Godzilla Minus One

A Toho Studios, em parceria com a Robot Communications, lançou este projecto independente, com um orçamento de 15 milhões de dólares. Takashi Yamazaki fez um trabalho extraordinário, com a utilização de efeitos práticos, que convertem este filme numa experiência muito agradável.

Optei por ver a versão a preto e branco, que me parece a mais fiel à visão do realizador. A narrativa decorre no ano de 1945, introduzindo o piloto kamikaze Shikishima, que aterra na Ilha Odo, para reparações. Uma estranha criatura, que faz parte do folclore local, ataca o local, dizimando os engenheiros e toda a infraestrutura militar.

O piloto regressa a casa com claros remorsos pelo facto de ter ficado sem reação aquando do ataque e tem dificuldade em reintegrar-se na sociedade. Para complicar ainda mais a situação, fica a saber que os seus pais faleceram durante o bombardeamento inimigo, o que agrava o seu estado de espírito. Quando tudo parece perdido, conhece uma jovem, de nome Noriko Ōishi, que é responsável por um bebê órfão, com os quais vai criar uma relação platônica.

Tomamos igualmente conhecimento da operação Crossroads, que envolve inúmeros testes nucleares, que serão responsáveis pela mutação de Godzilla, convertendo-o numa ameaça para todo o território japonês. A narrativa é previsível mas coloca o nosso herói num novo confronto com Godzilla, que irá representar o seu arco de redenção.

O ataque à cidade de Ginza é, na minha opinião, o ponto mais alto do filme, lançando a premissa para o terceiro e derradeiro acto narrativo, em que uma série de cidadãos se unem na tentativa de derrotar o monstro. Vou obviamente evitar os spoilers, mas recomendo sem hesitação este projecto para quem é fã dos filmes originais de Godzilla. Conforme referi na introdução, o orçamento é reduzido e tem como suporte efeitos especiais muito práticos, que conferem um aspecto visual antiquado mas que funciona na perfeição.

Minus One foi sem dúvida uma agradável surpresa, sobretudo se considerarmos que foi lançado  praticamente na mesma altura de um dos grandes blockbusters de Hollywood, Godzilla x Kong: The New Empire.

Bom
72%

Justice League: Crisis on Infinite Earths – Part One

O primeiro acto introduz Amazo, um robot criado pelo Professor Ivo, que tem a capacidade de absorver poderes meta-humanos. A batalha inicial com Flash e Super-Homem não corre de feição para os nossos heróis, que são resgatados por Green Arrow. O estado crítico de Clark leva-os a Gotham, mais precisamente à mansão Wayne, dando início à ideia de criar a Justice League.

Na conferência de imprensa que celebra esse momento, Amazo volta a atacar a equipa, que conta com Vixen, Martian Manhunter, Super-Homem, The Flash, Batman e Green Arrow. Ficamos igualmente a saber que Lex Luthor reprogramou Amazo, de forma a servir o seu intuito de assimilar os super-poderes. No entanto, a narrativa principal diz respeito ás constantes viagens entre universos que Barry Allen consegue realizar, após ser confrontado por um misterioso sem abrigo, que tem muita semelhanças físicas com John Constantine.

No segundo acto, temos a confirmação de que um estranho fenómeno está a destruir o planeta Terra de vários universos alternativos. The Monitor decide recrutar vários  super-heróis, no sentido de encontrar uma solução que abrande ou destrua a onda de anti-matéria. Sem relevar pormenores, a equipa chega a um consenso, criando uma série de torres que visam vibrar o planeta numa frequência que, em teoria, funcionará como um escudo de proteção.

Barry continua a viajar entre universos e pontos temporais do futuro, que culminam com o impacto da onda no nosso planeta. O que inicialmente aparenta ser um sucesso, termina num gigantesco impasse, que terá a sua conclusão na sequela, que será disponibilizada no final de 2024. Esta primeira metade tem a minha recomendação, conjugando uma panóplia de versões dos nossos heróis e vilões preferidos da DC.

O argumentista deste filme é Jim Krieg, que faz uma adaptação competente do material original, da autoria de Marv Wolfman e do falecido George Pérez. No que diz respeito a animação, a DC continua a estar muito à frente da concorrência, garantindo nomes sonantes, dos quais destaco Stana Katic, Jensen Ackles, Matt Bomer, Zachary Quinto, Alexandra Daddario e Louis Diamond Phillips.

Bom
75%

The Killer

Baseado na novela gráfica francesa de Alexis Nolent, vamos ter a história de um assassino profissional que falha uma missão, convertendo-se num alvo a abater. David Fincher é o realizador deste projecto, que me surpreendeu pela positiva e de forma inesperada.

A narrativa está dividida em seis capítulos, algo que Quentin Tarantino popularizou e que se converteu numa norma de Hollywood nos dias que correm. Começamos por conhecer o método do assassino, que é apenas identificado como The Killer e vamos progredindo na narrativa, dando início á sua vingança e culminando com o diálogo em pessoa com o responsável pela ordem.

Diria que existe alguma inspiração em clássicos como Leon ou Kill Bill, embora seja importante destacar a performance de Michael Fassbender, que incarna com mestria a frieza e a obsessão compulsiva pelo detalhe. Existem vários momentos de ação frenéticos, sempre bem complementados com uma descrição pausada e que confere um tom descritivo que é refrescante neste tipo de filmes. Diria até que, em certos momentos, fico a sensação de desfolhar as páginas da novela gráfica enquanto lemos o que o narrador entende ser relevante para descrever as ilustrações.

O elenco conta com Arliss Howard, Charles Parnell, Sala Baker, Sophie Charlotte e Tilda Swinton nos papéis secundários e obtém o selo de qualidade do Portal Pessoal. Se procuram algo diferente, fica a sugestão para um filme que vai ser pouco falado mas que tem potencial para se converter num clássico do género.

Mediano
74%