Halo T.2

A saga de Master Chief prossegue,  numa temporada que continua a adaptar de forma muito livre todo o lore de Halo.  Após a batalha de Raas Kkhotskha, Cortana é removida do subconsciente de John e  a Silver Team é relegada para missões secundárias, bem longe da linha da frente.

John tenta convencer James Ackerson, o novo líder do projecto Spartan-II , a reintegrar a equipa em missões de risco, sem qualquer sucesso. Para complicar ainda mais a situação, numa missão de resgate em Sanctuary, o Master Chief aparenta ver Makee, levando-o a colocar em causa a sua sanidade mental.

Esta temporada é muito focada no desenvolvimento de personagens secundárias, com destaque para Riz, Soren, Arbiter Var ‘Gatanai e Perez. Continuamos a ter cenas de ação épicas, sobretudo no ataque a Reach, bem complementadas com o fecho de alguns arcos narrativos, que garantem a evolução da narrativa e um novo objetivo para John e Cortana.

A temporada termina num impasse cativante, no interior do Halo, mas revela finalmente mais alguns pormenores acerca do evento The Flood, que é fulcral para entender muito do que ocorre nos episódios Onyx e Thermopylae. Considero que estes oito episódios são francamente superiores ao material da primeira temporada, motivo pelo qual recomendo Halo a todos os fãs de ficção científica.

Os fãs do jogo podem ficar algo desapontados com a adaptação, mas no global, acredito que a narrativa está a caminhar na direção certa, garantindo a simbiose quase perfeita entre ação e enredo.

Atlas

Em 2043, a ICN (International Coalition of Nations) tenta capturar Harlan, uma inteligência artificial que, de forma inexplicável,  alterou a sua programação. Os resultados foram desastrosos, com a criação de uma entidade terrorista, que assassinou três milhões de pessoas, com o objetivo de erradicar a raça humana e salvar o planeta.

De forma progressiva, a narrativa vai disponiblizando pormenores relevantes, retrocedendo 28 anos no tempo, de forma a enquadrar a importäncia de Atlas Sheperd, uma analista que, por motivos pessoais, náo confia em IA.

A premissa principal assenta numa missáo á Galáxia Andrómeda, com o objetivo de capturar Harlan. Uma equipa de Rangers, liderada pelo Coronel Elias Banks, é destacada para esta missáo, que parece perfeita para testar o novo interface que permite a mechs e humanos interagirem como uma entidade única. Escusado será dizer que a missão irá revelar-se desafiante e repleta de cenários inesperados, que vão colocar à prova a nossa heroína.

Um dos pontos mais interessantes é a interação com Smith, o Mech atribuído a Atlas, que tenta ganhar a sua confiança e concluir a sincronização, que é fundamental para a simbiose entre Homem e Máquina.  A narrativa explora igualmente o passado de Sheperd e a sua ligaçáo a Harlan, que condicionou grande parte das suas decisóes ao longo de três décadas.

O terceiro acto engloba o embate final entre ambas as fações e tem um desfecho previsível, mas que consegue ser satisfatório, O elenco conta com Jennifer Lopez, Simu Liu, Mark Strong, Sterling K. Brown e Lana Parrilla, que fazem um trabalho competente no que diz respeito a interpretação.

Se procuram entretenimento, ficcáo cientifica qb e ação, este é sem duvida uma opção a considerar.

Mediano
68%

3 Body Problem

O mais recente projecto da Netflix é baseado na obra literária de Liu Cixin, que tem conquistado vários prémios no decorrer dos últimos anos. A premissa é diferente do habitual, focando-se num quinteto de cientistas, que serão colocados à prova ao longo de oito episódios. A correlação dos factos aparenta ser aleatória mas vai sendo lentamente revelada, com a introdução dos San-Ti, uma raça alienígena que terá estabelecido contacto com a Humanidade nos anos 60, no pico da revolução chinesa.

Torna-se complexo falar desta série, dado que existem inúmeros spoilers que podem afetar de forma negativa a experiência. No entanto, vou destacar os constantes conflitos morais de algumas personagens, que confiam cegamente na Ciência mas são colocados em situações em que a Fé parece ser a única solução.

Conforme mencionei no primeiro parágrafo, as peças do puzzle vão encaixando ao longo dos episódios, sendo evidente a conexão e a relevância de cada uma das personagens, para a progressão da narrativa. A nível de interpretação, destaque para Liam Cunningham, Rosalind Chao e Jess Hong, num elenco repleto de talento e que elevam esta série a um patamar bastante elevado.

Há um equilíbrio saudável entre ação e narrativa, que termina esta primeira temporada num impasse, como seria expectável. 3 Body Problem é, na minha opinião, uma das melhores séries de ficção científica dos últimos anos, garantindo entretenimento e personagens com as quais sentimos empatia. Adicionalmente, tem uma abordagem fascinante, com um enredo que irá extender-se por quatro séculos, na tentativa de encontrar uma solução que permita a sobrevivência da Humanidade.

Espero sinceramente que este projecto tenha continuidade, dado que os custos por episódio ascendem a 20 milhões, o que pode relevar-se um entrave para a Netflix, que atravessa um período financeiro mais conturbado.