Wolfs

A procuradora geral de Manhattan entra em pânico, após a morte de um jovem prostituto no seu quarto de hotel. Rapidamente contacta um especialista, que lhe dá algumas indicações, garantindo que a situação será resolvida sem dificuldade. Alguns minutos mais tarde, ao entrar no quarto, é confrontado com a chegada de outro especialista.

Ficamos a saber que a proprietária do hotel foi a responsável pela chamada, dando início a uma colaboração imprevista entre ambos, que suporta a totalidade da narrativa de Wolfs. Estamos perante uma comédia de ação, realizada por Jon Watts, e que conta com George Clooney, Brad Pitt e Austin Abrams nos principais papéis.

Vou evitar os spoilers, mas o que aparenta ser uma “limpeza” rotineira, vai converter-se em algo muito mais complexo. Vamos ficar a conhecer um pouco do passado de ambos os especialistas, o que ajuda a contextualizar os eventos, que irão terminar numa cena final absolutamente épica. As interpretações são de qualidade e algumas das situações são profundamente hilariantes, com destaque para a cena do casamento, assim como do parque de estacionamento do hotel.

Outro pormenor delicioso é o facto de nunca sabermos os nomes dos especialistas, assim como do patrão em comum, o que pode abrir uma sequela, face aos eventos do terceiro acto. Se procuram um filme competente, com uma narrativa simples mas envolvente, esta é, sem dúvida, uma excelente escolha.

Mediano
70%

Bullet Train

David Leitch é o responsável pela adaptação cinematográfica de Maria Beetle (Bullet Train no Reino Unido e EUA). O elenco é de peso e conta com Brad Pitt,  Joey King,  Aaron Taylor-Johnson,  Brian Tyree Henry,  Andrew Koji,  Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Zazie Beetz e Sandra Bullock nos papéis principais.

A narrativa é frenética e introduz o passado de cada uma das personagens, dando contexto ao motivo pelo qual se encontram a bordo deste comboio. Essencialmente ficamos a saber que The White Death, o líder da Yakuza, contratou uma série de assassinos profissionais, para resgatar o seu filho. Lemon e Tangerine são a dupla que consegue localizar o alvo, que acaba por ser assassinado a bordo, criando uma série de eventos que engloba momentos verdadeiramente épicos e diálogos inesquecíveis.

Confesso que esta foi uma agradável surpresa, num filme que, em determinados momentos, parece saído da mente brilhante de Quentin Tarantino. Brad Pitt tem uma personagem fantástica, dando vida a Ladybug, um assassino que acredita estar amaldiçoado com azar, que o persegue nas suas missões.

Durante cerca de duas horas, vamos assistindo a batalhas entre os diversos assassinos que se encontram a bordo, com o terceiro acto a culminar na explicação de todos os motivos ocultos que justificam o comportamento de personagens como The Elder e The Prince.

Se procuram um filme repleto de ação, com uma narrativa absolutamente ridícula, esta é sem dúvida a escolha certa, que alcança o selo de recomendação do Portal Pessoal.

Bom
78%

Ad Astra

Este filme foi um dos meus dark horses para 2019, combinando uma premissa interessante com um leque de actores de elevada qualidade. A narrativa acompanha a história de Roy McBride, filho de H Clifford McBride, um histórico pioneiro da SpaceCom, desaparecido há dezasseis anos, numa missão espacial.

O que parece inicialmente ser o enquadramento para traçar o perfil psicológico de Roy, torna-se rapidamente no ponto principal do enredo. Tudo começa numa série de descargas elétricas, provenientes de Neptuno, que aparentam estar relacionadas com o Projeto Lima, precisamente a missão que levou ao desaparecimento do seu pai.

A pedido dos seus superiores, Roy aceita viajar até Marte e enviar uma mensagem, com o intuito de avaliar a sobrevivência de Clifford McBride. Ad Astra é, na minha opinião, uma metáfora para a vida, que se foca em sentimentos como a perda, dor e a ambição desmedida do Homem. Gosto particularmente de um dos monólogos de Pitt, em que frisa “We’re world eaters, thus we journey to the stars”.

Existem algumas cenas de ação, sobretudo na Lua, mas diria que a grande experiência do filme é precisamente a viagem, que coloca Roy em contacto com os seus sentimentos mais reprimidos, permitindo avaliar prioridades e encontrar o seu próprio caminho.

Parece-me importante destacar a excelente performance de Pitt, assim como Tommy Lee Jones. Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas convido-vos a dar uma oportunidade a Ad Astra. Existem momentos deliciosos, tais como a visão cínica sobre a colonização da Lua e a crítica ao espírito conquistador da Humanidade. E para terminar, que dizer da mensagem final, após termos conhecimento do resultado final do projeto Lima?

Spoilers… eu sei… fico por aqui 🙂

Mediano
70%