Donny Cates tem feito um trabalho incrível a nível criativo, com elevado foco no Universo Cósmico da Marvel. Como tal, e na minha opinião, nada podia ser mais apropriado do que confiar-lhe a narrativa que explica precisamente essa origem.
As primeiras páginas recordam os eventos que transformaram Norrin Radd para sempre, convertendo-o no arauto de Galactus. Rapidamente, a narrativa volta ao presente, com a luta pela sobrevivência de diversos heróis cósmicos, que foram absorvidos por um buraco negro, da autoria da Black Order. Silver Surfer usa o seu poder cósmico para abrir uma fenda no espaço/tempo, conseguindo salvar vários desses heróis.
As suas ações não o impedem de sucumbir ao abismo, por onde vagueia durante período indeterminado. Eventualmente, o seu poder regenerativo permite-lhe recuperar a forma corpórea, constatando que regrediu milhões de anos no passado, numa era em que as estrelas ainda estão a nascer.
No limiar do Universo, encontra um planeta, repleto de escuridão e morte, onde é atacado por uma série de guardiões. Apesar de debilitado, acaba por derrotar os atacantes, invocando a luz de uma estrela. Toda a escuridão do planeta é consumida, revelando rios, montanhas e um ecossistema rico, mas rapidamente se forma um portal, que projeta o nosso herói para a presença de Knull, o Deus dos Symbiotes (sim, simbiontes como Venom e Carnage).
Como é evidente, Knull pretende absorver a luz de Silver Surfer, convertendo-o num dos seus guerreiros. A batalha é relativamente curta e graças a uma manobra de diversão, o nosso herói consegue fugir, tendo perfeita noção que se encontra demasiado debilitado para conseguir emergir como vencedor.
As páginas seguintes ilustram o cruzar de caminho com Ego, o planeta vivo, numa Era em que ainda é benigno, sendo fundamental a sua intervenção para o desfecho da narrativa. Há um constante desafio ás convicções de Silver Surfer, que, apesar da possibilidade de anular a sua ligação a Galactus, opta por aceitar a necessidade de equilíbrio cósmico.
Existem batalhas que nunca poderão ser ganhas mas é fundamental manter a esperança e combater a escuridão com a luz. Essa é a premissa fundamental desta narrativa, que termina com um momento extraordinário, que envolve a criação de Zenn-La e a redenção de Silver Surfer enquanto agente da morte.
Fica a promessa de manter o desfecho final em segredo, mas recomendo vivamente que adquiram a edição Treasury desta saga de cinco capítulos.
Estamos, sem dúvida, perante uma obra de referência de Donny Cates, que é complementada com a extraordinária arte gráfica de Tradd Moore e a deslumbrante palete de cor de Dave Stewart.
Hugo Cardoso
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