Space Sweepers

O ano é 2092 e o Planeta Terra está praticamente inabitável, em consequência do desaparecimento de grande parte da fauna e flora. Como consequência, a Humanidade (sobre)vive na órbita do planeta, em estações criadas pela Corporação UTS.

A premissa está longe de ser inovadora, mas assenta numa hierarquia social, em que a população é segmentada com base nos seus recursos financeiros. Alguns “não-cidadãos” podem adquirir um visto, que lhes permite trabalhar nas estações ou como Space Sweepers, equipas que recolhem lixo espacial na órbita do planeta.

A narrativa foca-se na tripulação da Victory, que se envolve de forma inadvertida numa conspiração ao mais alto nível, que tem como objetivo a extinção da vida na Terra. Posso adiantar que a descoberta de Dorothy, um robot humanoide, dá início a uma série de eventos que colocam à prova a capacidade dos nossos quatro heróis: Capitão Jang, Tae-ho, Tiger Park e Robot Bubs.

Dorothy aparenta ser uma arma de destruição, procurada por James Sullivan, o CEO da UTS e o Salvador da Humanidade. Mas ao longo da aventura, vamos tomar conhecimento da terrível verdade e os nossos heróis serão forçados a tomar decisões impossíveis, mas necessárias,  para assegurar a sobrevivência da raça Humana.

Os efeitos especiais são aceitáveis, numa narrativa que está longe de ser brilhante, mas que cumpre a sua função de entretenimento. Destaque para a participação de Richard Armitage, o único nome sonante do elenco.

Space Sweepers tenta replicar uma space opera, com algumas ideias e conceitos interessantes, embora sem atingir um nível particularmente elevado. Dito isto, se pretendem relaxar duas horas e são fãs de ficção científica, este é um filme em que podem investir.

Mediano
68%

Outside the Wire

A Netflix continua a investir em projetos inesperados, que contam com alguns nomes relevantes em Hollywood. Outside the Wire conta com a participação de Anthony Mackie e Emily Beecham, retratando um mundo em guerra, no ano de 2036. A narrativa decorre na Ucrânia, onde forças americanas tentam manter a paz, com o apoio de Gumps, robots militares e drones.

O primeiro acto apresenta-nos Harp, um piloto que desrespeita as suas ordens diretas, levando à morte de 2 marines, para conseguir salvar a restante unidade, composta por 38  elementos. Como punição, é enviado para a Ucrânia, para servir sob as ordens do Capitão Leo, um androide experimental que à primeira vista, parece um humano.

A missão de Leo e Harp passa por evitar que Victor Koval, o líder dos terroristas ucranianos, consiga ter acesso aos silos nucleares. Ao longo desta aventura, vamos percorrer campos de refugiados e ver Leo a tomar decisões que violam a conduta militar, algo que Harp tem dificuldade em lidar.

Ao longo do segundo acto, é visível a mudança no código moral das personagens principais, com o intuito de alcançar o sucesso da missão. A narrativa consegue no entanto ser algo previsível, o que condiciona a parte final de Outside the Wire.

Gostei de algumas ideias apresentadas e no global, as cenas de ação estão bem conseguidas mas em ponto algum consegui atingir um ponto de entusiasmo relevante. Por esse motivo tenho muitas reservas em recomendar este filme. Caso tenham uma hora e meia para investir numa tarde cinzenta de Inverno, diria para o fazerem.

Mediano
65%

Wonder Woman 1984

A DC tem falhado de forma consistente nos últimos anos, mas no que diz respeito a Wonder Woman, a escolha de Gal Gadot foi perfeita, tendo originado, na minha modesta opinião,  um dos melhores filmes de super-heróis dos últimos anos.

O cenário de pandemia que vivemos atrasou, por razões óbvias,  as estreias dos principais projectos mas eis que finalmente tive a oportunidade de ver a sequela, que conta, uma vez mais, com a realização de Patty Jenkins. O facto do argumento ter a contribuição de Geoff Johns aumentou o meu nível de confiança, embora reconheça que não fiquei convencido com os trailers apresentados.

A narrativa retoma na década de 80, onde encontramos uma Diana Prince que trabalha como curadora num museu, embora continue a combater o crime, de forma anónima. O acto inicial marca o tom do filme, apresentando-nos uma Wonder Woman amargurada e com claras dificuldades em gerir a perda de Steve Trevor.

Maxwell Lord (Pedro Pascal) e Cheetah (Kristen Wiig) são os vilões desta aventura, que irá incorporar um artefacto antigo que aparenta conceder qualquer desejo, embora a um custo elevado. O desenvolvimento destas duas personagens é intrigante e acaba por impedir que o primeiro acto seja um falhanço completo.

Não compreendo minimamente a decisão de trazer Steve Trevor para a sequela, dado que pouco ou nada acrescenta à história, repetindo inclusivamente algumas das premissas do filme original. Existem no entanto alguns momentos cómicos que envolvem Diana e Steve, tendo como pano de fundo o estilo dos anos 80.

As cenas de ação são aceitáveis, embora o CGI deixe algo a desejar, em determinados momentos. Infelizmente, a presença de Gal Gadot é insuficiente para converter os 151 minutos de WW 1984 em algo digno de referência positiva. O terceiro e último acto engloba a batalha com Cheetah e uma série de decisões que moldam o desfecho final desta sequela, que ficou muito aquém das minhas expectativas.

Pelas razões acima mencionadas, sou forçado a conceder que WW 1984 é, para já, a minha desilusão cinematográfica do ano. Gostaria de ter visto uma narrativa distinta, que se focasse num Maxwell Lord mais fiel à BD e numa Cheetah que pudesse converter-se numa ameaça clara a Diana Prince, algo que não é visível neste filme.

Espero sinceramente que a DC aprenda com este falhanço, mantenha a confiança em Gal Gadot e aposte forte para a conclusão da trilogia. Para terminar, peço-vos apenas que vejam a cena pós-créditos, que tem algo relevante em termos de fan service.

Mediano
60%