Rings of Power T.1

Após o sucesso da adaptação cinematográfica da obra de J.R.R. Tolkien, a Amazon investiu (forte) na aquisição dos direitos do Index de Silmarillion, num projecto que será alegadamente composto por cinco temporadas. A narrativa decorre na Segunda Era da Terra Média e retrata a ascensão de Sauron, com a consequente queda do reino de Númenor.

A personagem central é Galadriel, uma guerreira elfa, que é obcecada em derrotar as forças do Mal, por motivos que serão explorados nos primeiros episódios. Adicionalmente, vamos acompanhar os Harfoots, que são essencialmente os antepassados dos Hobbits e a ligação entre os Anões e os Elfos, mais especificamente, na figura de Elrond e Durin.

Existem outras personagens relevantes, tais como Arondir, Elendil, Halbrand, Míriel e Isildur, que são lentamente introduzidas ao longo desta temporada. Apesar da narrativa ser o foco principal, existem igualmente várias cenas de batalha, que são suficientes para garantir o meu interesse ao longo destes oito episódios.

Diria que a verdadeira identidade de The Stranger, que é muito provavelmente um Istari, é um dos pontos mais relevantes desta primeira temporada. O ritmo de Rings of Power é fluido e apresenta com grande pormenor o reino dos Elfos, Anões e dos Homens. A grande maioria das personagens está muito bem conseguida, com elevado foco no seu desenvolvimento, convertendo esta série numa experiência muito agradável e que recomendo.

Existem obviamente algumas decisões com as quais não concordo, mas a adaptação com base no Index abre espaço para muita criatividade narrativa por parte dos argumentistas. Faço apenas o alerta para a cronologia da série, que irá ter poucos denominadores em comum com a trilogia original, que ocorre milhares de anos antes dos eventos que serão retratados em Rings of Power.

The Hobbit: Battle of the Five Armies

Eis que chega ao fim a trilogia do Hobbit, com a Batalha dos Cinco Exércitos. Este capítulo final é claramente o que tem mais acção mas entrei curioso em saber até que ponto a narrativa poderia ser afectada. No final das duas horas, confesso que não fiquei com a mesma sensação de realização que os dois anteriores filmes alcançaram, restando explicar os motivos.

Quem leu o Hobbit sabe que existiram várias alterações, o que me parece natural, tendo em conta que é uma adaptação. Aliás, sucedeu o mesmo no Senhor dos Anéis e todos sabemos o quão épica foi essa trilogia. No entanto, este terceiro filme é aquele que mais alterações introduz e nalguns casos confesso que não fiquei agradado. Como habitual, não vou colocar spoilers mas convido-vos a debater este tema na caixa de comentários.

A acção retoma com o ataque de Smaug a Esgaroth, sendo necessário defender a cidade, algo que é alcançado com sucesso mas a grande custo. A companhia dos anões encontra-se na fortaleza debaixo da Montanha, com uma riqueza inimaginável mas Thórin começa a ser afectado pela maldição do ouro, recuando na sua palavra de partilhar os recursos com os Humanos. Sem Smaug para guardar o tesouro, rapidamente corre a notícia pela Terra-Média o que leva a que Humanos e Elfos se dirijam à Montanha para reclamar “compensação” pelos danos e “recuperar relíquias antigas do povo elfo” respectivamente.

A narrativa passa então a focar-se em Gandalf e na sua luta com o misterioso feiticeiro, que acaba por revelar-se como sendo Sauron, permitindo a ponte para o Senhor dos Anéis, novamente com cenas que não fazem parte do livro do Hobbit. Nessa fase, temos igualmente a marcha dos Orcs rumo à Montanha, na tentativa de conquistar um local estratégico para a invasão da Terra Média. Segue-se uma batalha épica, como só Peter Jackson sabe recriar, repleta de cenas fantásticas e coreografadas à perfeição. Honestamente continuo sem compreender a adição de Legolas e Tauriel embora reconheça que tornam o filme mais apelativo para as massas, sobretudo porque trazem acção e uma ligação à trilogia do Senhor dos Anéis.

Para concluir, não sou fã da forma como Peter Jackson termina este filme, muito distante do livro e algo apressada, o que me leva a crer que a edição especial valerá certamente a pena. Considero que esta é a mais fraca das três aventuras mas recomendo a ida ao cinema, porque no global a Batalha dos Cinco Exércitos tem qualidade, embora me desiluda nalguns pontos.

The Desolation of Smaug

Após um fenomenal início de trilogia foi com toda a pompa e circunstância que me desloquei ao IMAX para ver a continuação da aventura de Thorin, na companhia de alguns entusiastas da obra de Tolkien. O início do filme é francamente positivo, com um breve relembrar do ponto em que nos encontramos e com o desenrolar fluido da narrativa. No entanto, com o avançar do filme o ritmo quebra, apesar das fantásticas cenas de acção, cortesia de Legolas e Tauriel.

Não me considero um purista da obra de Tolkien, pelo que até aceitei bem a introdução de duas personagens que não constam do livro. A ligação à narrativa está relativamente bem executada e compreendo a necessidade de apresentar algo que faça ligação com o Senhor dos Anéis mas este filme torna-se demasiado longo, ficando uma sensação de exagero face ás quase 2 horas e meia.

Recuperei algum do entusiasmo após a chegada a LakeTown, especialmente com a personagem de Bard, que me parece muito bem representada por Luke Evans. A chegada à Montanha é claramente o ponto mais alto do filme, superando a entrada em cena de Smaug. A escala e carga emotiva atribuída ao dragão está muito bem conseguida e Peter Jackson consegue recuperar crédito precisamente nesse ponto com a escolha de Benedict Cumberbatch. A sua voz e “presença” torna as cenas dentro da montanha são excelentes e por breves instantes somos catapultados para a Terra-Média em toda a sua glória.

No global, considero este capítulo inferior ao primeiro, com a agravante de terem sido reavivadas as minhas preocupações relativas ao excesso de filme para contar uma história relativamente curta. Paralelamente, fiquei surpreendido pela negativa com o ponto em que termina “The Desolation of Smaug”, o que me faz crer que a terceira parte terá um ritmo frenético. Para terminar, parece-me importante destacar o desinteresse em redor da personagem de Beorn, algo que não consigo compreender, dado que na minha óptica é uma personagem importante desta aventura.

Como pontos positivos, salientar a presença de Stephen Fry, Stephen Colbert e a breve aparição de Peter Jackson logo no início do filme. E agora basta aguardar ansiosamente pelo terceiro e última parte: There and Back Again. Até lá recomendo que vejam este filme, que não deixa de ser excelente, apesar de ter pontos que poderiam ter sido mais bem explorados.