Obi-Wan Kenobi

The Mandalorian é sem dúvida a melhor série que o universo Star Wars produziu mas o potencial de Obi Wan é inquestionável, o que me deixou francamente entusiasmado com este projeto. A narrativa decorre uma década após os eventos de Revenge of the Sith e nove anos antes de A New Hope, retratando a nova era do Império, em que a Ordem Jedi foi derrotada e se encontra à beira da extinção.

Os poucos sobreviventes tentam escapar aos Inquisitors, uma força criada para caçar e eliminar os Jedi, algo que é introduzido no primeiro episódio. Uma boa parte da ação decorre em Tatooine, em que assistimos ao quotidiano diário de Obi-Wan, que aparenta ter sido quebrado pelos eventos pós Ordem 66. O outrora poderoso Mestre abdicou da Força, precisamente para preservar o seu anonimato e garantir a segurança de Luke Skywalker, que se encontra a viver com os seus tios.

Como é habitual, vou evitar os detalhes mas posso adiantar que a narrativa principal consiste numa missão de salvamento, em que Obi-Wan se vê forçado a resgatar Leia, que foi raptada por Reva Sevander, um membro dos Inquisitors que tem uma obsessão por  Kenobi. Adicionalmente, temos algumas cenas em Mustafar, em que vemos Darth Vader no seu reduto, com o respetivo enquadramento histórico dos eventos. A utilização da voz de James Earl Jones confere a quantidade precisa de nostalgia, que nos transporta no passado e funciona bem com a ligação realizada nestes seis episódios.

Existem obviamente algumas decisões com as quais não concordo, mas no global apreciei a (re)introdução de Obi Wan. A humanização da sua personagem está bem conseguida, sendo visível a dor que transporta pela morte de Anakin. A cena em que toma conhecimento que Vader e Anakin são a mesma pessoa está repleta de carga dramática, sendo um dos pontos mais altos desta série.

A interpretação de Vivien Lyra Blair como Leia é muito positiva, permitindo-nos ter mais contexto acerca da sua juventude e a inevitável ligação com Obi-Wan, que será tão relevante em A New Hope. Moses Ingram (Reva) é igualmente uma personagem relevante desta narrativa, com uma história peculiar e que será partilhada ao longo deste seis episódios.

Darth Vader é retratado como impiedoso, embora mantenha a vingança como motivação principal, algo que será explorado e levará a dois encontros com Kenobi. Nota de destaque para a química entre Ewan McGregor e Hayden Christensen, que ajuda a elevar a carga dramática da série, que apesar de ter as suas falhas, é uma experiência agradável para os fãs da trilogia original.

O ritmo da série sofre um pouco face à sua curta duração, mas consegue introduzir personagens relevantes e que moldam o regresso de Obi-Wan Kenobi enquanto Mestre Jedi. Caso pretendam abordar pontos mais específicos da série, convido-vos a utilizar a caixa de comentários.

Termino apenas com a minha recomendação para esta série, que conciliou nostalgia, ação e narrativa de forma muito competente.

Star Wars – The Last Jedi

The Force Awakens marcou o ressurgimento da franchise, com um enorme fan service mas que manteve uma ligação sentimental às suas origens. Como tal, fazendo jus ao equilíbrio da Força, The Last Jedi marca precisamente a mudança, com o abandonar da maioria dos dogmas que cultivámos durante as últimas quatro décadas.

Entrei na sala com um nível de expectativa moderado, face ao ruído que o Universo Star Wars cria. Confesso que há muito de positivo nestas duas horas e meia de filme, dos quais destaco a poderosa interpretação de Mark Hamill, a evolução de Kylo Ren e a passagem de testemunho de liderança da Resistência.

E esta é a fase em que vou começar a dar spoilers, pelo que sugiro que prossigam à vossa responsabilidade.

A missão de Rian Johnson era complexa, dado que era necessário romper com o passado e dar início à nova geração de heróis e vilões. A narrativa é dividida em várias mini-histórias, em que acompanhamos a missão de Finn e Rose, a luta pela sobrevivência da Resistência e o treino de Rey.

Há uma preocupação em desenvolver as personagens principais, dando a conhecer um pouco mais da sua história, fundamental para este filme e para o final da trilogia, que estreará em 2019. No entanto, existem falhas, nomeadamente com a personagem de Leia, que na minha opinião deveria ter realizado o derradeiro sacrifício que fica encarregue à Almirante Holdo, numa das cenas mais marcantes de todo o universo Star Wars.

Gostaria igualmente de ter recebido mais informação sobre as origens do Líder Supremo Snoke, para confirmar se é de facto o mítico Darth Plagueis. Sejamos honestos, onde estão as lutas de sabres de luz? E seria mesmo necessário aquela utilização da Força por parte da Comandante Leia Organa?

Nalguns pontos, a narrativa é algo previsível e retira inspiração em eventos da trilogia original, mas apresenta uma base sólida e dá espaço à nova geração para crescer e suportar esta franchise. Mark Hamill é fenomenal como Luke Skywalker, elevando o filme a um nível diferente sempre que está presente. BB8 continua a ser um digno sucessor de R2D2 e Chewbacca complementa muito bem estas referências originais que servem de farol para os fãs da faixa etária mais elevada.

Lamentavelmente o desaparecimento de Carrie Fisher cria uma necessidade de mudança para o derradeiro filme, dado que a ideia original consistia em criar uma trilogia em torno das personagens de Han Solo, Luke Skywalker e a Princesa Leia, respectivamente. Tendo em conta que está confirmado que não será utilizado CGI para recriar a personagem, o guião terá de sofrer algumas mudanças, o que me deixa algo curioso face à forma como termina The Last Jedi.

As minhas primeiras palavras após os créditos finais foram “este filme é difícil”, dado que marca claramente o fim de um Era, simbolizado na perfeição pelo diálogo final entre Kylo Ren e Luke Skywalker. Estamos perante o melhor filme da nova trilogia, carregado de simbolismo e carga emocional que vai claramente dividir os fãs. Pessoalmente, estou entusiasmado com a aventura que se segue mas mantenho algum cepticismo face a algumas das decisões.

(serei apenas eu a considerar aquela cena final como um teaser para a trilogia futura?)