Neon Genesis Evangelion

Esta terá sido uma das franchises que mais contribuiu para o relançamento da indústria de anime, na segunda metade da década de 90. A premissa em termos de enredo coloca-nos quinze anos após um evento cataclísmico, denominado como “Second Impact”. A cidade de Tokyo-3 alberga a Nerv, uma força paramilitar, sob a alçada (aparente) das Nações Unidas e que é responsável pela defesa da Humanidade.

O seu diretor é Gendo Ikari, que tem (claramente) uma agenda oculta que será revelada ao longo dos 26 episódios. O seu filho, Shinji Ikari, converte-se no piloto do Evangelion Unit-01, após uma série inesperada de eventos, que culmina com o ataque de um Angel. À primeira vista, podemos considerar que os EVA e os Angels são essencialmente mechs, mas lentamente, vai sendo desconstruído esse conceito.

Os Evangelion combinam a componente biológica com a mecanizada, sincronizando-se com o sistema nervoso do piloto, para criar um escudo de forças, que os protegem dos ataques. No que diz respeito aos Angels, o funcionamento é distinto, dado que não requerem a existência de um piloto. O humor é uma constante, sobretudo devido à inaptidão social de Shinji, Rei Ayanami e Asuka, que continuam a ter os problemas inerentes à sua idade, apesar das responsabilidades acrescidas.

Esta é uma série intensa, com uma narrativa que integra conceitos comuns à religião cristã, judaica e até xintoísta. Nem tudo é  linear e várias das escolhas colocam em causa as crenças e os princípios das personagens. Os últimos episódios expõem as verdadeiras intenções de Gendo Ikari, assim como da SEELE, a organização secreta que controla os destinos do projeto Evangelion.

Estou deliberadamente a ocultar vários pormenores da narrativa, que considero relevantes, no sentido de maximizar a experiência de quem nunca teve oportunidade de conhecer este universo. Conforme referi, não é para todos, sobretudo devido ás questões metafísicas e religiosas inerentes, sem esquecer alguns momentos politicamente incorrectos que vão ocorrendo ao longo da narrativa.

Caso pretendam seguir esta sugestão, recomendo o Netflix, que alberga no seu catálogo a série original, assim como os filmes The End of Evangelion e Evangelion Death (True)2, que são basicamente finais alternativos para a saga de Shinki, Rei e Asuka.

Voltron Legendary Defender T.4

A quarta temporada é composta por apenas seis episódios, que correm a um ritmo frenético. Esencialmente, começamos por acompanhar Keith, que está cada vez mais envolvido nas missões da Blade of Mormora, relegando para papel secundário as suas obrigações como líder da equipa.

Lotor continua a sua agenda oculta, com o objetivo de utilizar a quintessence para proveito próprio e Keith opta por sair da equipa, sendo substituído por Shiro no comando. O Leão Negro acaba por aceitar esta mudança, abrindo uma nova fase para Voltron, que continua a ser fundamental para aumentar o numero de planetas que aderiram à Resistência.

Zarkon recupera dos seus ferimentos e reassume a liderança dos Galra, tornando Lotor no inimigo numero 1 do Império. A temporada termina com uma missão arriscada a Naxzela, com o intuito de controlar um ponto militar estratégico, que permitirá à Resistência recuperar 1/3 do território conquistado pelos Galra.

O desfecho desta batalha é inesperado, com uma aliança improvável e que poderá mudar definitivamente o rumo da guerra a favor da Resistência.

Resident Evil: Infinite Darkness

Leon e Claire Redfield estão de regresso para mais uma aventura do universo Resident Evil. A narrativa decorre entre o espaço temporal do quarto e quinto jogo, no ano de 2006. O primeiro acto tem início em Penamstan, uma zona de guerra onde ocorre uma infestação de zombies.

Começamos por acompanhar os Mad Dogs, uma unidade militar que se vê encurralada pelos zombies, na tentativa de resgatar sobreviventes. A narrativa avança deliberadamente seis anos, sem pormenores adicionais acerca do desfecho da operação. Jason, o antigo líder dos Mad Dogs, está na Casa Branca para receber os detalhes para a sua nova missão, que consiste em identificar os responsáveis por um ataque cibernético a ficheiros do Governo Americano.e

Leon é igualmente escolhido para fazer parte desta equipa, que conta ainda com Shen May, uma militar com ligações a Jason. Para complicar ainda mais a situação, ocorre um ataque biológico na Casa Branca, com claras semelhanças ao T-Vírus, o que adensa ainda mais o mistério em redor da conspiração.

A animação CGI da Quebico é fabulosa, embora apresente algumas incongruências no movimento dos lábios e das pernas. Dito isto, as cenas de ação estão bem conseguidas mas o enredo é bastante previsível, o que retira alguma qualidade ao produto final. Gostaria igualmente que Claire tivesse um papel mais relevante na narrativa, que é claramente focada em Leon, mas o terceiro acto consegue redimir parcialmente algumas das lacunas identificadas.

Infinite Darkness tem um final aberto, que tem potencial para revelar mais pormenores acerca da conspiração e da ligação à Tricell.