Deadpool

Há cerca de uma década que este projecto se encontrava em standby, tendo recebido ordem para avançar fruto do sucesso comercial que outros filmes da Marvel têm recebido. Para os mais desatentos, é importante ressalvar que Deadpool é um anti-herói, politicamente incorrecto ao extremo, com poderes regenerativos ao nível de Logan, mais conhecido por Wolverine.

Pessoalmente, um dos grandes pontos de interesse  seria confirmar até que ponto poderíamos ter no grande écran um Wade Wilson mordaz e com o humor que o caracteriza. A escolha de Ryan Reynolds assenta que nem uma luva, conferindo ao filme a solidez que necessita para se tornar num dos sucessos deste ano.

Neste filme, o enredo não é o mais importante mas narra a origem de Deadpool, fazendo alguma sátira ao género, com alguns conceitos cliché e que são comuns neste tipo de aventuras. São recorrentes as piadas a Hugh Jackman, ao próprio Reynolds, aos recursos financeiros do filme e mesmo á dificuldade em adquirir licenças para personagens adicionais dos X-Men.

Nota-se que estamos perante uma produção com um orçamento baixo (58 milhões de dólares), apesar de termos algumas cenas bem coreografadas. O humor é constante ao longo da aventura e vou evitar spoilers, mas garanto-vos que vale a ida ao cinema. Tenho perfeita noção que Deadpool é um gosto adquirido, sendo muito distinto do típico filme de super-heróis da Marvel.

Contem com a presença de dois X-Men (Colossus e Negasonic Teenage Warhead), que tentam recrutar Wilson para a equipa, o que leva a cenas hilariantes, com destaque para o taxista Dopinder. Há que destacar a interpretação de Morena Baccarin e Ed Skrein, que interpretam Vanessa e Ajax, o interesse amoroso e o vilão respectivamente. No final, aguardem pelos créditos e vejam a cena final que contém um pequeno bónus acerca da sequela, que já se encontra confirmada.

Deadpool não foi uma surpresa para mim, mas superou as minhas expectativas. Será que vai fazer parte do meu Top 5 de 2016? É sem dúvida uma boa possibilidade.

The Hateful 8

Quentin Tarantino, um dos meus realizadores preferidos, está de volta para mais uma aventura épica. Desta vez, a narrativa decorre no Wyoming e aborda a viagem de John Ruth, mais conhecido por The Hangman, que leva uma perigosa prisioneira para a cidade de Red Rock, para ser executada. No entanto, uma inesperada tempestade irá forçar os viajantes a repousar alguns dias numa estalagem de nome Minnie´s Haberdashery, dando início a uma série de eventos que culmina num desfecho imprevisto.

Para adensar o mistério, a carruagem vai acolher mais dois viajantes: Major Marquis Warren, que tem três prisioneiros para entregar em Red Rock e Chris Mannix, o novo Sheriff da cidade. Após uma viagem no mínimo interessante (sem spoilers), todos chegam sãos e salvos à estalagem, onde se vão deparar com mais um grupo de viajantes, dando início a um jogo de desconfiança, com testes sucessivos e que origina alianças instáveis.

The Hateful 8 está dividido em seis partes e apresenta uma fotografia e música simplesmente fenomenal, merecendo de longe as nomeações para Óscar que recebeu. A realização é soberba, assim como a narrativa, mas o que me conquistou por completo são os diálogos fenomenais, que estão ao nível de Reservoir Dogs. Que dizer de um western, realizado pelo mestre Tarantino, com música de Ennio Morricone e que junta Samuel L Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Tim Roth, Michael Madsen e Bruce Dern? Apenas que devem ir ao cinema e apreciar esta experiência fantástica, que tem a duração de quase três horas.

Uma pena que a versão em 70 mm estivesse apenas disponível nalgumas salas específicas nos Estados Unidos. Recomendo sem hesitação este filme, sobretudo para fãs de Tarantino, que se mantém fiel ao seu estilo. É uma experiência distinta de Django, mas que mantém as cenas gore, over the top, aliada a diálogos longos que criam momentos de tensão e complementam a narrativa, mantendo-nos sempre interessados no desfecho final.

Top 5 – 2015

Ao contrário do que inicialmente previ, 2015 foi uma decepção em termos cinematográficos. No entanto, nem tudo foi mau, pelo que elaborei a lista em questão com os títulos que mais se destacaram no ano que terminou.

Não posso deixar de realizar uma menção honrosa a Theory of Everything e John Wick, que fariam parte deste TOP mas as regras são para respeitar. Apesar de os ter visto em 2015 só podem constar desta lista filmes que digam respeito ao ano em questão.

Como sempre, fica a ressalva que se trata apenas da minha opinião, que pode e deve ser considerada subjectiva. Algo me diz que algumas destas escolhas vão ser polémicas.