Loki

WandaVision colocou a fasquia elevada mas tendo em conta as implicações desta série na MCU, o meu nível de entusiasmo era extremamente elevado. Vamos finalmente descobrir o que ocorreu após os eventos de Avengers Endgame, numa narrativa que introduz a Time Variant Authority, uma agência dedicada a manter a integridade da linha temporal.

Sou um grande entusiasta do universo cósmico da Marvel e Loki não desilude, apesar de ter as suas falhas. Os primeiros dois episódios são soberbos, com o equilíbrio necessário entre humor e as principais premissas da narrativa. Tomamos igualmente conhecimento das personagens principais, mais especificamente Mobius, Ravonna Renslayer e Hunter B-15, que pretendem apreender um fugitivo da TVA, que tem atacado as equipas de Minutemen.

Vou evitar entrar em detalhes,  mas posso adiantar que existe muita inspiração na BD, criando um desafio único para Loki. Ao longo da temporada, vamos assistindo ao desenvolvimento da amizade entre Mobius e o Prince of Mischief, embora permaneça a dúvida acerca de uma possível agenda oculta. O quinto episódio é verdadeiramente épico, levando-nos ao Void, para uma aventura que envolverá diversas versões de Loki e que apresenta uma adaptação interessante de Alioth.

O ponto mais alto é sem dúvida o derradeiro episódio, em que somos apresentados a um dos vilões da próxima fase da MCU, algo inédito numa série da Disney+. Confesso que foi uma decisão inesperada mas que faz todo o sentido, dado que Jonathan Majors está confirmado para o terceiro filme de Ant-Man.

Loki tem apenas seis episódios, mas é uma montanha russa de informação, repleta de easter-eggs e com uma narrativa interessante, que abre várias opções para o futuro da MCU. Discordo de algumas decisões, sobretudo no que diz respeito ao terceiro episódio, em Lamentis e confesso que o comportamento de Loki, em determinados momentos, é completamente desviante da sua personagem, mas no global esta é uma série que recomendo sem hesitação.

Destaque para a participação da fabulosa Tara Strong , que dá a voz a Miss Minute e para a extraordinária interpretação de Owen Wilson, no papel de Mobius. Resta agora aguardar pela segunda temporada, que irá certamente explorar a criação do Multiverso, algo que era previsível face aos detalhes partilhados acerca do próximo filme de Spider-Man e Doctor Strange.

The Spectacular Spider-Man

As últimas décadas estão repletas de séries de animação com qualidade acima da média. No que diz respeito a Spider-Man, esta é sem dúvida uma das minhas preferidas. Baseado no conteúdo criado por Stan Lee, Steve Ditko e John Romita Sr., esta adaptação de Greg Weisman e Victor Cook narra o quotidiano diário de Peter Parker, na Midtown Manhattan Magnet High School.

Os episódios iniciais da primeira temporada estão claramente direccionados para o desenvolvimento de personagens como Aunt May, Flash Thompson, Gwen Stacy e Harry Osborn. Paralelamente, Peter vai começando a lidar com os seus novos poderes, optando por tornar-se fotógrafo freelancer no Daily Bugle, que é gerido por J. Jonah Jameson, um editor obcecado em descobrir a identidade secreta do jovem super-herói.

No que diz respeito a vilões, contem inicialmente, com aparições de The Enforcers, Chameleon, Vulture, Electro, Doctor Octopus, Sandman e Rhino, que trabalham para o sindicato do crime, liderado pelo misterioso Tombstone. O seu braço direito é Hammerhead, que recorre à Oscorp Industries para distribuir super habilidades  a vários dos elementos da lista acima indicada, com o objetivo de distrair o nosso herói dos seus verdadeiros planos.

Peter e Gwen vão trabalhar como assistentes de laboratório para a universidade de Empire State, com o objetivo de auxiliar o Dr Curt Connors, criando o arco narrativo associado a Lizard. O seu braço direito é Eddie Brock, amigo de infância de Peter, que será igualmente relevante, sobretudo na segunda temporada, com a ligação ao simbionte Venom.

O que mais aprecio nesta série é a constante dificuldade de Peter em lidar com a sua vida pessoal, sendo sistematicamente forçado a dar prioridade à sua vida secreta, o que afeta profundamente a sua relação pessoal com Gwen Stacy e mais tarde, Liz Allan e Mary Jane.

Apesar da segunda temporada ser focada na batalha entre Spider-Man e Venom, temos a inserção de personagens como Captain Jupiter e Kraven, o meu vilão preferido. Black Cat regressa igualmente, para um episódio relevante, que irá lançar a premissa para os derradeiros episódios, que vão opor todas as facções criminosas ao nosso jovem herói.

The Spectacular Spider-Man é uma excelente série de animação, que retira muita inspiração da BD e que conta com uma excelente escolha de vozes. Infelizmente, a terceira temporada foi cancelada, por questões legais entre a Sony e a Disney. Mantenho no entanto a minha recomendação, dado que existe uma conclusão para a narrativa, apesar de terminar nalguns impasses, sobretudo no que diz respeito ao Green Goblin e a relação amorosa de Peter.

Silver Surfer Black

Donny Cates tem feito um trabalho incrível a nível criativo, com elevado foco no Universo Cósmico da Marvel. Como tal, e na minha opinião, nada podia ser mais apropriado do que confiar-lhe a narrativa que explica precisamente essa origem.

As primeiras páginas recordam os eventos que transformaram Norrin Radd para sempre, convertendo-o no arauto de Galactus. Rapidamente, a narrativa volta ao presente, com a luta pela sobrevivência de diversos heróis cósmicos, que foram absorvidos por um buraco negro, da autoria da Black Order. Silver Surfer usa o seu poder cósmico para abrir uma fenda no espaço/tempo, conseguindo salvar vários desses heróis.

As suas ações não o impedem de sucumbir ao abismo, por onde vagueia durante período indeterminado. Eventualmente, o seu poder regenerativo permite-lhe recuperar a forma corpórea, constatando que regrediu milhões de anos no passado, numa era em que as estrelas ainda estão a nascer.

No limiar do Universo, encontra um planeta, repleto de escuridão e morte, onde é atacado por uma série de guardiões. Apesar de debilitado, acaba por derrotar os atacantes, invocando a luz de uma estrela. Toda a escuridão do planeta é consumida, revelando rios, montanhas e um ecossistema rico, mas rapidamente se forma um portal, que projeta o nosso herói para a presença de Knull, o Deus dos Symbiotes (sim, simbiontes como Venom e Carnage).

Como é evidente, Knull pretende absorver a luz de Silver Surfer, convertendo-o num dos seus guerreiros. A batalha é relativamente curta e graças a uma manobra de diversão, o nosso herói consegue fugir, tendo perfeita noção que se encontra demasiado debilitado para conseguir emergir como vencedor.

As páginas seguintes ilustram o cruzar de caminho com Ego, o planeta vivo, numa Era em que ainda é benigno, sendo fundamental a sua intervenção para o desfecho da narrativa. Há um constante desafio ás convicções de Silver Surfer, que, apesar da possibilidade de anular a sua ligação a Galactus, opta por aceitar a necessidade de equilíbrio cósmico.

Existem batalhas que nunca poderão ser ganhas mas é fundamental manter a esperança e combater a escuridão com a luz. Essa é a premissa fundamental desta narrativa, que termina com um momento extraordinário, que envolve a criação de Zenn-La e a redenção de Silver Surfer enquanto agente da morte.

Fica a promessa de manter o desfecho final em segredo, mas recomendo vivamente que adquiram a edição Treasury desta saga de cinco capítulos.

Estamos, sem dúvida, perante uma obra de referência de Donny Cates, que é complementada com a extraordinária arte gráfica de Tradd Moore e a deslumbrante palete de cor de Dave Stewart.