Diggnation: o regresso

Sinceramente, tenho ideia que vou falar de algo que ocorreu numa vida passada. Diria que comecei a acompanhar este podcast por volta de 2007, naquela que terá sido porventura a era dourada da internet.

Kevin Rose e Alex Albrecht eram os anfitriões de um programa que se focava nas histórias mais populares da plataforma Digg, que era um agregador de conteúdo bastante relevante nessa era. O tom era sempre bastante leve, com uma componente cómica e com muito alcool à mistura, que, lentamente, se converteu na imagem de marca.

Com a mudança de paradigma e foco noutros projectos, a dupla despediu-se em outubro de 2011, com um total de 340 episódios. Kevin Rose construiu uma fortuna considerável, através de inúmeros investimentos e Alex Albrecht enveredou por outros projectos, dos quais destaco TRS.

De forma completamente inesperada, o podcast está de regresso, embora nada tenha a ver com o Digg.com, que foi vendido por Rose, um dos membros fundadores. No entanto, continuam a debater temas relacionados com tecnologia e que se cruzam com experiências pessoais.

Diria que é um podcast que faz mais sentido para quem acompanhou a origem mas que pode agradar a quem procura algo informal mas com conteúdo interessante.

The Gorge

Nos últimos meses tenho investido muito tempo na Apple+, mais especificamente em séries, mas tenho visto alguns dos filmes mais divulgados pela plataforma. Este projecto é realizado por Scott Derrickson e conta com um elenco em que se destacam os nomes de Milles Teller, Anya Taylor-Joy e Sigourney Weaver. A premissa é interessante, focando-se numa zona não identificada no planeta Terra, que requer a presença de militares de elite, para garantir a defesa de duas torres que delimitam a fronteira entre a Humanidade e algo que é apelidado de The Hollow Men.

O primeiro acto introduz as personagens principais (Levi e Drasa), dois snippers que lidam com o que pode ser considerado síndrome traumático de stress. Ambos são recrutados para patrulhar e defender um desfiladeiro isolado (Gorge), com a ajuda de mina terrestres, drones e torres automáticas. A missão tem a duração de um ano, não sendo permitido qualquer contacto com o operativo que se encontra na torre oposta. A narrativa vai explorar o mistério inerente à ameaça, assim como a relação que vai ser criada entre ambos.

Apesar de ser um filme com muita acção, The Gorge foca-se igualmente na relação entre os dois protagonistas, tentando humanizá-los com flashbacks e pequenos momentos que visam quebrar a solidão inerente à sua profissão. Confesso que esperava mais, sobretudo tendo em conta o elenco escolhido. Na minha opinião, estamos perante um filme mediano, que pouco ou nada acrescenta ao género.

O terceiro acto está repleto de cenas de ação e revela por completo o mistério, levando a uma luta pela sobrevivência de Levi e Drasa. Se procuram o típico filme pipoca, diria que esta é uma boa escolha. A premissa é muito interessante, mas, no final, The Gorge acaba por cair nos clichés do género, o que diminui substancialmente o meu nível de satisfação para com este projecto.

Caso tenham visto este filme, convido-vos a partilhar o feedback e iniciar um debate construtivo.

Mediano
65%

Argylle

O mais recente projecto de Matthew Vaughn é essencialmente um filme de espionagem, com uma forte componente de humor. A premissa centra-se em Elly Conway, uma escritora bastante reservada, que criou Argylle, um super-espião que faz as delícias dos seus fãs.

O primeiro acto contém uma cena de ação épica, que decorre num comboio, onde somos introduzidos a Aidan Wilde, um espião que protege Elly de uma tentativa de rapto. Ficamos a saber que The Division, uma organização secreta, pretende recrutar os seus serviços, no sentido de localizar um ficheiro que contém informação sensível. O mais extraordinário é o facto dos seus livros detalharem informação absolutamente real, o que adensa o mistério.

Este filme, conforme referi, é uma comédia, que não se leva muito a sério, combinando cenas de ação com humor constante. A relação entre os dois protagonistas é o clássico amor-ódio, que acaba por sofrer alguns twists, ao longo dos 139 minutos. O elenco conta com nomes sonantes, tais como Henry Cavill, Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell, Bryan Cranston, Catherine O’Hara, Dua Lipa, John Cena e Samuel L Jackson.

A narrativa é básica, embora se esforce em criar momentos imprevistos. Apesar de terem uma presença reduzida, Cavill e John Cena são hilariantes, acabando por ofuscar o duo principal, composto por Sam Rockwell e Bryce Howard. Está muito longe de ser algo memorável, mas garante entretenimento, sobretudo pelas cenas de ação, que chegam a roçar o ridículo.

Diria que o ponto mais negativo é a excessiva duração do segundo acto, que pouco contribui para o resultado final. Se procuram o típico filme pipoca, esta pode ser uma boa opção.

Mediano
64%