O mais recente projecto da Netflix é baseado na obra literária de Liu Cixin, que tem conquistado vários prémios no decorrer dos últimos anos. A premissa é diferente do habitual, focando-se num quinteto de cientistas, que serão colocados à prova ao longo de oito episódios. A correlação dos factos aparenta ser aleatória mas vai sendo lentamente revelada, com a introdução dos San-Ti, uma raça alienígena que terá estabelecido contacto com a Humanidade nos anos 60, no pico da revolução chinesa.
Torna-se complexo falar desta série, dado que existem inúmeros spoilers que podem afetar de forma negativa a experiência. No entanto, vou destacar os constantes conflitos morais de algumas personagens, que confiam cegamente na Ciência mas são colocados em situações em que a Fé parece ser a única solução.
Conforme mencionei no primeiro parágrafo, as peças do puzzle vão encaixando ao longo dos episódios, sendo evidente a conexão e a relevância de cada uma das personagens, para a progressão da narrativa. A nível de interpretação, destaque para Liam Cunningham, Rosalind Chao e Jess Hong, num elenco repleto de talento e que elevam esta série a um patamar bastante elevado.
Há um equilíbrio saudável entre ação e narrativa, que termina esta primeira temporada num impasse, como seria expectável. 3 Body Problem é, na minha opinião, uma das melhores séries de ficção científica dos últimos anos, garantindo entretenimento e personagens com as quais sentimos empatia. Adicionalmente, tem uma abordagem fascinante, com um enredo que irá extender-se por quatro séculos, na tentativa de encontrar uma solução que permita a sobrevivência da Humanidade.
Espero sinceramente que este projecto tenha continuidade, dado que os custos por episódio ascendem a 20 milhões, o que pode relevar-se um entrave para a Netflix, que atravessa um período financeiro mais conturbado.
Hugo Cardoso
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