Avengers Endgame

A viagem que teve início há onze anos, com Iron Man tem a sua conclusão em Endgame, a segunda parte da batalha épica contra Thanos e o seu exército. A narrativa retoma os eventos de Infinity Wars, em que os heróis sobreviventes tentam desesperadamente encontrar uma forma de corrigir as acções que levaram à extinção de metade dos seres vivos do Universo.

O primeiro acto tem um tom pesado, mostrando uma equipa destroçada, com dificuldade em lidar com a perda e incapaz de seguir em frente. Esta humanização das personagens está muito bem conseguida e serve de molde para justificar algumas das suas decisões ao longo do filme. Os irmãos Russo voltam a introduzir, com sucesso, o humor para aliviar momentos de tensão e lentamente vamos caminhando para o único cenário de vitória previsto por Doctor Strange, que pode reverter os eventos do “estalar de dedos” de Thanos.

Garanto que não vão encontrar spoilers sobre o filme, pelo que não vou detalhar o plano dos Vingadores. Aproveito sim para parabenizar o excelente fan service que é realizado a esta década de (21) filmes, com pequenos easter eggs que estão espalhados ao longo da narrativa. As batalhas são verdadeiramente épicas, com destaque para o embate final entre as forças de Thanos e dos nossos heróis, que parecem saídas de um livro de BD da minha adolescência. E que dizer da conjugação da música com os portais que se vão abrindo… simplesmente brilhante!

Para alguém da minha geração é francamente poderoso assistir a um filme, numa sala repleta de jovens em que determinados momentos arrancam uma ovação e palmas (sim, leram bem) da plateia.   A frase icónica “Avengers, Assemble!” é finalmente dita pelo Capitão America e a escala de Endgame roça o épico, provando que os estúdios da Marvel sabem o que fazem.

É evidente que nenhum filme é perfeito e diria que a ausência de Agente Coulson, aliado ao humor (extremo) em redor de Thor são dignos de menção, mas todas as restantes decisões assentam tão bem que se torna fácil desculpar algumas falhas.

Endgame tem o dom de fechar um ciclo para os membros originais dos Avengers, criando as pontes necessárias para as futuras séries da Disney (Scarlett Witch, Vision, Hawkeye, Loki, Falcon e Bucky Barnes), o que justifica igualmente algumas omissões na narrativa acerca do paradeiro de algumas das personagens. A cena final é uma das mais marcantes desta saga e é uma homenagem a um percurso brilhante, que chega ao fim com a terceira fase da Marvel.

Haveria muito mais para dizer, mas teria que entrar em pormenores e não me faz sentido estragar-vos a experiência. Estamos perante um filme que marca uma Era, criando um novo standard para este género de super-heróis. Confesso que estou muito entusiasmado para as aventuras seguintes, mesmo não existindo confirmação que possam vir a existir novos filmes dos Vingadores.

Para terminar, apenas uma nota: no final dos créditos há apenas um som, que serve novamente para homenagear o início da Marvel enquanto Universo Cinematográfico.

Excelente
92%

Hellboy 2019

Após dois filmes medianos de Guillermo del Toro, a Lionsgate resolveu fazer um reboot, com um novo casting e realizador. A narrativa continua a retirar inspiração das obras publicadas pela Dark Horse Comics e mostra-nos uma visão mais violenta do mundo, em que Hellboy continua a ter dificuldade de integração.

Apesar das mudanças, parte da premissa mantem-se idêntica, com uma clara mensagem de “são as nossas escolhas que nos definem”. Desta feita, a vilã escolhida é a feiticeira imortal Nimue, que vai regressar para lançar uma praga, que visa extinguir a Humanidade e entregar o planeta aos Monstros.

Com a preciosa ajuda de Ben Daimio, um agente do M11 e Alice Monaghan, uma poderosa médium, o nosso herói vai embarcar numa aventura única, em que tentará derrotar Gruagach, a bruxa Baba Yaga e hordas de monstros que estão sob o controlo de Nimue.

Parte da narrativa está relacionada com a épica história do Rei Artur e Merlin, não esquecendo o papel fundamental da Excalibur, como única arma capaz de derrotar a magia da vilã. A nível de casting, diria que acertaram na maior parte das escolhas mas o resultado final está longe de ser brilhante.

A narrativa é pouca fluida, tem claras omissões e conta com decisões que não compreendo, retirando qualidade ao resultado final. Esperava bem mais de um projeto que conta com David Harbour, Milla Jovovich e Ian McShane, só para citar alguns dos nomes mais relevantes.

Mediano
63%

Captain Marvel

Em contagem decrescente para a estreia de Endgame, temos a estreia de Captain Marvel, num filme que narra as aventuras de Carol Danvers, um piloto da Força Aérea Americana que se vê envolvida numa batalha intergaláctica entre os Kree e os Skrulls.

Estamos perante uma história de origem bastante competente, que começa por nos mostrar o quotidiano de Danvers em Hala, a capital de Kree, assim como a sua relação com o mentor Yon-Rogg, interpretado por Jude Law.

Vamos acompanhar uma missão de resgate, em que a nossa heroína, conhecida por Vers, acaba por ser capturada por Talos, o líder dos Skrulls. Graças a uma ousada fuga, Danvers acaba por regressar inadvertidamente ao planeta C-53, mais conhecido por Terra, no ano de 1995.

Uma série de acontecimentos acaba por forjar uma aliança com Nick Fury, na tentativa de compreender qual a ligação com o Projeto Pégaso e a Dra Wendy Lawson, que parece estar ligada ao passado escondido de Carol Danvers.

O primeiro acto de Captain Marvel está bem conseguido, apresentando a premissa inicial do filme e as motivações das várias personagens. Nota de destaque para a (curta) presença do Agente Coulson e para a excelente coreografia das cenas de ação, aliada a uma banda sonora soberba.

É nesta fase que a narrativa perde alguma fluidez, sobretudo aquando da redescoberta de algumas memórias de Danvers, mas consegue recuperar no terceiro acto, com muita ação e algumas revelações. Gostei bastante da adição das personagens de Maria e Monica Rambeau, assim como da história em redor de Fury e de Goose, que na realidade é um Flerken.

É igualmente nesta altura que Danvers consegue atingir a plenitude dos seus poderes, defendendo o planeta do ataque de Ronan the Accuser. No final, Captain Marvel abandona o planeta, com uma missão específica, mas deixa a Nick Fury um pager alterado tecnologicamente, para que possa estar contactável para uma emergência, numa clara alusão à derradeira cena de Avengers.

Existem adaptações face à história da BD, o que é perfeitamente natural mas este filme não consegue atingir, na minha opinião, o patamar de Black Panther, Ragnarok ou Infinity Wars.

Gostei bastante do primeiro e terceiro acto, assim como da interpretação de Samuel L Jackson e Jude Law, que complementam Brie Larson, que sem ser brilhante, consegue ter uma boa prestação.

Bom
75%