Justice League Action

Jim Krieg, Butch Lukic e Alan Burnett são os responsáveis por mais uma adaptação da Justice League. Ao longo de 52 episódios vamos maioritariamente acompanhar as aventuras de Batman, Super-Homem e Wonder-Woman.

O tom da série é muito leve, com uma componente humorística acentuada. Os episódios têm uma duração de 15 minutos e introduzem uma panóplia de personagens secundárias, tais como Booster Gold, Firestorm, Jonah Hex, Klarion, Big Barda, entre muitos outros.

O casting é de elevado nível, com destaque para Kevin Conroy, Mark Hamill, Jason J. Lewis e Rachel Kimsey. Para além dos principais membros da Justice League, a narrativa incorpora vilões clássicos tais como Atrocitus, The Joker, Darkseid, Lex Luthor e Brainiac.

Salvo raras excepções, não existe ligação entre os episódios, que assentam numa narrativa simples, repleta de ação e com uma pitada de humor, o que converte Justice League Action num projeto diferente e que recomendo para os fãs da DC. Caso pretendam assistir em território nacional, podem fazê-lo através da HBO Go Max.

Justice Society: World War II

A WB continua a apostar forte nos filmes de animação, sendo este o mais recente projeto. O primeiro ato apresenta-nos uma Europa consumida pela guerra e um Fuhrer obcecado em localizar artefactos mágicos, com o intuito de criar a derradeira arma de conquista mundial. Do lado dos EUA, o Coronel Steve Trevor torna-se o responsável por uma equipa de super-humanos, composta por Black Canary, Hawkman, Hourman, Jay Garrick e Wonder Woman, que tem a designação de Justice Society.

A narrativa alterna com os tempos modernos, em que acompanhamos uma batalha entre Super-Homem e Brainiac, que acaba por ter a intervenção de The Flash. Numa tentativa de salvar o Homem de Aço de uma bala de kryptonite, Barry ativa pela primeira a Speed Force, sendo catapultado no tempo, para uma era em que a Justice Society se encontra na França, em guerra aberta com os nazis.

Seguem-se gloriosas cenas de ação, que culmina com o salvamento de Steve Trevor, cortesia de Allen e Jay Garrick. Após alguma relutância inicial, a equipa aceita a presença do velocista do futuro e seguem para uma missão secreta, na tentativa de localizar Doctor Fate, que aparenta ter a resposta para os eventos ocorridos.

Estou deliberadamente a omitir vários pormenores narrativos que são importantes, mas contem com a presença de AquaMan e The Advisor, que terão um papel relevante no desfecho desta aventura. A animação está bem conseguida, com alguns twists narrativos que funcionam bem e conferem alguma imprevisibilidade para o terceiro e derradeiro ato.

O casting é soberbo, com destaque para Stana Katic, Matt Bomer, Christopher Diamantopoulos e Omid Abtahi, que acrescentam dinamismo e qualidade ao projeto final. Justice Society é um filme muito competente, ao nível do que a DC nos tem habituado e é uma recomendação clara da minha parte.

Mediano
70%

Justice League: The Snyder Cut

Cerca de três anos e meio após a estreia do filme original e após muita insistência dos fás, a DC lançou (finalmente) a visão de Zack Snyder. Segundo consta, foram filmadas inúmeras cenas novas, num investimento final de 70 milhões de dólares, que demonstra a aposta forte da DC em melhorar a qualidade final do produto.

A versão de Joss Whedon falha essencialmente no campo da narrativa, com lacunas fulcrais no que diz respeito à génese de Aquaman, The Flash e Cyborg. Adicionalmente, o vilão (Steppenwolf) é francamente genérico, sendo incapaz de transmitir uma sensação de poder cósmico insuperável. Para terminar, o CGI utilizado é no mínimo, questionável, relegando este filme para um patamar que não se coaduna com o que esperava de um projeto ambicioso como a Justice League.

Quando saíram os pormenores da nova versão, com quatro horas de duração e sobretudo, com o primeiro trailer, confesso que fiquei entusiasmado com o conceito apresentado. A visão de Snyder introduz  um universo mais sombrio, como é apanágio da DC mas ganhou o meu respeito com a integração dos primeiros três actos, que são exclusivamente reservados ao desenvolvimento das personagens. A narrativa é sólida, explanando as motivações e angústia que cada uma dos heróis ostenta, enquadrando de forma quase perfeita as decisões que vão tomar ao longo da aventura.

Steppenwolf é retratado de uma forma muito mais ameaçadora, com um CGI melhorado, que eleva o seu nível enquanto vilão. Uma das minhas cenas preferidas continua a ser a sua batalha com as Amazonas, embora tenha igualmente de destacar o embate entre os Heróis da Terra Antiga e Darkseid e a sequência final, em que a Justice League derrota o exército de Parademons.

A personagem de Barry Allen, Arthur Curry e Cyborg têm igualmente muito mais profundidade neste filme, com a integração das suas origens e adição de sequências com a participação de Henry Allen, Mera, Vulko e o Dr Silas Stone. Gostei igualmente da mudança de tom conferido a Wonder Woman e Batman, que são retratados com muito mais emoção,  conferindo uma sensação de perda e culpa pelo desaparecimento de Super-Homem. Curiosamente, Henry Cavill não tem uma participação muito ativa neste filme, mas é retratado com o poder e importância que a sua personagem deve ostentar. E a forma como a narrativa vai subindo de tom até ao seu renascimento está francamente bem conseguido, transmitindo uma sensação de grandeza, que é fundamental para justificar todos os sacrifícios realizados pela equipa.

Há muito para falar sobre este filme, mas vou evitar os detalhes que possam comprometer a vossa experiência. Dito isto, parece-me relevante destacar a (curta) participação de Darkseid, assim como o derradeiro acto, em que a narrativa apresenta uma série de possibilidades, com o aparecimento de um membro muito relevante da Justice League e um vislumbre do que poderá ser um universo alternativo, algo explorado em diversos livros da DC ao longo dos últimos anos.

No global, gostei bastante desta versão, que é claramente superior ao original. Parece-me no entanto justo salientar que a comparação é algo injusta, pelo contexto em que foi lançado e pela duração total, que nunca poderia ser a versão final para cinema.  Os dois pontos menos positivos (e secundários) deste projeto, são para mim as quebras de continuidade que resultam das filmagens novas, em que é visível as mudanças físicas nos actores e a forma estranha e pouco natural como Flash corre.

Dito isto, o Snyder Cut é uma visão que faz muito mais sentido em termos de DCU, abrindo inúmeras portas para projetos futuros, que muito provavelmente não irão contar com a maior parte dos intervenientes deste projeto. Mas é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco, que recuperou alguma da minha esperança para o futuro cinematográfico da DC.

Bom
80%