The Ministry of Ungentlemanly Warfare

Guy Ritchie realizou, escreveu e co-produziu este filme, que se baseia de forma muito livre na Operação Postmaster. No final de 1941, a máquina de guerra nazi está claramente a vencer a guerra com os Aliados. Com bombardeamentos constantes da Luftwaffe e a supremacia dos submarinos alemães, Churchill decide recrutar uma equipa de operativos que não se rege pelas regras convencionais.

A sua missão passa por sabotar os U-boat, na ilha espanhola de Fernando Po. O líder da equipa é Gus March-Phillipps, que conta com o apoio de Graham Hayes, Freddy Alvarez e um oficial dinamarquês, Anders Lassen. Sob a bandeira sueca, os nossos heróis resolvem disfarçar-se de pescadores, evitando as patrulhas nazis. O primeiro acto é genial, introduzindo os diversos elementos e as aptidões “especiais”.

A equipa acaba por chegar à ilha espanhola, que tem em Heron e Marjorie Stewart os seus pontos de contacto. Confesso que este filme foi uma agradável surpresa, combinando com mestria algum humor e ação frenética. Há uma clara inspiração em filmes como Inglourious Basterds e clássicos como 12 Indomáveis Patifes, elevando a qualidade do produto final.

Sem colocar spoilers, diria que esta é uma excelente escolha para quem gosta de ação, com uma pitada de humor. O elenco é soberbo, contando com nomes como Henry Cavill, Alan Ritchson, Babs Olusanmokun, Cary Elwes, Eiza Gonzalez e Til Schweiger.

Os diálogos não atingem o brilhantismo dos filmes de Tarantino, mas garantem entretenimento, num projecto que recomendo sem hesitação.

Bom
73%

Enola Holmes

A pandemia impossibilitou o lançamento deste filme nas salas de cinema mas, felizmente, a Netflix adquiriu os direitos, o que me permite partilhar convosco a minha opinião.

Enola é a irmã mais nova do clã Holmes, que foi educada em casa pela sua mãe, Eudoria. Ao celebrar os seus 16 anos, a jovem vê-se privada da companhia da matriarca, que desaparece misteriosamente, dando início à narrativa principal deste filme.

Mycroft e Sherlock regressam à sua casa de infância, com o intuito de desvendar o mistério e garantir o futuro de Enola. Sherlock fica encarregue de encontrar o paradeiro de Eudoria e Mycroft assume a responsabilidade de tutor legal da jovem, com o claro intuito de promover o seu estatuto social.

Millie Bobby Brown tem um desempenho fantástico, conseguindo passar a imagem de uma jovem “maria-rapaz”, culta e perspicaz mas com uma vontade própria inabalável, que se converterá num desafio constante a tenacidade de Mycroft.

Enola acaba por fugir para Londres, na esperança de encontrar a sua mãe. Para tal, tenta interpretar algumas pistas, descodificar cifras e confiar no seu instinto, algo que a vai colocar em perigo constante.

Na viagem inicial de comboio, a jovem depara-se com o Conde Tewkesbury, que se encontra igualmente em fuga da sua família e que irá adensar ainda mais a narrativa, por motivos que vou ocultar (sem spoilers). A dedução e o raciocínio lógico são uma constante, bem complementado com  momentos de humor, sobretudo nas cenas de ação e na escola de Miss Harrison.

Destaque para  a participação secundária de Henry Cavill, Sam Claflin, Fiona Shaw e Helena Bonham Carter, que dão o toque extra de qualidade que converte Enola Holmes num filme competente e que fornece o entretenimento necessário.

Apesar de estar longe de ser uma obra prima, tem ideias muito interessantes, motivo pelo qual recomendo que invistam duas horas neste projeto da Legendary Pictures.

Mediano
72%

The Witcher T.1

Henry Cavill é o nome mais sonante desta produção da Netflix, que conta a história de Geralt de Rivia, um “mutante” com força sobre-humana e conhecimento do mundo mágico. A premissa principal da narrativa acompanha a invasão de Nilfgaard, na tentativa de derrubar Cintra e reclamar o trono, o que pode, à primeira vista, parecer terrivelmente genérico.

Mas na realidade existem várias sub-narrativas, em que nos é dado a conhecer a princesa Ciri, o bardo Jaskier e a ascensão de Yennefer como maga. A primeira temporada é composta por oito episódios e investe fortemente no desenvolvimento de personagens, tentando explicar as suas motivações. O tema do destino é abordado frequentemente e a neutralidade de Geralt é uma constante, embora a invocação da Lei da Surpresa acabe por desencadear uma série de eventos que potenciam profundas alterações.

Como sabem, opto sempre por não revelar spoilers, mas posso adiantar que estas aventuras são baseadas nas short stories The Last Wish e Sword of Destiny, que antecedem as histórias épicas dos livros, que posteriormente foram adaptadas (com enorme sucesso) para jogos de consola e computador.

A fotografia e as coreografia de batalha são francamente boas, o que aliado uma narrativa envolvente e personagens interessantes, converte The Witcher numa série a seguir. Como não podia deixar de ser, a temporada termina num gigantesco impasse, colhendo a semente que tinha vindo a plantar durante os oito episódios.

Fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade desta série e fico a aguardar (pacientemente) por 2021, data em que teremos o regresso das aventuras de Geralt.