Olá Europa

Finalmente uma noite de “glória” europeia. Para quem diz que o SLB não ganhou nada, a minha resposta é “ganhou uma equipa”. É verdade que Simão, Miccoli, Karagounis, Manuel Fernandes e Moreira fazem falta mas os que jogaram provaram que é possível. T

ivémos sorte, sem dúvida mas fomos mais fortes. As camisolas já não ganham jogos: essa é a grande ilacção que o Manchester United deverá tirar do jogo de quarta-feira. Quanto a Cristiano Ronaldo, deveria ter mais profissionalismo. É natural que seja assobiado, pois alinha pelo adversário e é inquestionavelmente uma das grandes figuras.

No que concerne ao meu Benfica, é óbvio que tem uma equipa limitada e o sonho de conquistar a Champions mantem-se apenas porque estamos em prova. A realidade é bem diferente e mantenho a minha convicção de que dificilmente algum clube português voltará a vencer a competição nos próximos cinco anos.

Quanto ao jogo, apenas louvar o espírito de equipa e celebrar a vitória. Estamos no bom caminho, o campeonato é longo mas devemos e podemos ter esperança. Desengane-se quem pensa que o título foi um acaso: temos equipa embora por vezes falte atitude e treinador.

Ninguém pára o Benfica

Há onze anos que o campeonato fugia da Luz. Ainda me lembro como se tivesse sido ontem. Estive na última celebração do título: terceiro anel, ano de 1994. Rui Costa, Vitor Paneira, Isaías, João Pinto, Ailton, Schwarz e muitos outros jogavam e encantavam. Era mais um campeonato, mais uma vitória.

Como os tempos mudam… má política de gestão, dispensas incríveis e o Artur Jorge deixaram-nos completamente de rastos. Seguiram-se compras inúteis, reconstruções de plantéis e despedimento de treinadores em massa. O impensável tinha acontecido: estávamos a cometer os mesmos erros do rival Sporting.

Passámos por algumas épocas penosas. Fica pelo menos a satisfação de Michel Preud´homme ter podido levantar uma taça de Portugal. Foram 9 anos em que apenas ganhámos essa competição. Passaram algumas direcções pelo clube e sem dúvida de que Vale e Azevedo marca uma época. Há jogadores que ficam na história pela negativa: quem não se lembra de Michael Thomas ou de Martin Pringle? Felizmente chegaram ao clube pessoas sérias e que paulatinamente foram reconstruindo a casa.

Chegou Camacho, um treinador sério e trabalhador (não que os anteriores não o fossem) e que mudou a mentalidade dos jogadores. Ganhámos mais uma Taça (frente ao poderoso FCP de José Mourinho) e começou assim a onda vermelha.

 Depois de um Europeu (fantástico) chega o italiano Trapattoni. Confesso que o seu futebol não me agrada. É triste, defensivo e completamente prevísivel. Mas resultou! Apesar de o Sport Lisboa e Benfica ter um plantel limitado, liderámos grande parte do campeonato e penso que fomos justos vencedores.

É igualmente verdade que Porto e Sporting estiveram muito mal mas não é sempre assim? Não compreendo a questão das arbitragens pois com franqueza os grandes beneficiados são sempre os clubes grandes. E este ano não fugiu à regra.

Claro que o título não teria sido possível sem os adeptos. A grande maioria criticou Trapattoni (incluindo eu) mas quando foi preciso “empurrar” a equipa para o campeonato lá estávamos nós a apoiar incessantemente. Foi o acordar do Gigante Adormecido como muitos lhe chamam. Espero que tenho sido o início de um ciclo vitorioso.

Não é com este campeonato que todos os problemas vão desaparecer. Há que consolidar o clube: fazer o centro de estágio, apostar na formação e nos valores portugueses. Manter as bases do plantel actual e reforçar bem, sendo que necessitamos sobretudo de qualidade . E já agora vamos lá fazer a dobradinha frente ao Vitória de Setúbal.

E vão 24

O Jamor engalanou-se para receber mais uma final da Taça. Pela nona vez SLB e FCP defrontaram-se e mais uma vez ganhámos. Mas não se pense que foi fácil.

O FCP mostrou o motivo pelo qual está na final da Champions League. Muita pressão e personalidade garantiram uma vantagem inicial de um golo. Contudo Fyssas e Simão Sabrosa deram a volta e no prolongamento conquistámos a vigésima quarta taça da história.

A conquista foi dedicada aos malogrados Féher e Bruno Baião, que tão cruelmente nos deixaram este ano. Espero sinceramente que este triunfo abra um novo ciclo na história do clube. Na próxima época estaremos na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e espero que lutemos pelo primeiro lugar na Superliga para podermos fazer a festa novamente.

Força Benfica! Depois de um ano de centenário tão conturbado bem que merecíamos algo para nos alegrar.