Batman v Superman: Dawn of Justice

Zack Snyder foi o escolhido para trazer ao grande écran a batalha épica entre os dois super-heróis mais populares da DC. Henry Cavill regressa como Clark Kent, cabendo a Ben Affleck a dura tarefa de substituir Christian Bale como Batman.

Confesso que nunca me senti particularmente entusiasmado com o projecto, sobretudo a partir do momento em que foram confirmadas algumas decisões a nível de casting. Snyder conquistou-me com o seu trabalho em 300 e Watchmen, mas na minha opinião, falha redondamente neste filme, nunca atingindo um patamar digno para o título que ostenta. A narrativa é demasiado simples, repleta de falhas e na maioria dos casos, terrivelmente previsível.

Ben Affleck retrata um Batman angustiado e revoltado, que é consumido por um sentimento de impotência face ao poder quase ilimitado do Super-Homem. Existem várias sequências que tentam justificar esse estado de espírito ao espectador, uma dinâmica utilizada em Man of Steel e que nada acrescenta à narrativa. No entanto, este filme tem alguns diálogos que considero interessantes, dado que abrem a porta a histórias como Injustice, assim como a vilões (Darkseid). É por demais evidente que Dawn of Justice serve de introdução à Liga da Justiça, que necessita que os próximos filmes sejam muito fortes para ter alguma hipótese de sucesso comercial.

Contem com breves menções a Flash, Aquaman e Cyborg, que são apelidados de Meta-Humanos e com a aparição de Diana Prince em toda a sua glória, convertendo-se numa agradável surpresa ao longo do filme. Pessoalmente, os pontos mais positivos são as interpretações de Gal Gadot e Jesse Eisenberg, embora tenha de reconhecer que Ben Affleck é convincente no papel deste Batman.

No global, Dawn of Justice é um filme mediano e que foi de encontro ás minhas (baixas) expectativas. Faltam pontos de interesse na narrativa e o vilão escolhido (Doomsday) merecia um tratamento bem mais épico. As cenas de acção são excelentes, conseguindo retratar o poder colossal do Super-Homem e Wonder-Woman, sem diminuir a estratégia e intelecto de Batman. Uma nota de rodapé para a presença de Jeremy Irons no papel de Alfred, que confere um toque de classe ao filme.

Man of Steel

Zack Snyder foi uma escolha algo polémica como realizador para o reboot do Homem de Aço mas confesso que gosto da sua abordagem cinematográfica. Posso começar este artigo por salientar que gostei bastante deste filme, pelos motivos que passo a descrever: enredo, qualidade dos actores envolvidos e excelentes cenas de acção.

Pela primeira vez tive a oportunidade de ver este filme no IMAX do Colombo e apesar de não ser fã de 3D fiquei rendido à experiência. É verdade que dez euros por um bilhete é algo exagerado (embora mais barato do que a média na Europa) mas para alguns filmes vale bastante a pena, dado que somos completamente envolvidos na narrativa. Pessoalmente adorei os primeiros 60 minutos, onde se nota muito do “dedo” de Christopher Nolan, que teve a função de conselheiro criativo e produtor . A narrativa é extremamente envolvente, com vários flashbacks da infância de Clark, assim como da destruição de Krypton. O elenco é muito bom, com particular destaque para Russell Crow e Diane Lane, que enchem o écran com a sua interpretação.

A escolha de Henry Cavill foi acertada e o equilíbrio entre acção e narrativa é quase perfeito, tornando os 140 minutos numa viagem fantástica. O grande segredo para um bom filme de super-heróis é a história, nomeadamente a “humanização” da personagem com base nas suas crenças e necessidades. Man of Steel é para mim o melhor filme do género em 2013, ultrapassando Iron Man 3, o que diz bem da sua enorme qualidade.

O vilão escolhido é o General Zod, interpretado por Michael Shannon e cumpre por completo a sua função de antagonista. As cenas de acção ou batalhas são verdadeiramente ÉPICAS, embora a minha parte preferida seja passada no Planeta Krypton. Existem pormenores deliciosos, tais como a explicação do S no fato ou mesmo uma leve menção a Lex Luthor (atenção ao logo no camião cisterna onde decorre uma das primeiras lutas). Gostei da abordagem de Snyder à personagem de Lois Lane, muito mais activa do que nos filmes originais por exemplo, sem perder o seu encanto.

Como pontos negativos, apenas o desfecho da batalha final entre o General Zod e alguns bloopers com que nos vamos deparando durante o filme (algo perfeitamente natural). Confesso que entre o Super-Homem de Christopher Reeve e de Snyder as diferenças são imensas mas ambos têm as suas virtudes.