Heart of Stone

O primeiro acto leva-nos a uma estância de ski, em que uma equipa do MI6 tenta capturar Mulvaney, um perigoso traficante de armas. Um dos membros da equipa é Rachel Stone, que tem a seu cargo o hacking e suporte digital da missão. Tudo corre bem até ao momento em que a missão é comprometida, resultado da intervenção de uma jovem hacker indiana.

Segue-se uma colossal cena de ação, em que é revelado o grande segredo de Rachel, que irá sustentar a narrativa deste filme. Essencialmente, iremos conhecer a organização Charter, que é composta pelos melhores espiões e que garante a paz mundial, através da utilização de um processador quântico. Sem colocar spoilers, a equipa de Stone é destacada para uma missão em Lisboa, que se converte no catalisador narrativo que alimenta o segundo acto.

Sinceramente, a narrativa é terrivelmente previsível, com inúmeros clichés, que são complementados com excelentes cenas de ação. Diria que a inspiração reside em franquias como Os Vingadores e Missão Impossível, ajustada para os tempos modernos e muito assente na tecnologia. O terceiro acto ocorre na Islândia, onde decorre o confronto final entre Parker e Stone, que tem um desfecho pouco satisfatório, na minha opinião.

Este projeto foi mais uma aposta da Netflix, que juntou Gal Gadot, Jamie Dorman, Matthias Schweighöfer, Sophie Okonedo, BD Wong e conta com a participação especial de Glenn Close. Está longe de ser uma referência no gênero mas cumpre a sua quota de entretenimento. Diria no entanto que esperava mais em termos de narrativa, sobretudo pelo facto de Greg Rucka estar envolvido na sua concepção. Até ao momento não existe confirmação de uma sequela, apesar do filme ter obtido bons resultados na plataforma de stream norte americana.

Bom
70%

Wonder Woman 1984

A DC tem falhado de forma consistente nos últimos anos, mas no que diz respeito a Wonder Woman, a escolha de Gal Gadot foi perfeita, tendo originado, na minha modesta opinião,  um dos melhores filmes de super-heróis dos últimos anos.

O cenário de pandemia que vivemos atrasou, por razões óbvias,  as estreias dos principais projectos mas eis que finalmente tive a oportunidade de ver a sequela, que conta, uma vez mais, com a realização de Patty Jenkins. O facto do argumento ter a contribuição de Geoff Johns aumentou o meu nível de confiança, embora reconheça que não fiquei convencido com os trailers apresentados.

A narrativa retoma na década de 80, onde encontramos uma Diana Prince que trabalha como curadora num museu, embora continue a combater o crime, de forma anónima. O acto inicial marca o tom do filme, apresentando-nos uma Wonder Woman amargurada e com claras dificuldades em gerir a perda de Steve Trevor.

Maxwell Lord (Pedro Pascal) e Cheetah (Kristen Wiig) são os vilões desta aventura, que irá incorporar um artefacto antigo que aparenta conceder qualquer desejo, embora a um custo elevado. O desenvolvimento destas duas personagens é intrigante e acaba por impedir que o primeiro acto seja um falhanço completo.

Não compreendo minimamente a decisão de trazer Steve Trevor para a sequela, dado que pouco ou nada acrescenta à história, repetindo inclusivamente algumas das premissas do filme original. Existem no entanto alguns momentos cómicos que envolvem Diana e Steve, tendo como pano de fundo o estilo dos anos 80.

As cenas de ação são aceitáveis, embora o CGI deixe algo a desejar, em determinados momentos. Infelizmente, a presença de Gal Gadot é insuficiente para converter os 151 minutos de WW 1984 em algo digno de referência positiva. O terceiro e último acto engloba a batalha com Cheetah e uma série de decisões que moldam o desfecho final desta sequela, que ficou muito aquém das minhas expectativas.

Pelas razões acima mencionadas, sou forçado a conceder que WW 1984 é, para já, a minha desilusão cinematográfica do ano. Gostaria de ter visto uma narrativa distinta, que se focasse num Maxwell Lord mais fiel à BD e numa Cheetah que pudesse converter-se numa ameaça clara a Diana Prince, algo que não é visível neste filme.

Espero sinceramente que a DC aprenda com este falhanço, mantenha a confiança em Gal Gadot e aposte forte para a conclusão da trilogia. Para terminar, peço-vos apenas que vejam a cena pós-créditos, que tem algo relevante em termos de fan service.

Mediano
60%

Wonder Woman

Com o aproximar da estreia de Justice League, a minha apreensão aumenta, fruto de projectos pouco conseguidos e inexistência de filmes que nos apresentem os restantes membros da equipa. A minha derradeira esperança residia em Gal Gadot, que me impressionou nos poucos minutos em que entrou no filme Batman vs Superman.

Wonder Woman conta-nos a história de Diana, a Princesa de Themyscira e a sua necessidade de combater Ares, libertando a Humanidade para uma nova era de paz. Começamos por viajar até aos primórdios da infância da nossa heroína, do treino que recebe por parte de Antiope e da relação que mantém com a sua mãe, a Raínha Hippolyta.

As cenas na Ilha são soberbas, demonstrando côr e beleza, que contrasta com tudo o que se passa ao redor da mesma. Gostei francamente do primeiro acto, que faz uma introdução relevante e focada no que vai suceder a partir desta fase. Decorre a Primeira Grande Guerra Mundial e durante uma perseguição com os alemães, o avião do Capitão Steve Trevor é abatido, caindo dentro da barreira que protege a Ilha.

Após ser resgatado por Diana, e em seguimento de uma batalha na praia, as amazonas derrotam os invasores alemães, embora sofram baixas importantes. Trevor possui informações confidenciais que podem derrotar o inimigo e a nossa heroína parte com ele para Londres, com o objetivo de ir para a frente da guerra e derrotar Ares, o Deus da Guerra.

A introdução de Diana ao mundo do Homem é hilariante, proporcionando momentos épicos. As cenas de acção estão muito bem coreografadas e as personagens de Sameer, Charlie e The Chief são um bom complemento à equipa. Do lado dos vilões, gostei particularmente de Dr. Maru e Ludenforff, embora a batalha final esteja longe de ser brilhante.

Para terminar, é importante salientar que Wonder Woman é o melhor filme da DC desde a trilogia de Nolan. O casting, o guião e sobretudo a interpretação de Gadot e Pine são fantásticas, catapultando o filme para um nível elevado. Resta saber se será suficiente para tornar a Liga da Justiça em algo interessante.