Greenland

O cenário de pandemia vai certamente originar muito cinema relacionado com este tema, mas confesso que estava com saudades de um “disaster movie”.  Greenland é realizado por Ric Waugh e conta a história da família Garrity, que se vê forçada a abandonar abruptamente a sua residência, após a queda de fragmentos de um meteorito.

Contem com os habituais clichés, inserido numa lógica de família disfuncional e que envolve John, Allison e Nathan numa luta contra o tempo, na tentativa de alcançar uma base militar. A premissa é simples: a família Garrity foi seleccionada para sobreviver a um evento de extinção, que lhes dá acesso a um bunker militar, para onde serão redirecionadas milhares de cidadãos.

A partir desse momento, sem colocar spoilers, sucedem-se eventos que irão colocar à prova a resiliência dos principais intervenientes. Como seria expectável, num cenário desta gravidade, a Humanidade mostra a sua pior faceta, o que terá um efeito negativo em John Garrity, que se vê forçado a lutar literalmente pela sua sobrevivência.

As cenas de CGI estão bem conseguidas, mas a narrativa é extremamente previsível e repleta de decisões que fazem muito pouco sentido. No entanto, Greenland é um filme que cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. A nível de elenco, temos a participação de Gerard Butler, Morena Baccarin e Scott Glenn, que ajudam a minimizar as principais falhas narrativas, que mencionei anteriormente.

O terceiro ato decorre na Gronelândia e lança as principais premissas para a sequela, após o embate do asteróide Clarke. Aparentemente, existem vários sobreviventes espalhados pelo Planeta, o que abre uma panóplia de opções muito interessante. Para terminar, parece-me que este filme vai agradar a entusiastas do género, mas para os restantes, sugiro que encarem este projeto com uma expetativa mediana.

Mediano
67%

Atari: Game Over

A chegada da Netflix a território nacional vai certamente permitir o acesso a conteúdos até agora desconhecidos para grande parte dos utilizadores. E embora este artigo seja para falar especificamente de um documentário, quero desde já salientar que irei dar a minha opinião acerca do serviço no final de Novembro.

Mas passemos ao tema em questão: documentários. Sou um entusiasta do género e este serviço de streaming não desilude neste campo. Trago-vos a história de um videojogo dos anos 80, mais concretamente o ET, considerado por alguns como o pior de sempre. Atari: Game Over fala-nos da evolução da empresa que revolucionou e criou a indústria dos videojogos, abordando especificamente os eventos que levaram à falência da Atari e consequente abandono de algum hardware e software num aterro no Novo México.

A investigação assenta em entrevistas com antigos funcionários, engenheiros e ex-responsáveis da empresa, que nos vão revelar o dia a dia, assim como algumas decisões que acabaram por ditar o fim do colosso que foi a Atari. Como sabem, sou um grande fã da indústria dos videojogos e sobretudo da sua história, que influenciou gerações e que tem um legado próprio.

O documentário é narrado por Zak Penn, que dispensa apresentações e conta com a participação de Seamus Blackley (criador da Xbox), Howard Scott Warshaw (criador de ET), Nolan Bushnell e muitos outros, que contribuem para a credibilidade e veracidade histórica deste documentário.

Recomendo sem hesitação este Atari:Game Over, sobretudo para quem partilha do meu entusiasmo por este tema. Para os restantes, acredito que possa igualmente ter valor, sobretudo numa premissa de descoberta de algo que revolucionou os anos 80 e que permitiu que a indústria de videojogos atingisse o actual patamar de grandeza, apresentando lucros superiores a muitas produções de Hollywood.

I am Legend

A manipulaçao genética de um vírus faz com que seja criada uma praga que aniquila grande parte da Humanidade. Na cidade de NY, Robert Neville (Will Smith) tenta a todo o custo sobreviver e salvar os humanos infectados. Como companhia, tem a sua fiel cadela e em conjunto vão viver aventuras de cortar a respiração. Esta é basicamente a premissa com que iniciamos I am Legend.

Foi com enorme curiosidade que me desloquei à sala de cinema. Trata-se de um filme diferente, em que Will Smith contracena sozinho durante cerca de 3/4 da duração. Existem obviamente falhas em termos de enredo, mas a parte mais forte é claramente a interpretação, que embora distante de um Óscar, é francamente positiva.

É fascinante ver a cidade de Nova Iorque vazia e acima de tudo assistir à progressiva perda da razão de Robert Neville. Pelo meio, algumas cenas cómicas e mutantes em CGI. Em termos de efeitos especiais, penso que deveriam ter ido mais longe, mas no seu todo classificaria I am Legend de “interessante”.

Na minha modesta opinião, tinha potencial para muito mais: o final é demasiado rápido e sem sal, a narrativa poderia ser mais cativante e acima de tudo faltou emoção nas cenas de acção. O que acrescente-se num thriller/drama/blockbuster nunca é bom apanágio…