Top 5 – 2014

Este artigo está criado há alguns dias, no entanto optei por o disponibilizar apenas em 2015, meramente por uma questão logistica. Foi um ano interessante em termos cinematográficos, com algumas desilusões mas também com várias surpresas. Volto a referir que estas são as minhas escolhas, realizadas com base nas minhas preferências temáticas, pelo que é natural que tenham opinião distinta. Como habitualmente, podem partilhar as vossas escolhas na caixa de comentários abaixo indicada.

Resta agora esperar por 2015, altura em que vou comprovar se acertei nas minhas escolhas.

The Hobbit: Battle of the Five Armies

Eis que chega ao fim a trilogia do Hobbit, com a Batalha dos Cinco Exércitos. Este capítulo final é claramente o que tem mais acção mas entrei curioso em saber até que ponto a narrativa poderia ser afectada. No final das duas horas, confesso que não fiquei com a mesma sensação de realização que os dois anteriores filmes alcançaram, restando explicar os motivos.

Quem leu o Hobbit sabe que existiram várias alterações, o que me parece natural, tendo em conta que é uma adaptação. Aliás, sucedeu o mesmo no Senhor dos Anéis e todos sabemos o quão épica foi essa trilogia. No entanto, este terceiro filme é aquele que mais alterações introduz e nalguns casos confesso que não fiquei agradado. Como habitual, não vou colocar spoilers mas convido-vos a debater este tema na caixa de comentários.

A acção retoma com o ataque de Smaug a Esgaroth, sendo necessário defender a cidade, algo que é alcançado com sucesso mas a grande custo. A companhia dos anões encontra-se na fortaleza debaixo da Montanha, com uma riqueza inimaginável mas Thórin começa a ser afectado pela maldição do ouro, recuando na sua palavra de partilhar os recursos com os Humanos. Sem Smaug para guardar o tesouro, rapidamente corre a notícia pela Terra-Média o que leva a que Humanos e Elfos se dirijam à Montanha para reclamar “compensação” pelos danos e “recuperar relíquias antigas do povo elfo” respectivamente.

A narrativa passa então a focar-se em Gandalf e na sua luta com o misterioso feiticeiro, que acaba por revelar-se como sendo Sauron, permitindo a ponte para o Senhor dos Anéis, novamente com cenas que não fazem parte do livro do Hobbit. Nessa fase, temos igualmente a marcha dos Orcs rumo à Montanha, na tentativa de conquistar um local estratégico para a invasão da Terra Média. Segue-se uma batalha épica, como só Peter Jackson sabe recriar, repleta de cenas fantásticas e coreografadas à perfeição. Honestamente continuo sem compreender a adição de Legolas e Tauriel embora reconheça que tornam o filme mais apelativo para as massas, sobretudo porque trazem acção e uma ligação à trilogia do Senhor dos Anéis.

Para concluir, não sou fã da forma como Peter Jackson termina este filme, muito distante do livro e algo apressada, o que me leva a crer que a edição especial valerá certamente a pena. Considero que esta é a mais fraca das três aventuras mas recomendo a ida ao cinema, porque no global a Batalha dos Cinco Exércitos tem qualidade, embora me desiluda nalguns pontos.

Ender´s Game

A obra literária de Orson Scott Card é o ponto de partida para esta adaptação, que nos conta a história de Ender, uma criança sobredotada que vai ser treinada para liderar a Humanidade na sua maior batalha de sempre.

A premissa é simples: cinquenta anos após uma invasão frustrada por parte dos Formics, o Planeta Terra lança uma contra-ofensiva que visa aniquilar essa espécie e recorre a crianças para liderar a frota. A capacidade de análise táctica e adaptabilidae é o motivo invocado para tal escolha, que acaba por ser questionada diversas vezes por todo o filme.

Tendo lido a obra original, confesso que a adaptação para Hollywood fica muitos furos abaixo, o que seria expectável e frequente neste tipo de projectos. Existem pontos importantes que são omitidos da narrativa e que na minha opinião influenciam a interpretação do espectador. O livro tem o poder de nos envolver imenso na experiência e evolução da moralidade de Ender, que vai questionando os seus métodos e proporciona vários momentos de pensamento livre, em que tentamos compreender os efeitos nocivos de tal evento na mente de uma criança.

Em termos do filme, Harrison Ford, Viola Davis e Ben Kingsley têm uma boa presença, mantendo o nivel de qualidade que Ender´s Game necessita mas como referi fica aquém das minhas expectativas. Quem estiver interessado num filme de ficção científica deve ver os 120 minutos por completo mas na minha opinião sugiro que leiam o livro, que é francamente superior e tem um desfecho mais completo e que traz muito sentido a toda a experiência que envolve Ender.

Como é habitual evitei os spoilers, pelo que não vou entrar em detalhes mas caso tenham lido a obra e queiram discutir alguns pontos estejam à vontade para utilizar a caixa de comentários.