Bastard!! T.1

Há quatrocentos anos atrás, o demónio Anthrasax foi derrotado pelo Dragon Knight, dando início a uma nova era de maldade. Alguns séculos mais tarde, o mago Dark Schneider, que detinha o apoio do Dark Rebel Army, foi derrotado pelo Príncipe Lars UI e três outros cavaleiros.

Esta vitória acaba no entanto por revelar-se efémera, dado que o mago reencarna no corpo de Lucien Renren, um jovem de 14 anos. De forma a evitar a ascensão de Schneider, é utilizada magia para selar a sua alma, que apenas pode ser desbloqueada com um beijo de uma virgem e um encantamento específico.

Esta é a premissa principal deste animé, que se baseia na manga da autoria de Kazushi Hagiwara. É notória a influência do universo DnD e do estilo musical death metal, criando uma abordagem diferente, repleta de humor e com cenas sexuais bastante explícitas. No que diz respeito à narrativa, a simplicidade faz a diferença, introduzindo a personagem de Dark Schneider como opção de recurso para travar a invasão do Dark Rebel Army.

Progressivamente vamos tomando conhecimento da mudança no mago das trevas, que tem uma abordagem típica do anti-herói, lutando com alguns dos seus ex-pupilos, dos quais destaco Ninja Master Gara e Thunder Empress Arshes Nei. Ao bom estilo de DnD a progressão é por níveis, em que cada um dos antagonista apresenta um obstáculo distinto mas essencial para a evolução do poder de Dark Schneider.

Como habitualmente, oculto os spoilers mas confesso que Bastard!! é uma série divertida, repleta de personagens interessantes e que garante entretenimento ao longo dos 24 episódios da primeira temporada. Ao bom estilo nipónico, a batalha com Abigail, o antagonista principal, é longa e repleta de desafios, em que o nosso herói terá de superar-se para alcançar a vitória.

Acredito que não seja um anime consensual, mas é um projeto que recomendo, pelo seu humor e factor de diversão. A segunda temporada estará disponível no final deste mês, através da plataforma de streaming da Netflix.

Mulligan T.1

Num futuro próximo, a Terra é invadido pelas forças de Cardi-B, uma raça de extra-terrestres que pretende utilizar os recursos naturais do nosso planeta. De forma inesperada, Matty Mulligan e Lucy Suwan conseguem derrotar os invasores e capturar o General Axatrax.

Esta é a premissa de Mulligan, que aposta forte no humor e sátira política. Confesso que os primeiros episódios não me convenceram, mas o desenvolvimento das personagens conquistou a minha atenção. A série é composta por dez episódios e conta com nomes sonantes, tais como Dana Carvey, Tina Fey,  Phil LaMarr e Daniel Radcliffe.

Como habitualmente, vou evitar detalhes narrativos mas iremos acompanhar o quotidiano de Matty e Lucy, que são eleitos para a Casa Branca, após salvarem a Humanidade, mais especificamente os restantes 1500 sobreviventes. Com recursos limitados e sem eletricidade, existe uma tentativa de criar um Governo justo e para o Povo, algo que vai contra os princípios do Senador Cartwright LaMarr, o único político sobrevivente.

À medida que a narrativa evolui, vamos sendo confrontados com o seu passado, que está longe de ser consensual, na maioria dos casos. Adicionalmente, o General Axatrax tenta escapar de forma desesperada, recorrendo a tácticas hilariantes e que convertem Mulligan numa experiência agradável.

Em conclusão, diria que esta série leva algum tempo a atingir o seu ponto alto, mas garante entretenimento, bem assente na escrita inteligente dos argumentistas de 30 Rock e Unbreakable Kimmy Schmidt. Se procuram uma série diferente, recomendo o investimento em Mulligan, que deverá ter continuidade no decorrer do próximo ano.

Inside Job – Part 2

A segunda metade de Inside Job foca-se em Reagan, que tem a difícil missão de lidar com a loucura do seu Pai, que se (re)converteu no líder da Cognito. Ao longo destes oito episódios, vamos obter mais informação acerca dos Illuminati e das restantes quatro facções (Reptoids, Atlanteans, Catholic Church, Juggalos)  que controlam secretamente o Mundo.

Gostei particular da rivalidade entre Rand e Dietrich, que culmina num confronto épico, que muda o rumo narrativo desta temporada. Adicionalmente, vamos explorar a vida pessoal de Reagan, que acaba por iniciar uma relação com Staedtler, um membro dos Illuminati. Na minha opinião, os episódios 13 e 14 são os mais marcantes desta série, introduzindo Keanu Reeves como namorado de Tamiko e uma missão à cidade de Roma, que visa salvar a Humanidade do Apocalipse.

O humor é uma constante que complementa a narrativa de forma muito competente. Apesar do foco em Reagan, existe algum desenvolvimento das restantes personagens, que culmina num derradeiro episódio, repleto de ação e com a linha temporal em risco de colapsar, em resultado do Projeto X37.

Shion Takeuchi fez um excelente trabalho, sendo relevante destacar o incrível casting a nível de voz. Esta série tem efectivamente muito potencial mas não terá continuidade, em virtude do seu cancelamento pela Netflix. Considero no entanto que existe material e qualidade para investirem tempo nos dezoito episódios que compõem esta temporada.