilson, Superboy e Krypto trazem uma dinâmica distinta à equipa, representando uma mais valia para a narrativa.

Mas diria que esta temporada tem o seu ponto mais alto com a adição de Deathstroke, que é um vilão fantástico, bem complementado com as leves menções a Lex Luthor. Por último, aprecio a intenção de  lançar a Princess Blackfire como a próxima vilã, numa clara ligação ás origens de Kori.

Volto a dizer que Titans não é a típica série de super-heróis e tem uma abordagem psicológica que me agrada, embora nem sempre funcione nesta segunda temporada. Existem alguns episódios em que a narrativa sofre com essa abordagem embora reconheça que melhora drasticamente nos derradeiros três episódios.

A terceira temporada deverá estar disponível no último trimestre de 2020, caso a atual crise do COVID-19 o permita.

Batman: The Killing Joke

A adaptação de Killing Joke está repleta de liberdades criativas, que no global, retiram alguma qualidade ao produto final. Quem conhece a BD vai rapidamente encontrar as diferenças mas vou tentar partilhar a minha opinião, sem entrar em pormenores da narrativa.

Batman partilha com Batgirl o papel principal deste filme, numa narrativa focada na origem de Barbara Gordon. Vamos acompanhar a sua evolução enquanto heroína, assim como as suas fraquezas e receios, que serão exploradas pelo inevitável Joker.

Como habitualmente, a interpretação de Kevin Conroy (Batman) e Mark Hamill (Joker), são soberbas, mas apraz-me igualmente registrar Tara Strong (Batgirl) e Ray Wise (Comissário Gordon).

Este filme ficou envolto em alguma polémica, sobretudo na forma como Joker e Batgirl são retratados, com claras diferenças de comportamento face à história original.

Está longe de ser o meu filme preferido de Batman, embora seja uma das minhas BD de eleição, mas existe muito para apreciar nesta adaptação.

Em território nacional, recomendo o stream na HBO Portugal, que disponibiliza o trial gratuito de um mês.

Mediano
68%

Stargirl T.1

Geoff Johns é um dos meus criadores preferidos, com uma extensa obra literária na DC (Green Lantern, The Flash, JSA, Aquaman) e que nos últimos tempos se tem dedicado à adaptação destas personagens ao formato de série televisiva. O mais recente projeto é Stargirl, cuja narrativa decorre uma década após a derrota da Justice Society of America.

Courtney Whitmore é uma jovem que se muda com a sua família para Blue Valley, uma pacata cidade, que tem prosperado financeiramente graças à The American Dream, uma empresa liderada por Jordan Mahkent.

Sem desvendar muito dos segredos, posso adiantar que a Injustice Society of America tem uma presença bem marcante nesta cidade, o que vai originar uma batalha épica com os novos heróis da JSA.

Tudo começa com o Cosmic Staff, que está ao cuidado de Pat Dugan, o padrasto de Courtney. Durante as mudanças, a nossa jovem heroína encontra esta arma e surpreendentemente, consegue ativá-la, convertendo-se em Stargirl, o primeiro membro da nova JSA.

Ao longo dos episódios seguinte, um relutante Pat acaba por explicar o seu passado, como sidekick de Starman, o líder da JSA. Lentamente, a restante equipa vai sendo recriada, com a adição de Wildcat, Hourman, Doctor Mid-Nite e S.T.R.I.P.E.

Gosto particularmente do facto de todos os membros serem adolescentes com problemas reais e que são confrontados com dúvidas e receios naturais para quem assume a tarefa de lutar contra inimigos poderosos.

No que diz respeito aos vilões, destaque para Brainwave e Icicle, o líder da ISA e responsável pelo assassinato de Starman. Esta primeira temporada é composta por 13 episódios e é uma lufada de ar fresco, com um bom desenvolvimento de personagens, casting de nível elevado e uma produção de qualidade.

Como apreciador do trabalho de Geoff Johns só posso recomendar que invistam tempo em Stargirl, que tem a segunda temporada confirmada para 2021.

Está longe de ser uma série perfeita mas consegue criar uma ligação para com as personagens, estreitando a linha que separa os heróis dos vilões.