A Quiet Place 2

Há cerca de três anos fui agradavelmente surpreendido com uma narrativa cativante, centrada na família Abbott e que terminou num impasse colossal.

Esta sequela começa por dar algum enquadramento acerca da chegada destas estranhas criaturas ao nosso Planeta, retomando posteriormente aos eventos que ocorrem no derradeiro ato do primeiro filme.

Evelyn tenta garantir a sobrevivência da sua família, mas um incidente que envolve o seu filho Marcus, força-a a realizar uma inesperada viagem à cidade, para obter antibióticos. Paralelamente, existe o reencontro com Emmett, um amigo de longa data e sobrevivente, que será fundamental para esta aventura.

Gosto particularmente do primeiro ato, que combina perfeitamente a componente de narrativa e ação. As interpretações continuam a ser francamente boas e o facto de existir um orçamento superior permite a integração de cenas mais ousadas em termos de CGI e uma expansão do mundo que conhecemos.

Concluímos que a invasão foi global e tomamos conhecimento de uma fraqueza relevante das criaturas, que será explorada no ato final do filme. Pelo meio, somos confrontados com uma sociedade em colapso, em que apenas sobrevivem os grupos mais fortes, que pilham e subjugam os mais indefesos.

O terceiro ato transporta-nos para uma zona que não foi afetada pelas criaturas, algo que muda radicalmente com a chegada de Emmett e Regan. O desfecho final é aberto, estando previsto um terceiro filme, que continuará a detalhar a batalha da família Abbot. Com a ajuda de Emmet e uma nova forma de expansão da frequência sonora, a probabilidade de sucesso aumenta significativamente, abrindo uma série de oportunidades para a terceira aventura.

Para concluir, aproveito para recomendar este filme, que está muito bem conseguido e beneficiou da adição do fabuloso Cillian Murphy, que complementa muito bem Emily Blunt e Millicent Simmonds.

Bom
78%

A Quiet Place

John Krasinski realiza e interpreta uma das personagens principais de A Quiet Place, um filme que nos mostra uma invasão alienígena completamente distinta do padrão a que Hollywood nos habituou. Para complementar, a produção fica a cargo de Michael Bay, que é conhecido pelo uso excessivo de pirotecnia e cinematografia muito própria, algo que é completamente esquecido nesta produção.

O primeiro acto mostra-nos uma família em busca de mantimentos numa loja, na tentativa de sobreviver a algo que se assemelha a um evento cataclísmico. Imediatamente somos confrontados com a utilização de linguagem gestual, sendo notório a necessidade de reduzir o nível de barulho. Esta é a grande premissa do filme, que nos apresenta um Planeta Terra consumido por estranhas criaturas, sedentas de sangue, que são hiper-sensíveis ao som.

Sem colocar spoilers, algo irá suceder que afecta de forma muito negativa a família Abbott, cuja história vamos acompanhar ao longo da narrativa, no ano de 2020. Um dos pontos mais interessantes é a escassez de diálogos, que é complementada por linguagem gestual e pequenos pormenores deliciosos, como o vento ou as expressões corporais das várias personagens.

Um dos meus momentos favoritos é a cena da cascata de água, em que Lee e Marcus partilham uma experiência libertadora ao gritarem sem medo de serem ouvidos. A narrativa é poderosa e permite-nos acompanhar as lutas interiores, os medos e receios de todos os intervenientes e a forma como lidam com a perda.

O segundo acto assenta na gravidez de Evelyn, cujas águas rebentam precisamente na altura em que existe uma invasão de criaturas, criando um obstáculo complexo, face à necessidade de não fazer barulho. Digamos que a solução é criativa mas colocará em perigo toda a família, que terá de encontrar alternativas que lhes permitam sobreviver a este ataque.

Em termos de interpretações, o filme está muito bem conseguido, conseguindo criar um ambiente de medo, em que nos preocupamos genuinamente com as personagens. Está longe de ter um final feliz, algo que me agradou, sobretudo porque está praticamente confirmada a sequela. Posso com toda a certeza dizer que foi uma agradável surpresa e um filme que recomendo vivamente a todos os leitores.