Enola Holmes 2

Após os eventos da aventura original, Enola converte-se numa detective privada por conta própria, mas continua a ter dificuldade em sair da sombra do seu irmão. O seu primeiro caso consiste em encontrar Sarah Chapman, que desapareceu misteriosamente da fábrica de produção de fósforos.

Existem duas sub-narrativas, que envolvem Sherlock e Eudoria, que irão convergir no acto final, revelando uma conspiração profunda, com ligações a uma personagem icónica da obra de Sir Arthur Conan Doyle. A primeira metade deste filme tem um ritmo lento e que não beneficia o envolvimento do espectador. No entanto, existem alguns pormenores interessantes que acabam por compensar na segunda metade.

A introdução do Superintendent Grail, Mira Troy e Henry Lyon são uma mais valia, complementando os regressos (previsíveis) de Tewkesbury, Eudoria Holmes e o Inspector Lestrade. As pistas resultantes da investigação originam um puzzle complexo e que vai sendo lentamente revelado por Enola, que em muitos casos volta a quebrar a quarta barreira. A simbiose entre narrativa e ação é igualmente muito bem conseguida, mantendo um equilíbrio fundamental para sustentar os 129 minutos de filme.

Apesar de, na minha opinião,  a sequela ser inferior ao original, existem muitos pontos positivos neste projeto, que garante entretenimento e tem um papel mais activo por parte de Henry Cavill, no papel de Sherlock Holmes. Para terminar, quero igualmente destacar a importância histórica de Sarah Chapman, algo que é igualmente explorado de forma interessante neste filme.

Não existem cenas pós-créditos, mas tendo em conta o desfecho, diria que é bastante provável uma terceira aventura no futuro próximo.

Mediano
68%

Enola Holmes

A pandemia impossibilitou o lançamento deste filme nas salas de cinema mas, felizmente, a Netflix adquiriu os direitos, o que me permite partilhar convosco a minha opinião.

Enola é a irmã mais nova do clã Holmes, que foi educada em casa pela sua mãe, Eudoria. Ao celebrar os seus 16 anos, a jovem vê-se privada da companhia da matriarca, que desaparece misteriosamente, dando início à narrativa principal deste filme.

Mycroft e Sherlock regressam à sua casa de infância, com o intuito de desvendar o mistério e garantir o futuro de Enola. Sherlock fica encarregue de encontrar o paradeiro de Eudoria e Mycroft assume a responsabilidade de tutor legal da jovem, com o claro intuito de promover o seu estatuto social.

Millie Bobby Brown tem um desempenho fantástico, conseguindo passar a imagem de uma jovem “maria-rapaz”, culta e perspicaz mas com uma vontade própria inabalável, que se converterá num desafio constante a tenacidade de Mycroft.

Enola acaba por fugir para Londres, na esperança de encontrar a sua mãe. Para tal, tenta interpretar algumas pistas, descodificar cifras e confiar no seu instinto, algo que a vai colocar em perigo constante.

Na viagem inicial de comboio, a jovem depara-se com o Conde Tewkesbury, que se encontra igualmente em fuga da sua família e que irá adensar ainda mais a narrativa, por motivos que vou ocultar (sem spoilers). A dedução e o raciocínio lógico são uma constante, bem complementado com  momentos de humor, sobretudo nas cenas de ação e na escola de Miss Harrison.

Destaque para  a participação secundária de Henry Cavill, Sam Claflin, Fiona Shaw e Helena Bonham Carter, que dão o toque extra de qualidade que converte Enola Holmes num filme competente e que fornece o entretenimento necessário.

Apesar de estar longe de ser uma obra prima, tem ideias muito interessantes, motivo pelo qual recomendo que invistam duas horas neste projeto da Legendary Pictures.

Mediano
72%

Sherlock Holmes – Game of Shadows

A aguardada sequela de Sherlock Holmes chegou finalmente ao cinema e como seria expectável Guy Richie não desiludiu.

“A Game of Shadows” retoma a narrativa sensivelmente no ponto onde termina a primeira aventura. O iminente casamento de Watson vai ser abruptamente interrompido pelo Professor Moriarty, obrigando Sherlock Holmes a medidas extremas para derrotar o seu arqui-inimigo.

Gostei bastante da primeira aventura, sobretudo devido à abordagem irreverente de Richie, elevando o detective a uma figura de acção, quase a roçar o super-herói. É uma realidade que o pensamento dedutivo de Holmes continua presente, embora numa perspectiva muito própria de Hollywood.

Em relação a este filme, apraz registar que no global é melhor que o primeiro, embora tenha algumas falhas. Considero excessiva a duração do filme (129 minutos) e gostaria que existisse uma química mais forte entre Moriarty e Holmes. Outro ponto estranho é a forma abrupta como retiram Irene Adler da narrativa (10 minutos de filme), perdendo na minha opinião uma personagem importante.

Em relação a pontos positivos, destaco a fotografia, as épicas cenas de acção, apontamentos humorísticos e a simbiose quase perfeita entre Holmes e Watson. O filme leva-nos igualmente a várias cidades europeias, tentando sempre passar uma ideia de conspiração global mas sem esquecer a abordagem de Richie à personagem de Sir Conan Arthur Doyle.

Os últimos 15 minutos de filme, com o jogo de xadrez entre Sherlock e Moriarty é excelente e termina com uma “homenagem” muito interessante aos livros. No global, como já referi, gostei bastante desta sequela e vejo com bons olhos uma terceira aventura. 2012 começou de forma muito positiva!