Space: Above and Beyond

Tenho excelentes recordações dos anos 80 e 90, muitas delas associadas a séries de ficção científica. Como tal, criei uma tradição, que consiste em revisitar projectos que considero marcantes. Above and Beyond passou na televisão portuguesa algures entre 1995 e 1998, introduzindo os Chigs como uma raça alienígena que pretende destruir a Humanidade.

O ano é 2063 e após o massacre numa colónia, a guerra torna-se inevitável. A superioridade tecnológica do inimigo parece ser impossível de contrariar, mas o esquadrão marine 58, vulgarmente designado como Wildcards, consegue algumas pequenas vitórias que aumentam a moral das forças humanas.

Ao bom estilo narrativo da época, vamos ter episódios dedicados exclusivamente ao desenvolvimento das personagens e outros com missões que pouco ou nada acrescentam ao desenrolar do conflito. A sátira social é igualmente assinalável, com a introdução dos Silicates (andróides) e os In Vitro, que são humanos criados em laboratório com o objetivo de reforçar o contingente militar.

As personagens são cativantes, com destaque para o Tenente Coronel T. C. McQueen, Commodore Glen van Ross, Tenente Cooper Hawkes e a Capitã Shane Vansen. A narrativa é envolvente, com foco na componente psicológica e nas elevados sacrifícios humanos resultantes da estratégia militar. A maior parte dos episódios ocorre a bordo do USS Saratoga, o porta aviões espacial que alberga o esquadrão dos Wildcards e que se encontra frequentemente na linha da frente.

A série acaba por ser cancelada ao fim de 23 episódios, dado que as audiências ficaram muito abaixo das expectativas. No entanto, parece-me ser o exemplo claro de um projecto que estava muito à frente do seu tempo, sendo constantemente relembrada pelos fãs de ficção científica, pela sua inovação e as naves utilizadas (Hammerheads) pelo esquadrão 58.

Space Force T.2

A narrativa retoma os eventos da temporada original, em que os General Naird é alvo de um inquérito para avaliar as suas ações. Temos cenas caricatas ao longo dos depoimentos da equipa, com a habitual componente humorística mas tudo acaba por resolver-se, garantindo a manutenção do General na liderança do projeto Space Force.

Os episódios seguintes focam-se nas restrições orçamentais, que originam potenciais cortes e saídas da equipa. Paralelamente, temos uma visita da delegação chinesa, com o intuito de melhorar as relações internacionais após a missão na Lua e uma participação curiosa no Projeto Jupiter Europa, que terá consequências inesperadas.

O desenvolvimento de personagens é uma constante, com destaque para o divórcio de Naird, as decisões académicas de Erin e as opções de carreira do resto da equipa. A tensão entre o Dr Chan e a Capitã Angela Ali atingem o seu apogeu, levando à intervenção de F. Tony Scarapiducci, o que origina alguns dos momentos mais hilariantes da temporada.

O derradeiro episódio narra um ataque cibernético dos russos, que conseguem controlar satélites e os servidores da Space Force. A equipa do General Naird consegue evitar o pior cenário, retomando o controlo de forma bastante criativa, com base numa estratégia arrojada. A temporada termina num impasse, com a confirmação de um asteróide em rota de colisão com a Terra.

Space Force é uma série com um humor muito próprio, que pode não agradar a todos. No entanto, é um projeto que recomendo, restando neste momento confirmar se teremos uma terceira temporada.

Lost in Space T.3

Judy, Penny e Will não alcançam Alpha Centauri mas conseguem escapar de SAR. A narrativa desta derradeira temporada acompanha os eventos a bordo da Resolute, assim como a luta pela sobrevivência dos adultos se sacrificaram.

Smith tornou-se na professora de Francês da colónia, trabalhando em parceria com os Robinson. No entanto, a situação torna-se precária, dado que o planeta onde se encontram foi misteriosamente destruído por uma explosão. As reparações da sua nave estão claramente a levar mais tempo do que previsto, o que força Judy a uma missão perigosa, que lhe vai permitir chegar a bordo da Fortuna, onde vai encontrar o seu pai biológico, Grant Kelly.

Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas posso adiantar que os jovens colonistas conseguem minar o titânio necessário para sair do planeta mas optam por resgatar os pais, que se encontram sobre ameaça de SAR. No entanto, o plano de salvamento de Maureen e John, que envolve a ajuda de Scarecrow, corre terrivelmente mal, permitindo aos robots obterem a localização de Alpha Centauri.

Para complicar ainda mais, Will tem ferimentos graves, após a batalha com SAR, obrigando a medidas extremas para tentar salvar a sua vida. Os derradeiros episódios resumem a chegada a Alpha Centauri e a preparação da batalha final entre humanos e robots.

Na minha opinião, o ritmo desta derradeira temporada está bem conseguido, apesar de existirem algumas decisões que fazem pouco sentido. O final, apesar de aberto, fecha o arco narrativo inerente aos robots. Pessoalmente, considero que foi uma conclusão apropriada e que converte esta série numa boa recomendação para quem é fã de ficção científica.