Stranger Things T.1

Uma pacata cidade dos EUA vai ser o palco para alguns acontecimentos estranhos, que começam com o desaparecimento do jovem Will Byers. As buscas revelam-se infrutíferas mas levantam suspeitas a Jim Hopper, o Sheriff local, que resolve alargar a sua investigação a outros campos.

A série tem como pano de fundo os anos 80 e apresenta inúmeras referências da época, contextualizando a narrativa de forma quase perfeita. Temos o sentimento de camaradagem dos amigos de Will, que tentam encontrá-lo a todo o custo, o desespero de Joyce Byers e a história peculiar que envolve Eleven, uma criança que aparenta ter poderes de psicocinese e telecinese.

As interpretações são excelentes e a evolução que vamos constatando ao longo dos 8 episódios permite alcançar um resultado final excelente e que me cativou do primeiro ao último minuto. Sem querer entrar em pormenores que podem estragar parte da magia de Stranger Things, saliento a clara influência de Twin Peaks, Goonies ou mesmo ET na forma como o produto final é apresentado mas posso afirmar com certeza que estamos perante uma das melhores produções que tive acesso nos últimos tempos.

Sempre que uma série nos consegue catapultar para um universo e gerar preocupação para com as personagens , o êxito é garantido. Convido-vos a participar na aventura de Lucas, Dustin e Mike, preferencialmente via Netflix. Garanto que não ficarão desiludidos!

Shannara Chronicles T.1

Há muitos anos que a MTV deixou de ser um canal de música, fazendo investimentos em reality shows e séries. O mais recente projecto consiste na adaptação da obra de Terry Brooks e narra as aventuras de Will, Amberle e Eretria, na procura da semente da Ellcrys.

Existem alguns conceitos interessantes, nomeadamente o facto de a história se desenrolar numa era não muito distante da actual, sendo visíveis construções humanas, assim como grandes cidades. Após uma grande batalha, em que derrotaram o Dagda Mor (um druida elfo de incrível poder), os demónios ao seu comando ficam aprisionados na Ellcrys, uma árvore que se encontra junto ao Palácio dos Elfos.

Com o passar do tempo, a árvore começa a perder as suas folhas, libertando entidades e demónios para o mundo. Nessa altura, é necessário recorrer a uma profecia, sendo escolhida a princesa Amberle para liderar uma expedição que visa recolher a semente da Ellcrys e garantir que todo o Mal permanece aprisionado nas suas folhas.

O trio que vai realizar esta viagem é improvável, dado que consiste em Will, um meio elfo, que se revela como sendo o último da linhagem Shannara, uma família elfa que possui magia capaz de derrotar o mais poderoso dos demónios. Temos igualmente Eretria, uma humana que foi vendida aos Rovers, um bando de ladrões, e que procura a todo o custo garantir a sua liberdade. Por último, a princesa Amberle, que foi escolhida pela Ellcrys como a sua protectora, recebendo visões que a ajudarão a chegar ao BloodFire, o local onde encontrará a semente.

A primeira temporada é composta por dez episódios, em que vamos acompanhar este trio, assim como Allanon, o último druida vivo, que irá ajudar os nossos “heróis” na sua demanda. Existem alguns momentos interessantes, embora no global a narrativa seja bastante previsível e algo apressada, algo que está relacionado com a curta duração da temporada. Ainda está por confirmar se terá continuidade numa segunda temporada, que teria alguns pontos interessantes, face ao rumo que algumas personagens tomam no derradeiro episódio.

No global, se gostam deste tipo de aventura, recomendo que vejam os dez episódios mas evitem comparações com Game of Thrones, dado que são duas realidades completamente opostas. O valor de produção é francamente inferior e esta série tem claramente um público alvo mais jovem.

Sleepy Hollow T.1

Ichabod Crane acorda em Sleepy Follow, duzentos e cinquenta anos após a sua morte, no campo de batalha, pelas mãos do Cavaleiro sem Cabeça. Torna-se evidente que a sua existência está de alguma forma ligada ao Cavaleiro, que reaparece igualmente causando morte e destruição à sua passagem.

Crane alia-se a Abbie Mills, uma tenente da Polícia Local, que procura vingar a morte do Xerife Corbin e evitar o Fim do Mundo como o conhecemos. O enredo está envolto em mistério, com bruxaria, magia e o sobrenatural como pano de fundo. Temos algumas interpretações curiosas da História Americana, com a maçonaria a assumir um papel preponderante.

O vilão principal é Molloch, um demónio que guarda o Purgatório, mantendo refém a esposa de Crane. O seu plano consiste em reanimar os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, garantindo dessa forma a sua libertação, com a transição para o Mundo dos Vivos.

A série tem um bom ritmo, com desenvolvimento de personagens e algum humor, sobretudo na adaptação de Crane ao século XXI. Existem algumas revelações no decorrer da segunda metade da primeira temporada, que dão uma nova vida à narrativa, tornando Sleepy Hollow numa experiência interessante e que recomendo.

Estou neste momento na segunda temporada, que está igualmente em bom nível e cujas opiniões estarão disponíveis em breve.