Make My Day

Yumiko Yoshizawa é o argumentista responsável por Make My Day, um anime que decorre em Coldfoot, um planeta gélido, em que os condenados são forçados a minar Sig, uma substância utilizada como fonte de eletricidade e energia.

Ao longo de oito episódios vamos acompanhar Jim, um jovem  guarda prisional, que tem a ambição de sair do planeta e perseguir uma carreira como ilustrador. Tudo muda no dia em que os mineiros são atacados por uma estranha criatura, designada como Swarm, que tem uma atração pelo Sig.

O ponto mais interessante de Make My Day é o desenvolvimento das personagens, especialmente de Jim, que se vê forçado a alterar radicalmente a sua bússola moral, de forma a garantir a sobrevivência. Existem várias batalhas frenéticas mas a prioridade é a odisseia de Jim, que tenta resgatar o seu avô Ed, com o qual tem uma forte ligação.

A narrativa explora alguns clichés sociais e cria um arco de redenção para várias personagens, que acaba por resultar tendo em conta o desfecho desta série. Para os fãs mais clássicos de anime, fica desde já o alerta que é utilizada animação 3D, o que nem sempre é encarado de forma positiva.

Makoto Honda fez um trabalho competente na realização deste projeto, que está longe de ser memorável, embora mereça uma oportunidade da vossa parte. Caso estejam interessados, podem encontrar esta série na Netflix.

Bullet Train

David Leitch é o responsável pela adaptação cinematográfica de Maria Beetle (Bullet Train no Reino Unido e EUA). O elenco é de peso e conta com Brad Pitt,  Joey King,  Aaron Taylor-Johnson,  Brian Tyree Henry,  Andrew Koji,  Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Zazie Beetz e Sandra Bullock nos papéis principais.

A narrativa é frenética e introduz o passado de cada uma das personagens, dando contexto ao motivo pelo qual se encontram a bordo deste comboio. Essencialmente ficamos a saber que The White Death, o líder da Yakuza, contratou uma série de assassinos profissionais, para resgatar o seu filho. Lemon e Tangerine são a dupla que consegue localizar o alvo, que acaba por ser assassinado a bordo, criando uma série de eventos que engloba momentos verdadeiramente épicos e diálogos inesquecíveis.

Confesso que esta foi uma agradável surpresa, num filme que, em determinados momentos, parece saído da mente brilhante de Quentin Tarantino. Brad Pitt tem uma personagem fantástica, dando vida a Ladybug, um assassino que acredita estar amaldiçoado com azar, que o persegue nas suas missões.

Durante cerca de duas horas, vamos assistindo a batalhas entre os diversos assassinos que se encontram a bordo, com o terceiro acto a culminar na explicação de todos os motivos ocultos que justificam o comportamento de personagens como The Elder e The Prince.

Se procuram um filme repleto de ação, com uma narrativa absolutamente ridícula, esta é sem dúvida a escolha certa, que alcança o selo de recomendação do Portal Pessoal.

Bom
78%

Spider-Man: Across the Spider-Verse

A sequela de Into the Spider-Verse volta a mergulhar-nos nos vários universos aracnídeos. O primeiro acto mostra-nos o quotidiano de Gwen Stacy, na Terra-65, com uma batalha que envolve Lizard e mais tarde, uma versão renascentista de Vulture. É nessa altura que Miguel O’Hara e Jessica Drew intervêm, através da utilização de um portal que os transferiu de 2099. Ficamos a saber que fazem parte de uma equipa dedicada a remover anomalias da linha temporal, criando a premissa narrativa que alimenta esta segunda aventura.

Após esta introdução, temos o regresso à Terra-65, em que Miles Morales é o Spider-Man. À semelhança de Stacy, ficamos a conhecer a sua vida e as dificuldades que tem em conciliar a vida pessoal com a de super-herói. Os momentos cómicos estão bem conseguidos, com destaque para a sua batalha com The Spot, um cientista da Alchemax que adquiriu poderes após os eventos do filme original, em que destroem o acelerador de partículas.

Torna-se complexo abordar este filme sem partilhar pormenores da narrativa, mas posso adiantar que Spot irá converter-se no vilão desta sequela, que assenta na lógica de um futuro predestinado, em que uma ligeira mudança pode ter consequências terríveis no equilíbrio do tecido temporal.

Miles vai ser colocado à prova e desafia todas as crenças da Spider-Society, da Terra-928, numa tentativa de salvar os seus pais do destino pré-definido, que é classificado como “canon events” por Miguel O’Hara, mais conhecido por Spider-Man 2099. A narrativa termina no habitual impasse, com a formação de uma aliança entre Peter B., Mayday, Pavitr, Hobie, Margo Kess, Spider-Man Noir, Peni Parker e Spider-Ham, com o objetivo de localizar e ajudar Miles na sua batalha com The Spot.

Este filme tem uma escala maior quando comparado com a aventura original, mas assenta numa narrativa sólida, com personagens fortes e uma simbiose com a componente  humorística, que converte este projeto num dos melhores filmes de 2023.

Para concluir, apenas uma nota de rodapé para a manutenção de nomes como  Shameik Moore, Hailee Steinfeld e Mahershala Ali e para a adição de Jason Schwartzman, Daniel Kaluuya e Oscar Isaac, que elevam o casting a um novo patamar de qualidade.

Bom
82%