Transformers: Dark of The Moon

Os Pink Floyd não devem ter autorizado que Michael Bay utilizasse Dark Side of the Moon como título para o terceiro filme da saga, pelo que fomos presenteados com Dark of the Moon. Neste novo episódio da guerra entre Autobots e Decepticons, a narrativa desenvolve-se em torno da corrida espacial dos anos 60, com o objectivo de alcançar a parte obscura da Lua, onde se encontram os destroços de uma nave extra-terrestre.

Sam Witwicky terminou a sua relação com Mikaela Banes (Megan Fox) e tenta desesperadamente encontrar emprego na cidade de Washington. Apesar de ter o carinho e atenção de Carly (Rosie Huntington-Whiteley), Sam tem muita dificuldade em lidar com uma “existência normal”, longe de Optimus Prime e Companhia.

E com estes dois parágrafos, concluo a apresentação do que poderão esperar de Transformers 3 em termos de narrativa. Estamos claramente perante um blockbuster de Verão, com muita acção e extraordinários efeitos especiais. Apesar do hype em redor do 3D do filme, a desilusão volta a ser enorme, excepção feita ás cenas do ataque a Chicago.

A primeira parte do filme tem vários momentos cómicos, proporcionados pela família de Witwicky, Bruce Brazos (John Malcovich), Simmons e os mini-Autobots que vivem com Sam. Pelo meio, temos tempo para apreciar com maior pormenor os atributos físicos de Carly, assim como vários carros de alta cilindrada. Para tornar a experiência ainda mais épica, o filme conta com a participação de Patrick Dempsey, Buzz Aldrin, Frances McDormand e Leonard Nimoy (voz de Sentinel Prime).

Apesar da qualidade das cenas de acção e dos pequenos toques de requinte de Michael Bay, Dark of the Moon é uma desilusão em termos de narrativa. O filme é excessivamente longo, perdendo-se muitas vezes nas missões que cada uma das personagens tem que desempenhar. O resultado final é extremamente previsível e torna-se frustrante o facto de Megatron ser uma personagem secundária em todo o filme.

Para os fãs da franchise, será certamente um filme a ver, porque estão presentes quase todos os ingredientes das aventuras anteriores. Optimus Prime e Bumblebee continuam a ser as estrelas não humanas do filme e algumas das cenas do ataque à cidade de Chicago ficam na retina.

Apenas queria salientar que considero uma heresia ter sido retirada uma quote de Star Trek para utilização num diálogo entre Optimus e Sentinel Prime.

X-Men First Class

A mais recente aventura dos X-Men aborda a temática da criação/génese do grupo de mutantes mais famoso de sempre. Tudo começa na Alemanha Nazi de 1944, onde o vilão Sebastian Shaw leva a cabo experiências macabras, com o intuito de potenciar a habilidade de Erik Lehnsherr, mais conhecido por Magneto. Numa derradeira tentativa de atingir os seus objectivos, o vilão assassina a mãe de Erik, que promete vingança.

Esta é a premissa inicial do filme e desencadeia uma série de eventos que resultará na criação de uma equipa especial da CIA, com o grande objectivo de aprisionar a equipa de mutantes de Shaw. Passam alguns anos e Shaw torna-se no líder do Hellfire Club, que tem como grande objectivo iniciar uma guerra nuclear entre EUA e Rússia. Magneto continua a sua missão de localizar o assassino da sua mãe, mas sem sucesso. Numa das várias tentativas, vai encontrar um telepata de nome Charles Xavier, dando início a uma parceria que culminará numa das rivalidades mais épicas de sempre em termos de BD.

O filme está muito bem conseguido, com um excelente casting, privilegiando a narrativa em prol da acção. Há uma preocupação clara em dar profundidade ás personagens, mas sem nunca esquecer a acção. Em termos de mutantes, somos presenteados com Emma Frost, Azazzel, Riptide, Darwin, Havok, Banshee, Beast e Mystique. Escolhas curiosas sem dúvida…

A narrativa decorre no período da “crise dos mísseis em Cuba”, num ambiente de guerra fria e com pormenores deliciosos, como a criação de Cerebro, a tentativa de recrutamento de Wolverine e a transformação de Hank McCoy em Beast.

Os mais puristas vão provavelmente ficar desapontados, dado que a (evidente) adaptação para o cinema tem muitas diferenças para a BD mas no global o filme é muito sólido e eleva a fasquia em termos de X-Men, o que não era fácil. Para concluir, destaco as excelentes interpretações de James McAvoy, Michael Fassbender e Kevin Bacon.

Nos próximos anos sairão mais dois filmes sobre os X-Men e espero sinceramente que consigam manter os actores a abordar a criação de Genosha. Excelsior! (btw o enorme Stan Lee não tem um cameo neste filme)

Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides

Num ano repleto de blockbusters, a Disney não podia deixar de lançar mais uma aventura do Capitão Jack Sparrow. Desta vez, o objectivo é encontrar a “Fonte da Juventude”, para salvar Blackbeard, o mais poderoso pirata dos Sete Mares.

Will Turner e Elizabeth Swann ficam de fora neste episódio (e que falta fazem) , cabendo a Angelica (Penélope Cruz) a difícil missão de liderar esta aventura. On Stranger Tides marca igualmente o regresso de Barbarossa e Gibbs, num filme que dura aproximadamente duas horas e vinte minutos.

Apesar de ter sido filmado em 3D, sofre da “habitual” inexistência da tecnologia, que se limita a fornecer algumas noções de profundidade. O filme apresenta um enredo muito pobre, com alguma acção e momentos cómicos, mas no global é monótono e pouco interessante.

A personagem de Jack Sparrow resulta quando utilizada como complemento, à semelhança dos dois primeiros filmes. Verdade seja dita, que a qualidade dos Piratas das Caraíbas tem seguido uma linha descendente e este quarto episódio apenas confirma essa teoria.

Quase metade das cenas de acção são filmadas no período nocturno, o que acaba por retirar alguma fluídez ás batalhas. Realço pela positiva a cena de luta com as sereias e o início do filme, com a fuga de Inglaterra. Não consigo no entanto perceber a introdução da vertente amorosa entre o humano e a sereia, que termina sem qualquer tipo de explicação.

No global, penso que estamos perante o mais fraco dos quatro filmes da saga. Penélope Cruz é uma desilusão e apenas Barbarossa consegue “acompanhar” a genialidade de Johnny Depp. Pena que seja insuficiente para recomendar este filme…

Correndo o risco de me repetir, On Stranger Tides é claramente um filme para os fãs da personagem de Sparrow. Na minha opinião, está na altura de deixarem os Piratas nas Caraíbas… por um período de tempo considerável.