Solo: A Star Wars Story

Apesar de ser uma das minhas personagens favoritas do Universo Star Wars, este filme nunca me suscitou particular interesse. Os constantes adiamentos em termos de datas, a mudança de argumentista e de realizador ajudaram a fomentar a ideia que seria um projeto condenado ao insucesso. Por esse motivo, a minha expectativa era muito baixa, o que resultou no facto de ter gostado muito mais deste filme do que antecipava.

Saliento que a narrativa está longe de ser perfeita e lança muitas dúvidas (sem spoilers) mas a realidade é que consegue ilustrar a evolução de Han, um rapaz oriundo do planeta Corellia, que tem o sonho de se tornar num piloto e resgatar Qi´Ra, a sua grande paixão.

As circunstâncias levam-no a converter-se num fora da lei, juntando-se à equipa de Beckett, um mercenário que apresenta ligações ao sindicato Crimson Dawn, liderado por Dryden Vos. De forma a pagar uma dívida e garantir a sobrevivência, Han aceita ir ao planeta mineiro Kessel e roubar um carregamento de coaxium, um mineral muito valioso.

Ao longo do filme existem momentos deliciosos, dos quais destaco a forma como Han e Chewbacca se conhecem, passando pelo épico jogo de cartas com Lando e claro o robot L3-37, que tem alguns dos momentos mais hilariantes.

Gostei imenso da personagem de Emilia Clarke (Qi´Ra) e Woody Harrelson (Beckett), que conferem uma dinâmica fantástica, assim como aos maneirismos de Donald Glover (Lando), que consegue garantir essa ligação aos filmes originais. No entanto, a narrativa é francamente previsível e pouco ou nada acrescenta ao Universo Star Wars, apesar de retirar muita inspiração da série de animação Clone Wars (novamente, sem spoilers!).

Ron Howard realiza de forma competente esta nova aventura, que muito possivelmente terá uma sequela. Não estamos perante algo memorável mas face aos múltiplos entraves que foram sendo colocados, Solo: A Star Wars Story acabou por ser uma agradável surpresa para mim.

Avengers: Infinity Wars

Desde a primeira aventura dos Avengers que Thanos aguarda pacientemente pela oportunidade de reunir as seis Pedras do Infinito. A saga apenas ficará concluída em 2019, mas no imediato vamos conhecer as motivações deste vilão, que pretende trazer o Equilíbrio ao Universo, de uma forma única e aterrorizadora.

Os irmãos Russo são os responsáveis por esta mega-produção, que proporciona duas horas e meia de pura diversão, com uma narrativa envolvente, aliada a fantásticas cenas de acção e que nos surpreende em algumas decisões.

Diria que apesar do humor presente, este é o claramente o projecto mais sombrio da Marvel. Os nosso heróis têm pela frente o mais temível dos adversários, que vai ficando mais forte à medida que adquire as várias pedras. Para complicar ainda mais a situação, tem em sua posse uma Gauntlet, forjada pelos anões de Nidavellir, que lhe permite utilizar a totalidade do poder das Pedras do Infinito.

Existem três actos distintos no filme, com uma separação muito inteligente dos heróis em várias equipas, tirando partido das sinergias e criando momentos únicos de interação. Diria que o papel principal desta primeira parte cabe sem dúvida a Iron Man e Thor, que se convertem, por motivos distintos, nos maiores adversários de Thanos.

Destaque para a participação de Gamora, Doctor Strange e Scarlet Witch, que apesar de curtas aparições, conseguem ser extremamente importantes para a narrativa. Vou evitar os spoilers mas posso adiantar que existirão várias cenas memoráveis e emocionantes, com um desenlace que alguns poderão considerar inesperado.

Gostei francamente da premissa de Thanos ser a personagem principal de Infinity Wars. Ficamos a conhecer a sua dor e os sacrifícios necessários para alcançar o seu objetivo, embora curiosamente nunca chegue a utilizar a totalidade do seu poder. Várias são as ocasiões em que opta por poupar alguns dos nossos heróis, demonstrando respeito pelas suas convicções e atitudes. Acrescentaria inclusivamente que vamos ganhando empatia por Thanos à medida que o filme vai decorrendo, algo que à primeira vista é inédito para um vilão.

No que diz respeito a efeitos especiais e coreografias de luta contem com o que a Marvel nos tem habituado. Estamos perante um filme ambicioso, que lança vários cenários e deixa em aberto um sacrifício final para os nossos heróis.

Depois do êxito de Black Panther, o patamar de qualidade subiu ainda mais, convertendo Infinity Wars num dos melhores filmes da MCU, o que não era fácil.

Recomendo vivamente uma ida ao cinema e caso pretendam, fica o convite para partilharem a vossa opinião na caixa de comentários.

Star Wars – The Last Jedi

The Force Awakens marcou o ressurgimento da franchise, com um enorme fan service mas que manteve uma ligação sentimental às suas origens. Como tal, fazendo jus ao equilíbrio da Força, The Last Jedi marca precisamente a mudança, com o abandonar da maioria dos dogmas que cultivámos durante as últimas quatro décadas.

Entrei na sala com um nível de expectativa moderado, face ao ruído que o Universo Star Wars cria. Confesso que há muito de positivo nestas duas horas e meia de filme, dos quais destaco a poderosa interpretação de Mark Hamill, a evolução de Kylo Ren e a passagem de testemunho de liderança da Resistência.

E esta é a fase em que vou começar a dar spoilers, pelo que sugiro que prossigam à vossa responsabilidade.

A missão de Rian Johnson era complexa, dado que era necessário romper com o passado e dar início à nova geração de heróis e vilões. A narrativa é dividida em várias mini-histórias, em que acompanhamos a missão de Finn e Rose, a luta pela sobrevivência da Resistência e o treino de Rey.

Há uma preocupação em desenvolver as personagens principais, dando a conhecer um pouco mais da sua história, fundamental para este filme e para o final da trilogia, que estreará em 2019. No entanto, existem falhas, nomeadamente com a personagem de Leia, que na minha opinião deveria ter realizado o derradeiro sacrifício que fica encarregue à Almirante Holdo, numa das cenas mais marcantes de todo o universo Star Wars.

Gostaria igualmente de ter recebido mais informação sobre as origens do Líder Supremo Snoke, para confirmar se é de facto o mítico Darth Plagueis. Sejamos honestos, onde estão as lutas de sabres de luz? E seria mesmo necessário aquela utilização da Força por parte da Comandante Leia Organa?

Nalguns pontos, a narrativa é algo previsível e retira inspiração em eventos da trilogia original, mas apresenta uma base sólida e dá espaço à nova geração para crescer e suportar esta franchise. Mark Hamill é fenomenal como Luke Skywalker, elevando o filme a um nível diferente sempre que está presente. BB8 continua a ser um digno sucessor de R2D2 e Chewbacca complementa muito bem estas referências originais que servem de farol para os fãs da faixa etária mais elevada.

Lamentavelmente o desaparecimento de Carrie Fisher cria uma necessidade de mudança para o derradeiro filme, dado que a ideia original consistia em criar uma trilogia em torno das personagens de Han Solo, Luke Skywalker e a Princesa Leia, respectivamente. Tendo em conta que está confirmado que não será utilizado CGI para recriar a personagem, o guião terá de sofrer algumas mudanças, o que me deixa algo curioso face à forma como termina The Last Jedi.

As minhas primeiras palavras após os créditos finais foram “este filme é difícil”, dado que marca claramente o fim de um Era, simbolizado na perfeição pelo diálogo final entre Kylo Ren e Luke Skywalker. Estamos perante o melhor filme da nova trilogia, carregado de simbolismo e carga emocional que vai claramente dividir os fãs. Pessoalmente, estou entusiasmado com a aventura que se segue mas mantenho algum cepticismo face a algumas das decisões.

(serei apenas eu a considerar aquela cena final como um teaser para a trilogia futura?)