Justice League Vs Fatal Five

A DC continua a ser uma referência no que diz respeito a animação. O mais recente projeto apresenta-nos os Fatal Five, um grupo de vilões do século XXXI, que vai viajar para o nosso tempo numa esfera, após uma batalha com a Legion of Super-Heroes.

Star Boy acaba por acompanhar (inadvertidamente) os vilões nesta viagem e ativa um mecanismo de defesa da Esfera, aprisionando-os num campo temporal. Contudo, sem os medicamentos necessários para contrapor os efeitos secundários de estar numa era distinta, começa a ter um comportamento errático e acaba por ser enviado para Arkham, pelo próprio Batman.

A Liga da Justiça acaba por recolher a esfera, trazendo-a para o seu Quartel-General, e acabam por por quebrar o campo temporal, iniciando uma batalha de proporções épicas. No que diz respeito a narrativa, vamos acompanhar a evolução de Jessica Cruz, que lida com uma situação traumática do seu passado e não compreende o motivo pelo qual foi seleccionada para ser um membro dos Green Lantern.

Paralelamente, vamos tomando conhecimento da agenda e do plano maquiavélico dos Fatal Five, que envolve uma viagem a Oa. Existem inúmeras batalhas ao longo do filme e os membros da JL com maior relevância são Batman, Super-Man, Wonder-Woman e Mister Terrific.

No global, JL vs Fatal Five é uma aventura interessante, embora esteja longe de ser memorável. Gostei particularmente das cenas de humor de Batman, que se vê na posição de mentor da Miss Martian, embora as figuras principais sejam sem dúvida Star Boy e Jessica Cruz.

Mediano
70%

Ghost in the Shell

O Netflix converteu-se definitivamente no meu repositório de anime. Desta vez, a escolha recaiu no clássico de 1995, baseado na manga de Masamune Shirow.

A narrativa decorre em 2029, acompanhando a mais recente missão da Section 9, que tenta capturar um hacker de nome Puppet Master, que se converteu numa ameaça à segurança do Japão. A investigação da Major Kusanagi resulta na recuperação de um corpo, criado pela empresa Megatech Body. De forma inesperada, a equipa depara-se com um “fantasma” no cérebro cibernético, o que levanta uma série de questões e dúvidas acerca da sua origem.

Rapidamente são visitados pelo Chief Nakamura, responsável da Section 6, que reclama o corpo, alegando que esse fantasma é do terrorista Puppet Master. Seguem-se algumas cenas de ação, que vou evitar detalhar, mas essencialmente o corpo acaba por ser reativado, adquirindo consciência própria, o que leva a um pedido de asilo político.

Torna-se difícil abordar a narrativa sem dar spoilers, mas posso adiantar que estamos perante uma conspiração governamental, em que nem tudo é o que aparenta. Há uma clara vertente filosófica, em que se aborda o conceito de ser vivo e o direito à vida.

O terceiro acto é fenomenal, terminando com uma solução curiosa e que converte Ghost in the Shell numa das referências de anime. Existem temas profundos que são abordados na narrativa, que é fortemente influenciada pelo cyberpunk. Foi um prazer revisitar este projeto e constatar o quão pioneiro foi este e outras referências do género.

Se tiverem oportunidade, recomendo sem hesitação que invistam 82 minutos do vosso tempo neste filme.

Bom
75%

Enola Holmes

A pandemia impossibilitou o lançamento deste filme nas salas de cinema mas, felizmente, a Netflix adquiriu os direitos, o que me permite partilhar convosco a minha opinião.

Enola é a irmã mais nova do clã Holmes, que foi educada em casa pela sua mãe, Eudoria. Ao celebrar os seus 16 anos, a jovem vê-se privada da companhia da matriarca, que desaparece misteriosamente, dando início à narrativa principal deste filme.

Mycroft e Sherlock regressam à sua casa de infância, com o intuito de desvendar o mistério e garantir o futuro de Enola. Sherlock fica encarregue de encontrar o paradeiro de Eudoria e Mycroft assume a responsabilidade de tutor legal da jovem, com o claro intuito de promover o seu estatuto social.

Millie Bobby Brown tem um desempenho fantástico, conseguindo passar a imagem de uma jovem “maria-rapaz”, culta e perspicaz mas com uma vontade própria inabalável, que se converterá num desafio constante a tenacidade de Mycroft.

Enola acaba por fugir para Londres, na esperança de encontrar a sua mãe. Para tal, tenta interpretar algumas pistas, descodificar cifras e confiar no seu instinto, algo que a vai colocar em perigo constante.

Na viagem inicial de comboio, a jovem depara-se com o Conde Tewkesbury, que se encontra igualmente em fuga da sua família e que irá adensar ainda mais a narrativa, por motivos que vou ocultar (sem spoilers). A dedução e o raciocínio lógico são uma constante, bem complementado com  momentos de humor, sobretudo nas cenas de ação e na escola de Miss Harrison.

Destaque para  a participação secundária de Henry Cavill, Sam Claflin, Fiona Shaw e Helena Bonham Carter, que dão o toque extra de qualidade que converte Enola Holmes num filme competente e que fornece o entretenimento necessário.

Apesar de estar longe de ser uma obra prima, tem ideias muito interessantes, motivo pelo qual recomendo que invistam duas horas neste projeto da Legendary Pictures.

Mediano
72%