Without Remorse

Baseado na obra de Tom Clancy, vamos acompanhar a aventura de John Kelly, um membro dos Navy Seals que vai envolver-se numa conspiração ao mais alto nível. O primeiro acto  leva-nos para Aleppo, na Síria, onde vai decorrer uma missão secreta que visa resgatar um operativo da CIA. A realidade acaba por revelar-se bem distinta, dado que se trata de uma paiol russo, em detrimento de uma base da Assad.

Misteriosamente, os membros desta missão começam a ser assassinados. A casa de John Kelly é atacada e a sua família é assassinada, colocando-o numa missão de vingança, que o leva a abandonar as suas raízes militares. É nesta fase que é inserido na narrativa Thomas Clay, o Secretário da Defesa e a Comandante Karen Green, que irão auxiliar nesta investigação não oficial.

A obra literária de Clancy que serve de inspiração para este filme é de 1993, pelo que o ambiente de Guerra Fria é uma constante. Nem tudo é o que aparenta e existe muito jogo duplo, que complementa bem a narrativa fluida e repleta de ação.

Como é apanágio, não vou divulgar spoilers mas posso adiantar que o acto final decorre em Murmansk, na Rússia, para uma missão que visa apreender Victor Rykov, um ex membro da Spetznaz. Vão existir saltos HALO, batalhas contra o exército, polícia e até snippers que pretendem dar início a um conflito global. Without Remorse cumpre a sua função de entretenimento e tem em Michael B Jordan e Guy Pearce os pontos mais altos da narrativa. Se procuram algo dentro do género de espionagem, esta é sem dúvida uma boa recomendação.

Uma cena pós-créditos mostra o Director Ritter a propor a criação de uma equipa de contra-terrorismo, que tem o nome de código Rainbow, numa clara referência a uma das obras icónicas de Tom Clancy, que teve inúmeras adaptações no mundo dos videojogos.

Bom
72%

Batman: The Long Halloween

Esta animação é inspirada nos treze capítulos de 1996, da autoria de Jeph Loeb e com arte de Tim Sale. O primeiro acto tem início num casamento, em que o líder da Máfia, Carmine “The Roman” Falcone tenta recrutar Bruce Wayne para lavagem de dinheiro. Posteriormente, é introduzida a personagem de Harvey Dent na narrativa, no papel do incorruptível Procurador-Geral de Gotham, que tenta eliminar a organização criminosa de Falcone. Tendo em conta o seu objetivo comum, é forjada uma aliança entre Dent, Gordon e Batman, no sentido de levar The Roman à justiça.

Seguem-se alguns eventos, em que Bruce, no seu papel de multimilionário, vai interferir nos negócios criminosos de Carmine, deixando para a noite as ações mais diretas, no papel de Batman. Catwoman é uma aliada do nosso herói, tendo conhecimento da sua identidade secreta e vivendo uma relação amorosa com o milionário mais desejado de Gotham. Com o avançar da investigação, existem alguns atentados à vida de Harvey Dent e da sua esposa, Gilda.

No dia de Ação de Graças, uma estranha personagem, de gabardine, assassina um dos elementos da organização de Falcone, com a utilização de uma arma sem registos e com uma chupeta a servir de silenciador. Batman, Gordon e Dent iniciam a investigação, no sentido de descobrir a identidade deste elemento externo, que aparenta ter um objetivo comum mas com uma intolerável abordagem criminosa.

O assassino passa a ser apelidado de Holiday e nos meses seguintes, vai realizar de forma sistemática ataques em feriados, que irão culminar no final da primeira parte de Long Halloween, com a morte de um membro da família de Falcone. No dia de ano novo, Batman consegue evitar um ataque de Joker, que pretendia disparar o seu gás em Gotham Square, alegando que “apenas há espaço suficiente na cidade para um homicida maníaco”.

A narrativa continua a sua evolução, dando sempre a entender que nem tudo é o que parece, sobretudo no que diz respeito a Harvey Dent. A Polícia de Gotham passa a proteger Carmine Falcone e “Holiday” começa igualmente a fazer vítimas na família rival Maronis,  com evidentes ligações ao crime organizado. Como é habitual, estou a evitar entrar em grande pormenor narrativo, precisamente para limitar os spoilers mas posso adiantar que Falcone vai recrutar Poison Ivy para obter o apoio de Bruce Wayne, o que gera uma cena de ação épica com Catwoman.

Os assassinatos vão-se acumulando, originando a introdução de Two Face na narrativa, que conta com o apoio de Solomon Grundy. O objetivo é obter vingança de Sal Maroni, o responsável pela sua desfiguração e derrotar o crime organizado. É interessante a visão antagónica de Dent e Two Faces, que partilham o mesmo objetivo mas com duas abordagens distintas.

O terceiro acto inicia com a morte de mais um familiar direto de Falcone e um ataque ao seu edifício, com a ajuda de vários prisioneiros de Arkham. Há uma revelação interessante acerca do passado de Selina Kyle, que justifica a sua obsessão com a família Falcone e Two Face é finalmente derrotado. Long Halloween é uma história envolvente, que gira em torno do assassino “Holiday”, cuja identidade acaba por ser revelada no final.

Gostei particularmente desta versão mais “vulnerável” de Batman, que é apanhado diversas vezes de surpresa, assim como da sua parceria com a Catwoman, algo que se tornou uma constante no universo DC, concluindo a sua transição de vilã para heroína.

Conforme referi, são duas partes, num total de 170 minutos, que na minha opinião, merecem a vossa atenção. Para terminar, apenas destacar o casting, que inclui nomes como Billy Burke, Josh Duhamel, Troy Baker, Jensen Ackles e Naya Rivera, que faleceu recentemente.

Bom
75%

Greenland

O cenário de pandemia vai certamente originar muito cinema relacionado com este tema, mas confesso que estava com saudades de um “disaster movie”.  Greenland é realizado por Ric Waugh e conta a história da família Garrity, que se vê forçada a abandonar abruptamente a sua residência, após a queda de fragmentos de um meteorito.

Contem com os habituais clichés, inserido numa lógica de família disfuncional e que envolve John, Allison e Nathan numa luta contra o tempo, na tentativa de alcançar uma base militar. A premissa é simples: a família Garrity foi seleccionada para sobreviver a um evento de extinção, que lhes dá acesso a um bunker militar, para onde serão redirecionadas milhares de cidadãos.

A partir desse momento, sem colocar spoilers, sucedem-se eventos que irão colocar à prova a resiliência dos principais intervenientes. Como seria expectável, num cenário desta gravidade, a Humanidade mostra a sua pior faceta, o que terá um efeito negativo em John Garrity, que se vê forçado a lutar literalmente pela sua sobrevivência.

As cenas de CGI estão bem conseguidas, mas a narrativa é extremamente previsível e repleta de decisões que fazem muito pouco sentido. No entanto, Greenland é um filme que cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. A nível de elenco, temos a participação de Gerard Butler, Morena Baccarin e Scott Glenn, que ajudam a minimizar as principais falhas narrativas, que mencionei anteriormente.

O terceiro ato decorre na Gronelândia e lança as principais premissas para a sequela, após o embate do asteróide Clarke. Aparentemente, existem vários sobreviventes espalhados pelo Planeta, o que abre uma panóplia de opções muito interessante. Para terminar, parece-me que este filme vai agradar a entusiastas do género, mas para os restantes, sugiro que encarem este projeto com uma expetativa mediana.

Mediano
67%