Bumblebee

Quando se falou em realizar uma prequela dos Transformers, realizada por Michael Bay e Spielberg, com foco na geração 1 dos anos 80, fiquei francamente entusiasmado. À medida que iam saindo mais pormenores, o sentimento foi aumentando, porque Bumblebee é uma personagem icônica mas não conseguia deixar de pensar nos terríveis filmes com que fomos presenteados (com exceção do primeiro).

Todos os meus receios caíram por terra ontem, dado que é provavelmente o melhor filme dos Transformers, assente numa premissa simples de criar empatia com a situação de Bumblebee, que se vê abandonado no Planeta Terra em 1987. Há uma introdução inicial em Cybertron, que consegue ser superior a todas as acenas de ação dos filmes anteriores, conseguindo captar a nostalgia e a escala da batalha entre Decepticons e Autobots.

A banda sonora é completamente anos 80, o que é brilhante e vai apelar sobretudo ás gerações que cresceram com a Geração 1 dos Transformers. Charlie Watson é a personagem humana que vai criar uma ligação especial com o nosso herói, recebendo-o literalmente com prenda no seu décimo oitavo aniversário. Existem cenas verdadeiramente cómicas, com recurso à família Watson, um pouco à semelhança do original mas estamos perante uma narrativa fluida e que tem um desenvolvimento de personagens muito interessante.

Correm rumores que Agent Burns, interpretado por John Cena, será o ponto de partida para um spinoff no universo GI Joe, algo que consideraria interessante. O mesmo não pode ser dito da interpretação de Cena, que é pouco memorável.

No que diz respeito a efeitos especiais, o filme está bem conseguido e consegue apresentar algumas personagens novas no universo dos Transformers, como é o caso de Shatter (Angela Bassett) , que é a vilã do filme. No que diz respeito aos clássicos da G1, temos aparições de Blitzwing, Ravage, Soundwave, Shockwave. Optimus Prime e Cliffjumper, para citar alguns dos mais icónicos.

Bumblebee é uma agradável surpresa, que me conseguiu levar numa viagem repleta de nostalgia e que merece a vossa atenção.

Bom
80%

Transformers: The Last Knight

Com excepção do primeiro filme, a saga Transformers não tem sido particularmente bem tratada, mas nada me preparou para algo tão mau como Age of Extinction. Por esse motivo, entrei com expectativas terrivelmente baixas para The Last Knight, que acabou por me surpreender pela positiva.

A narrativa apresenta-nos a Humanidade em guerra com os Transformers, numa fase em que Autobots e Decepticons se encontram fragmentados e sem líder. Optimus Prime encontra-se a caminho de Cybertron e a chave para salvar o planeta assenta na ligação histórica entre os Cavaleiros de Távola Redonda e os Transformers, que juraram defender e proteger o bastão de Merlin, uma poderosa arma capaz de mudar o desfecho de qualquer guerra.

Até agora tudo parece terrivelmente rebuscado, mas a realidade é que funciona, resultado da simbiose criada entre acção e humor, com destaque óbvio para Bumblebee e Cogman. O regresso de Cade Yeager, Agente Simmons e do Coronel William Lennox são igualmente importantes para fazer a ligação com os filmes anteriores, assim como a adição de Vivian Wembley e Sir Edmund Burton, que conferem uma dinâmica diferente a The Last Knight.

Por último, a vilã Quintessa tem a sua relevância, até porque faz claramente a ponte para o próximo filme, que envolverá garantidamente Unicron. Existem cenas épicas de acção, carros de alta cilindrada, cavaleiros, submarinos, nazis e até uma luta entre Optimus e Megatron, mas é a dinâmica entre Yeager e Vivian que elevam esta aventura a um patamar muito superior aos dois filmes anteriores.

Apesar de não deslumbrar, há muito de positivo nestes 269 minutos, pelo que sugiro que lhe dêem uma oportunidade.

Transformers: Dark of The Moon

Os Pink Floyd não devem ter autorizado que Michael Bay utilizasse Dark Side of the Moon como título para o terceiro filme da saga, pelo que fomos presenteados com Dark of the Moon. Neste novo episódio da guerra entre Autobots e Decepticons, a narrativa desenvolve-se em torno da corrida espacial dos anos 60, com o objectivo de alcançar a parte obscura da Lua, onde se encontram os destroços de uma nave extra-terrestre.

Sam Witwicky terminou a sua relação com Mikaela Banes (Megan Fox) e tenta desesperadamente encontrar emprego na cidade de Washington. Apesar de ter o carinho e atenção de Carly (Rosie Huntington-Whiteley), Sam tem muita dificuldade em lidar com uma “existência normal”, longe de Optimus Prime e Companhia.

E com estes dois parágrafos, concluo a apresentação do que poderão esperar de Transformers 3 em termos de narrativa. Estamos claramente perante um blockbuster de Verão, com muita acção e extraordinários efeitos especiais. Apesar do hype em redor do 3D do filme, a desilusão volta a ser enorme, excepção feita ás cenas do ataque a Chicago.

A primeira parte do filme tem vários momentos cómicos, proporcionados pela família de Witwicky, Bruce Brazos (John Malcovich), Simmons e os mini-Autobots que vivem com Sam. Pelo meio, temos tempo para apreciar com maior pormenor os atributos físicos de Carly, assim como vários carros de alta cilindrada. Para tornar a experiência ainda mais épica, o filme conta com a participação de Patrick Dempsey, Buzz Aldrin, Frances McDormand e Leonard Nimoy (voz de Sentinel Prime).

Apesar da qualidade das cenas de acção e dos pequenos toques de requinte de Michael Bay, Dark of the Moon é uma desilusão em termos de narrativa. O filme é excessivamente longo, perdendo-se muitas vezes nas missões que cada uma das personagens tem que desempenhar. O resultado final é extremamente previsível e torna-se frustrante o facto de Megatron ser uma personagem secundária em todo o filme.

Para os fãs da franchise, será certamente um filme a ver, porque estão presentes quase todos os ingredientes das aventuras anteriores. Optimus Prime e Bumblebee continuam a ser as estrelas não humanas do filme e algumas das cenas do ataque à cidade de Chicago ficam na retina.

Apenas queria salientar que considero uma heresia ter sido retirada uma quote de Star Trek para utilização num diálogo entre Optimus e Sentinel Prime.