The Bubble

A Netflix continua a investir em elencos sólidos, como forma de promover os seus projetos. Desta vez, a escolha recai numa sátira ao cenário de pandemia, em que vamos acompanhar a produção de um filme de ficção científica.

Karen Gillan, Fred Armisen, Maria Bakalova, David Duchovny, Leslie Mann, Kate McKinnon e Pedro Pascal são os nomes mais sonantes, num filme que leva ao extremo os clichés do COVID-19. No que diz respeito à narrativa, a premissa é simples e consiste na necessidade de cumprir protocolos e os respectivos períodos de confinamento, que ocorrem durante as filmagens de Cliff Beasts.

Lentamente, vamos assistindo à completa perda de sanidade do elenco, que lidam de forma única com o isolamento e confinamento. Paralelamente, vamos acompanhando a pressão realizada pelo estúdio no sentido de cumprir prazos e orçamento, para além da constante interferência dos actores junto do realizador.

Contem obviamente com muito humor e um sarcasmo constante a vários comportamentos típicos de Hollywood, que resultam num filme que tem os seus momentos. No global, The Bubble é um filme mediano, que não se leva particularmente a sério, mas que conta com um terceiro acto completamente surreal, mas que acaba por funcionar.

É uma pena que a Netflix esteja a desperdiçar recursos e talento em filmes que tinham condições para ser francamente melhores.

Mediano
62%

The King’s Man

Gostei imenso da primeira aventura da saga Kingsman, mas fiquei algo desiludido com a sequela, motivo pelo qual entrei com expectativas moderadas para o filme que vai retratar a história de origem da organização. O primeiro acto leva-nos a 1902, mais especificamente a um campo de concentração na África do Sul, em que assistimos a um evento que vai moldar a vida de Conrad e Orlando Oxford.

No entanto, a narrativa principal decorre em 1914, no período que precede os eventos da primeira Grande Guerra Mundial. Vamos acompanhar a criação de uma rede global de espiões, fomentado por empregados britânicos espalhados pelo globo. A primeira missão envolve uma missão à União Soviética, com um duelo épico com Rasputin, que faz parte de uma organização secreta denominada The Flock.

Gosto particularmente das personagens de Shola e Polly Watkins, dois empregados pessoais do Duque de Oxford, que irão converter-se em dois dos membros fundadores da King’s Man. Existe uma ligeira componente de humor, bem complementada por momentos de ação, tanto em missões como na frente da guerra, onde vamos acompanhar a saga de Conrad Oxford.

Como é habitual, não vou partilhar spoilers, mas diria que a previsibilidade da narrativa é o ponto mais fraco deste projeto, que consegue garantir entretenimento e enquadrar a história de origem da organização. Para os fãs desta saga, diria que será uma experiência agradável, motivo pelo qual recomendo o investimento de tempo.

Mediano
66%

Enola Holmes 2

Após os eventos da aventura original, Enola converte-se numa detective privada por conta própria, mas continua a ter dificuldade em sair da sombra do seu irmão. O seu primeiro caso consiste em encontrar Sarah Chapman, que desapareceu misteriosamente da fábrica de produção de fósforos.

Existem duas sub-narrativas, que envolvem Sherlock e Eudoria, que irão convergir no acto final, revelando uma conspiração profunda, com ligações a uma personagem icónica da obra de Sir Arthur Conan Doyle. A primeira metade deste filme tem um ritmo lento e que não beneficia o envolvimento do espectador. No entanto, existem alguns pormenores interessantes que acabam por compensar na segunda metade.

A introdução do Superintendent Grail, Mira Troy e Henry Lyon são uma mais valia, complementando os regressos (previsíveis) de Tewkesbury, Eudoria Holmes e o Inspector Lestrade. As pistas resultantes da investigação originam um puzzle complexo e que vai sendo lentamente revelado por Enola, que em muitos casos volta a quebrar a quarta barreira. A simbiose entre narrativa e ação é igualmente muito bem conseguida, mantendo um equilíbrio fundamental para sustentar os 129 minutos de filme.

Apesar de, na minha opinião,  a sequela ser inferior ao original, existem muitos pontos positivos neste projeto, que garante entretenimento e tem um papel mais activo por parte de Henry Cavill, no papel de Sherlock Holmes. Para terminar, quero igualmente destacar a importância histórica de Sarah Chapman, algo que é igualmente explorado de forma interessante neste filme.

Não existem cenas pós-créditos, mas tendo em conta o desfecho, diria que é bastante provável uma terceira aventura no futuro próximo.

Mediano
68%