Spider-Man: Into the Spider-Verse

Foi com muita demora que consegui finalmente ver Into the Spider-Verse, o filme de animação da Marvel que fez furor no final de 2018. A narrativa assenta na personagem de Miles Morales, um adolescente que, à semelhança de Peter Parker, vai ser mordido por uma aranha e ganhar poderes.

Sem divulgar pormenores, posso acrescentar que a história principal envolve Kingpin, que consegue abrir um túnel para várias dimensões, na esperança de recuperar a sua esposa e o filho, que faleceram num acidente de viação neste universo.

Into the Spider-Verse apresenta-nos várias versões do herói, que vão unir esforços no sentido de frustar os planos de Wilson Fisk e regressar ás respectivas dimensões. Como tal, vamos acompanhar, com alguma comédia à mistura, a evolução de Miles enquanto adolescente e super-herói, com as frustrações, dúvidas e fracassos inerentes.

A animação está muito bem conseguida e faz algum fan service, com cameo de Stan Lee e o recurso a personagens como Prowler, Green Goblin e Doctor Octopus. A nível de actores, temos contribuições vocais extraordinárias de Mahershala Ali, Nicolas Cage, Liev Schreiber, Shameik Moore, Chris Pine e Jake Johnson, para citar alguns.

Esta produção é uma carta de amor aos fãs de Spider-Man mas consegue ser muito mais ao longo das duas horas de duração, tornando-se num dos melhores filmes de animação dos últimos tempos.

Recomendo vivamente a quem ainda não teve oportunidade de o fazer e, claro, convido-vos a partilhar a vossa opinião acerca deste projeto realizado por Bob Persichetti e Peter Ramsey.

Bom
80%

Ant-Man and the Wasp

O envolvimento de Scott Lang em Civil War teve duras consequências a nível pessoal e o primeiro acto mostra-nos precisamente essa realidade. Hope van Dyne e o Dr. Hank Pym são foragidos da Lei, perseguidos pela SHIELD e o nosso herói tenta equilibrar a sua vida familiar e profissional, sem a preciosa ajuda do seu fato.

No entanto, Scott permanece ligado à Quantum Realm, existindo a possibilidade de Janet Van Dyne estar ainda viva nessa dimensão. Esta é a premissa inicial do filme, que vai juntar novamente a equipa, na busca pela mãe de Hope. Ainda no primeiro acto, vai aparecer um novo vilão, de nome Ghost, que parece conseguir mover-se entre várias dimensões, tornando-se numa ameaça muito real, complementada com Sonny Burch, um criminoso interessado em vender tecnologia no mercado negro.

As cenas de ação estão muito bem conseguidas, com perseguições épicas (Micromachines ftw) e coreografias de luta soberbas, sempre com muito humor, algo que se tornou numa característica de Ant-Man. Gostei particularmente da Quantum Realm, que vai ser importante na narrativa de Avengers: Endgame.

A dinâmica de Ruud e Lilly é evidente e contribui para que a narrativa seja mais fluída, sendo igualmente relevante destacar as interpretações de Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, David Peña e Walter Goggins. Numa nota menos positiva, esperava mais de Hannah John-Kamen e Laurence Fishburne.

Em conclusão, esta segunda aventura de Ant-Man é superior ao original, embora permaneça num patamar inferior aos mais recentes projetos da Marvel (Ragnarok, GOTG2, Infinity Wars e Black Panther).

Mas se procuram entretenimento puro, com alguma comédia à mistura, este pode ser o filme ideal para começar o ano de 2019.

Mediano
70%

Venom

Após uma aparição em 2007, no terceiro filme do Homem-Aranha, a Marvel resolveu dedicar um filme inteiro a Eddie Brock e Venom. A narrativa vai acompanhar a saga da Life Foundation, uma empresa dedicada à colonização do espaço, que numa das suas missões de exploração consegue recolher formas de vida alienígena presentes num meteorito.

A viagem de regresso termina em tragédia, com uma violenta queda, em que um dos simbiotes (Riot) consegue fugir para uma zona populacional. Os restantes são levados para laboratório, onde começam a ser estudados, com o intuito de os integrar com um hospedeiro humano.

É nesta fase que somos apresentados a Eddie Brock, um jornalista especializado em desvendar escândalos, que vai investigar os misteriosos testes humanos realizados por Carlton Drake, o CEO da Life Foundation. Escusado será dizer que os acontecimentos que ocorrem levam a que Eddie se una a Venom, criando uma entidade dupla, que começa a aprender a lidar com os seus super poderes.

Essencialmente, Brock tenta ajudar Venom a regressar a casa, algo que é igualmente pretendido por Riot, mas que Drake tenta evitar a todo o custo, por entender que a evolução da Humanidade passa pela união simbiótica com estas criaturas. Sem colocar spoilers, ficamos a saber que existem motivações extra, o que origina uma luta titânica entre estas três fações.

Pessoalmente, considero que este filme é mediano, sobretudo quando comparado com os mais recentes projetos da Marvel. As interpretações são pouco memoráveis e a narrativa tem várias incongruências que condicionam a qualidade e fluidez da história.

Pelos motivos indicados, não posso recomendar Venom aos meus estimados leitores, que recebe a seguinte pontuação na escala que vou passar a utilizar em 2019.

Mediano
65%