Greenland

O cenário de pandemia vai certamente originar muito cinema relacionado com este tema, mas confesso que estava com saudades de um “disaster movie”.  Greenland é realizado por Ric Waugh e conta a história da família Garrity, que se vê forçada a abandonar abruptamente a sua residência, após a queda de fragmentos de um meteorito.

Contem com os habituais clichés, inserido numa lógica de família disfuncional e que envolve John, Allison e Nathan numa luta contra o tempo, na tentativa de alcançar uma base militar. A premissa é simples: a família Garrity foi seleccionada para sobreviver a um evento de extinção, que lhes dá acesso a um bunker militar, para onde serão redirecionadas milhares de cidadãos.

A partir desse momento, sem colocar spoilers, sucedem-se eventos que irão colocar à prova a resiliência dos principais intervenientes. Como seria expectável, num cenário desta gravidade, a Humanidade mostra a sua pior faceta, o que terá um efeito negativo em John Garrity, que se vê forçado a lutar literalmente pela sua sobrevivência.

As cenas de CGI estão bem conseguidas, mas a narrativa é extremamente previsível e repleta de decisões que fazem muito pouco sentido. No entanto, Greenland é um filme que cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. A nível de elenco, temos a participação de Gerard Butler, Morena Baccarin e Scott Glenn, que ajudam a minimizar as principais falhas narrativas, que mencionei anteriormente.

O terceiro ato decorre na Gronelândia e lança as principais premissas para a sequela, após o embate do asteróide Clarke. Aparentemente, existem vários sobreviventes espalhados pelo Planeta, o que abre uma panóplia de opções muito interessante. Para terminar, parece-me que este filme vai agradar a entusiastas do género, mas para os restantes, sugiro que encarem este projeto com uma expetativa mediana.

Mediano
67%

Nightmare of the Wolf

A adaptação de Witcher ao formato de série revelou-se um sucesso, criando espaço para projetos paralelos, baseados no mesmo universo. Nightmare of the Wolf conta-nos as aventuras de Vesemir, um jovem Witcher que tem uma ligação importante a Geralt.

O primeiro ato incorpora uma cena de ação fantástica, que envolve a batalha com um leshen, dando início a uma série de eventos que culminará numa conspiração maliciosa e que terá consequência desastrosas para a ordem dos Witcher.

Começamos por revisitar a infância de Vesemir, tomando conhecimento das suas motivações e a sua ligação a Illyana, uma jovem que partilha o seu destino enquanto servo. A chegada de um Witcher de nome Declan cria as condições necessárias para que o jovem herói opte por ir treinar para Kaer Morhen, em busca de glória e riqueza.

A narrativa alterna entre o passado e presente, focando-se na floresta de Kitsu e no pedido de ajuda de Filavandrel, que informa Vesemir do estranho desaparecimento de jovens elfos. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, embora possa adiantar que existirá uma aliança improvável entre o nosso Witcher e Tetra, uma humana descendente da linhagem original de magos. Contem com algumas batalhas, magia negra e  uma conspiração que visa destruir Kaer Morhen.

O terceiro acto contém a derradeira batalha pela sobrevivência dos Witcher e tem um desfecho previsível, mas que faz sentido tendo em conta os eventos futuros. Kwang Il Han é o realizador de Nightmare of the Wolf, que cumpre a sua função de entretenimento e cria a ponte necessária para compreendermos a ligação entre Vesemir e Geralt, algo que será certamente explorado na segunda temporada de The Witcher.

Sem atingir patamares de brilhantismo, este projeto tem a minha recomendação e garante 83 minutos de diversão.

Mediano
70%

Crawl

O que podem ter em comum uma nadadora semi-profissional, um furacão de categoria 5 e uma casa na Florida? À partida nada, mas esta é a premissa deste filme, que narra a aventura de Haley Keller, uma jovem nadadora, que a pedido da sua irmã Beth, decide deslocar-se a casa do seu pai, durante uma tempestade tropical.

Seguindo a lógica da Lei de Murphy, tudo o que pode ocorrer para piorar a situação vai concretizar-se, deixando Haley e o seu Pai, Barry, numa luta pela sobrevivência. Contem com momentos de cortar a respiração, que envolve crocodilos e a subida do nível de água na cave onde se encontram aprisionados.

Gosto particularmente da componente de terror psicológico, que combina bem com a animosidade existente entre Pai e Filha. À medida que as probabilidades de sobrevivência vão reduzindo, nota-se uma clara mudança na postura de ambos, apostando na reaproximação como forma de redenção dos actos passados.

Saliento igualmente a constante adição de obstáculos, que gera uma empatia brutal para com o destino das personagens, o que torna ainda mais satisfatório o terceiro acto de Crawl. Está longe de ser um filme brilhante mas é, sem hesitação,  uma recomendação da minha parte.

Caso sejam subscritores do serviço, podem ver este filme através da plataforma Netflix.

Mediano
68%